Futebol do Flamengo no clássico não é condizente ao investimento feito
Rubro-Negro apoiou-se na vantagem do empate, entregou a bola ao Flu e foi castigado: Luciano marcou nos acréscimos e garantiu o Tricolor na decisão da Taça Guanabara

Mais do que a eliminação diante do Fluminense no Maracanã, a atuação do time de Abel Braga ligou um sinal de alerta entre os rubro-negros que assistiram à derrota por 1 a 0 nesta quinta, na semifinal da Taça Guanabara. A postura e o futebol da equipe da Gávea diante do rival não foram condizentes ao investimento feito pelo clube, tampouco à expectativa criada pelos reforços.
Com Cuéllar, Diego, Everton Ribeiro, Gabigol, Bruno Henrique & Cia, o que se viu em campo foi um Fla sem vergonha de dar chutão (foram 36 lançamentos contra 16 do Tricolor), entregando a bola ao rival e apostando no empate - a igualdade classificaria o time de Abel, que fez a melhor campanha do Grupo C.
O gol de Luciano, aos 47 da etapa final, acabou fazendo justiça ao clássico. O Fluminense, com 61,5% da posse de bola, teve mais ousadia e acreditou até o fim na vaga. O Rubro-Negro devia ter oferecido muito mais perigo ao rival.
Um desconto pode - e deve - ser dado à equipe pela semana vivida pelo clube da Gávea após o incêndio que atingiu o CT na última sexta-feira. Mais do que alterar a rotina e a programação do time, é natural que o episódio tenha abalado os jogadores profissionais, que conviviam com os jovens no Ninho.
É verdade que o trabalho de Abel Braga é curto. Assim como é o de Fernando Diniz a frente do Fluminense. Contudo, já é possível observar características frutos do comando do inquieto treinador do Tricolor das Laranjeiras. A essa altura do Estadual, já era possível o Flamengo apresentar mais e, em especial, avançar à decisão sem sofrer e sem contar com a vantagem do empate.
Os rubro-negros estão ávidos por títulos de expressão e, caso venham sob o comando de Abel, eles terminarão o ano de 2019 satisfeitos, mas são as atuações convincentes em partidas como a de quinta-feira que darão ao treinador a tranquilidade para trabalhar e trarão a torcida para ao lado do time.
Foi assim na reta final de 2018, por exemplo, sob o comando de Dorival Júnior. Contra o mesmo Fluminense, a equipe impôs seu ritmo - o que já era comum com Maurício Barbieri - venceu por 3 a 0 e trouxe de volta a esperança da torcida na conquista do Brasileirão. Não deu, mas a Nação acreditou até o fim.

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