Fluminense pede licença a Rei Momo e abre carnaval carioca com Rivellino; relembre
Camisa 10 da Máquina Tricolor estreou num sábado de carnaval

Tem coisa que nasce histórica — e já vem com trilha sonora. Foi assim que o Jornal dos Sports anunciou, em tom quase carnavalesco, o duelo entre Fluminense e Corinthians, no Maracanã, palco da estreia de Roberto Rivellino com a camisa tricolor:
— É uma boa este jogão com o Coríntians, às 17h, no Mário Filho. Quem for vivo não perde. O Riva mete a sua bomba santa, você festeja o gol e depois pode cair à vontade na folia — prosseguiu o anúncio.
Era 8 de fevereiro de 1975, sábado de carnaval no Rio de Janeiro. Entre confetes e serpentinas, o astro da Máquina Tricolor debutava justamente contra o ex-clube, em um roteiro que misturava expectativa, provocação e espetáculo. Mais de meio século depois, o Lance! relembra aquela tarde em que Rivellino teve "lei do ex", samba no pé — e até bateria da Mangueira como trilha de uma estreia que entrou para a história.

Estreia de Rivellino
O anúncio da contratação de Rivellino ao torcedor aconteceu no dia 1º de fevereiro de 1975, na sede do Fluminense, em Laranjeiras. Empolgado com o recomeço, o jogador foi questionado sobre suas condições de jogo, pois ficou afastado dos últimos jogos do Corinthians por dores nas costas, e foi enfático na resposta:
— Não estou muito bem fisicamente, mas mesmo que estivesse para morrer eu jogaria, pois estou bastante enusiasmado e posso dizer que seria como se estivesse estreando agora.
Em campo, estrearia somente no dia 8 de fevereiro, sábado de carnaval no Rio de Janeiro, justamente em partida contra o Corinthians, em jogo amistoso que valia a Taça João Coelho Netto, o Preguinho, em homenagem aos seus 70 anos. Naquela tarde, o camisa 10 foi quem regeu o maior baile da cidade, para mais de 40 mil torcedores: 4 a 1 com direito a três gols - o quarto foi de Gil.
Na presença da bateria da Mangueira e de Cartola, que mais tarde seria homenageado em uma das camisas do Fluminense, começou uma das idolatrias mais marcantes daquela geração de tricolores. Rivellino jogou 158 jogos pelo Fluminense, marcando 57 gols e conquistando o bicampeonato Carioca em 1975 e 1976, a Copa Viña del Mar e o Torneio de Paris de 1976, e o Troféu Teresa Herrera em 1977.

A negociação por Rivellino
A negociação entre Fluminense e Corinthians por Rivellino durou cerca de 10 dias e o ritmo das notícias fez o intervalo entre 22 de janeiro e 1 de fevereiro parecer uma eternidade. Ao passo em que noticiavam o interesse inabalável de Francisco Horta e o próprio desejo do jogador de deixar o Parque São Jorge, havia a resistência do clube paulista em negociar o craque.
Na intenção de montar um "supertime" (que naquela altura já contava com Zé Mário e Mário Sérgio) Horta iniciou as conversas antes mesmo de assumir oficialmente a presidência. Jorge Frias, presidente em exercício, não concordava com os três milhões de cruzeiros que seu sucessor estava disposto a pagar
— Se ele não serve para o Corinthians, então como pode ser útil ao Fluminense? — questionou.
Ruy Porto, em coluna no Jornal dos Sports, acompanhou a crítica por acreditar que o salário do jogador seria oneroso demais aos cofres do clube. Destacou toda sua qualidade e currículo, mas achou o salário entre 30 e 40 mil cruzeiros muito caro, afirmando ainda que o clube deveria concentrar seus esforços em trazer alguem capaz de "ajudar Gil e Cafuringa a fazer gols no ataque".
Insatisfeito com o clima no Corinthians após a derrota para o Palmeiras no Paulistão, Rivellino fez força para amolecer a diretoria corintiana a aceitar a oferta do Flu. Além do ambiente, uma ligação de Gérson também o animou, conforme noticiado pelo Jornal:
— Vem que é uma boa para nós dois. Se você vier eu continuo lá atrás. Vou cercar e enfiar as compridas. Você fica lá na frente soltando aquelas bombas.
Depois de muitas idas da comitiva tricolor à São Paulo, e de Rivellino ao Rio de Janeiro, o negócio foi fechado por três milhões e um jogo com renda dividida.
Nesta segunda-feira de Carnaval, o Fluminense vai entrar em campo para enfrentar o Bangu, no Maracanã, pelas quartas de final do Campeonato Carioca. Se vencer o rival, o Tricolor vai enfrentar o Vasco nas semifinais do torneio.
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