Opinião: ausência do maestro Jorginho na Libertadores expõe dependência do Flamengo
Volante fez falta na organização e retorna para a decisão da semifinal no Maracanã
O Flamengo sentiu falta de Jorginho em La Plata. No empate sem gols com o Estudiantes, pela partida de ida da semifinal da Libertadores, a equipe de Leonardo Jardim teve dificuldades para controlar o jogo, sair da pressão adversária e transformar a posse de bola em oportunidades. A atuação abaixo do esperado teve causas coletivas, mas a ausência de seu principal organizador ajuda a explicar parte dos problemas.
A boa notícia para a decisão no Maracanã é que o camisa 21 estará de volta. Suspenso na Argentina, Jorginho cumpriu a punição e fica novamente à disposição do treinador para o confronto que definirá uma vaga na final.
O retorno não garante uma atuação diferente, mas devolve ao Flamengo um jogador fundamental para o funcionamento da equipe.
O maestro que dita o ritmo
Jorginho é, hoje, o maestro do Flamengo. Sua importância vai além da qualidade técnica e da precisão nos passes. É o meio-campista que organiza a saída de bola, oferece linhas de passe, orienta os companheiros e entende quando a equipe precisa acelerar ou controlar o ritmo da partida.
Também exerce uma liderança importante dentro de campo. Participa da organização coletiva, corrige posicionamentos e ajuda a equipe a encontrar soluções diante da pressão adversária. Quando o Flamengo precisa construir desde a defesa, sua presença oferece uma referência para os companheiros.

Contra o Estudiantes, essa responsabilidade ficou com Saúl. O espanhol não fez uma partida ruim e cumpriu as expectativas para a função. Não seria justo apontá-lo como responsável pelas dificuldades do time. A questão é que suas características são diferentes das de Jorginho, e o Flamengo sentiu falta da capacidade do camisa 21 de comandar o ritmo do jogo.
A equipe teve dificuldades para progredir com a bola e construir ataques consistentes. Em determinados momentos, faltou encontrar o passe que quebrasse a primeira linha de pressão e permitisse ao time avançar com organização.
Jorginho não resolveria necessariamente todos esses problemas, mas é um jogador especialmente preparado para ajudar a enfrentá-los.
Números de Jorginho no Flamengo em 2026
Os números individuais ajudam a dimensionar essa importância. Em 34 partidas pelo Flamengo em 2026, sendo 29 como titular, Jorginho registra 92% de acerto nos passes e uma média de um passe decisivo por jogo. Também contribui defensivamente, com 1,3 desarmes, 1,1 interceptações e 4,6 bolas recuperadas por partida.
O volante reúne, portanto, características importantes para o funcionamento coletivo: segurança na circulação, capacidade de variar a construção e participação na recuperação da posse. Não é apenas um jogador que passa a bola, mas alguém que ajuda a definir como o Flamengo progride pelo campo.
Os resultados gerais exigem uma ressalva. O Flamengo teve aproveitamento de 62,7% nos jogos em que Jorginho atuou em 2026, contra 69,7% nas partidas sem ele. O recorte, isoladamente, não permite concluir que a equipe rende mais ou menos com o volante, já que não considera adversários, escalações e circunstâncias de cada confronto. A importância de Jorginho precisa ser avaliada também pela função tática que exerce, justamente o aspecto que ficou em evidência diante do Estudiantes.
Retorno em um momento decisivo
A ausência de Jorginho foi ainda mais sentida pelo contexto do confronto. Em uma semifinal de Libertadores fora de casa, diante de um adversário intenso e acostumado a competir, controlar o ritmo é fundamental para evitar que a partida se transforme em uma sequência de disputas e ataques pouco organizados.
O Flamengo não conseguiu impor seu jogo como gostaria. O Estudiantes pressionou, criou dificuldades e limitou a produção ofensiva rubro-negra. O empate sem gols manteve a disputa aberta, mas também deixou claro que o time precisará apresentar mais no Maracanã.
Com Jorginho, Jardim recupera uma peça capaz de ajudar a equipe a sair da pressão e estabelecer uma circulação de bola mais eficiente. O meio-campista também pode contribuir para que o time tenha mais controle nos momentos em que precisar administrar o jogo.
Há, naturalmente, outros fatores. Arrascaeta continua em recuperação da fratura e também fará falta na criação. O uruguaio oferece características diferentes, especialmente na capacidade de encontrar soluções no último terço. Ainda assim, a ausência de Jorginho tem um impacto próprio: afeta a maneira como o time organiza e conduz suas ações desde o meio-campo.
São perdas distintas, e o retorno do camisa 21 não elimina a necessidade de encontrar alternativas para a ausência do camisa 10.
Jorginho não resolve tudo, mas faz diferença
É importante não transformar a volta de Jorginho em uma solução mágica. O Flamengo precisa melhorar coletivamente, ter mais movimentação, encontrar espaços e ser mais eficiente na construção ofensiva. A responsabilidade não pode ficar concentrada em um único jogador.
Mas também seria um erro minimizar o peso do meio-campista. Em uma equipe que busca controlar as partidas pela qualidade técnica, ter alguém capaz de organizar a circulação e ditar o ritmo é determinante.
Jorginho reúne essas características e ainda acrescenta experiência e liderança. Sua presença oferece ao Flamengo uma referência para lidar com os diferentes momentos de uma decisão: acelerar quando houver espaço, ter paciência diante de uma defesa organizada e evitar que a ansiedade comprometa as escolhas.
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