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Flamengo se expõe no mercado, mas mantém responsabilidade financeira

Após negativas por Almada e Luiz Henrique, clube tem até setembro para corrigir rota

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
08/08/2026 12:21

O Flamengo chega a esta altura da janela com duas negociações frustradas que tiveram grande peso nos bastidores. O clube, que se expôs nesse período, se esforçou nas tentativas por Thiago Almada e Luiz Henrique, mas não conseguiu concluir nenhuma delas. O argentino escolheu o River Plate, enquanto o atacante do Zenit se afastou diante dos valores envolvidos, com a negociação encerrada. Com a janela ainda aberta, o desafio agora é evitar que o tempo gasto nessas duas tratativas comprometa a busca por alternativas no mercado.

A consequência mais imediata apareceu na Libertadores. O Flamengo chegou às oitavas de final sem os reforços que buscava para a sequência da temporada, enquanto o Cruzeiro, adversário nesta fase, conseguiu contratar seis jogadores. A janela brasileira, é verdade, permanece aberta até 11 de setembro. Ainda existe tempo para corrigir a rota. Mas o cenário que se criou até aqui merece uma análise mais profunda.

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Porque o problema não é simplesmente não ter contratado Almada ou Luiz Henrique. O Flamengo tinha motivos para não aceitar os valores envolvidos nas duas operações. A questão é por que essas negociações ocuparam tanto espaço dentro de uma janela em que o clube precisava encontrar soluções para o elenco.

Jardim avisou mais de uma vez sobre prioridades do Flamengo no mercado

A necessidade de reforços não pegou o Flamengo de surpresa. Leonardo Jardim foi claro em diferentes momentos sobre as carências do elenco. Em 30 de maio, o treinador apontou a necessidade de uma alternativa para o meio-campo ofensivo.

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"Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, no Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente."

Em 7 de julho, voltou a indicar as necessidades:

"Falei que nosso meio-campo ofensivo e mais um ponta seriam interessantes."

O diagnóstico de Jardim estava estabelecido. O Flamengo buscava um meia, um ponta e um centroavante. A diretoria também sabia disso, tanto que demandou semanas tentando Thiago Almada.

Leonardo Jardim durante entrevista coletiva após empate entre Flamengo e São Paulo
Leonardo Jardim durante entrevista coletiva no Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

Novela extensa em negociação por Almada

O primeiro grande alvo foi Almada. O Flamengo esperou o fim da Copa do Mundo para avançar de maneira mais contundente, uma vez que o argentino estava disputando a competição. O problema é que a negociação se prolongou. Foram pelo menos duas semanas de tratativas, enquanto o River Plate também se movimentava. Em determinado momento, a situação chegou a um ponto tão importante que José Boto viajou à Argentina para tentar obter uma resposta.

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O problema é que o dirigente voltou sem a definição que buscava. Na chegada ao Rio, Boto afirmou que o Flamengo não entraria em leilão pelo jogador. Posteriormente, a escolha de Almada pelo River Plate encerrou a primeira grande aposta do clube.

José Boto cercado de microfones em entrevista no Galeão
José Boto concedeu entrevista no Aeroporto do Galeão (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

Não se trata de criticar o Flamengo por ter perdido uma disputa. Isso faz parte do mercado. O problema é o custo de oportunidade de ter mantido uma negociação durante tanto tempo sem uma alternativa igualmente avançada.

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Luiz Henrique virou a cartada seguinte

A partir da frustração com Almada, o Flamengo direcionou sua atenção para Luiz Henrique. O atacante era um desejo antigo e deu sinal verde para que o clube avançasse. Havia, portanto, uma condição importante a favor do Rubro-Negro: o jogador queria retornar ao Brasil. O obstáculo estava no Zenit, da Rússia.

Os russos mantiveram a pedida de 30 milhões de euros fixos, além de 5 milhões em bônus. Houve flexibilização no prazo de pagamento, conforme apuração da jornalista Raisa Simplicio, com a possibilidade de parcelamento em até três anos, mas não no valor.

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O Flamengo considerou a operação acima do limite estabelecido internamente. Dizer "não" aos valores não é necessariamente um erro. O clube fez bem em não esticar a corda além daquilo que considera responsável financeiramente.

Mas essa decisão veio depois de uma negociação anterior que já havia consumido semanas. Quando Luiz Henrique se tornou prioridade, o Flamengo tinha uma margem muito menor para reagir.

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Luiz Henrique em campo pelo Zenit
Luiz Henrique em campo pelo Zenit (Foto: Divulgação/Zenit)

A imagem deixada no mercado

É aqui que as duas histórias se encontram. A ida de Boto à Argentina em busca de uma resposta por Almada, os diversos capítulos da negociação e, posteriormente, a exposição dos bastidores envolvendo Luiz Henrique fizeram o Flamengo aparecer durante semanas como um clube muito interessado em determinados jogadores, mas sem conseguir concluir as operações.

Para o mercado, isso pode criar uma imagem ruim. Não porque seja obrigatório ganhar toda disputa. Mas por que um clube do tamanho do Flamengo precisa transmitir a sensação de que possui alternativas quando uma negociação não avança.

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Enquanto o Rubro-Negro esperava pelo desfecho de Almada e depois acelerava por Luiz Henrique, outros clubes aproveitaram o período para se movimentar. O Flamengo escolheu esperar o fim da Copa para abrir determinadas negociações, justamente porque os dois principais alvos estavam envolvidos no torneio. A estratégia tinha lógica.

O problema foi o que aconteceu depois: o tempo passou, as duas apostas fracassaram e o clube chegou às oitavas da Libertadores sem conseguir inscrever nenhum reforço.

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Boto também fica mais exposto

A sequência aumentou a cobrança sobre José Boto. O diretor já havia se tornado uma das figuras centrais da novela Almada. Durante a intertemporada em Portugal, inclusive, ele criticou a forma como as informações sobre a negociação eram tratadas nas redes sociais:

"Uma característica que vejo no Brasil é que qualquer pessoa faz uma live e diz que o Almada vai para o River Plate. Depois, as pessoas acham que é verdade e ficam: 'Burro, não comprou o Almada'."

A declaração fazia sentido diante do excesso de informações e especulações que cercavam a negociação. Mas, posteriormente, o Flamengo de fato perdeu Almada para o River Plate. Depois, também não conseguiu concluir a operação por Luiz Henrique.

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Isso faz com que a cobrança sobre o dirigente seja inevitável, especialmente porque a exposição pública foi grande e o resultado esportivo das duas negociações foi nenhum.

O Flamengo acertou ao não estourar o orçamento

Seria injusto ignorar o outro lado. O Flamengo não deveria pagar qualquer preço apenas para evitar a frustração da torcida. No caso de Luiz Henrique, a operação poderia chegar a 35 milhões de euros, entre valores fixos e bônus. A diretoria entendeu que estava acima do limite e não autorizou o negócio nesses termos.

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Essa postura é saudável em um futebol brasileiro no qual clubes frequentemente assumem compromissos incompatíveis com sua realidade financeira e depois enfrentam problemas como transfer bans. O Flamengo não pode transformar a necessidade de contratar em licença para gastar sem controle.

A questão é outra: responsabilidade financeira precisa estar acompanhada de planejamento. Não aceitar € 35 milhões por Luiz Henrique pode ser uma decisão correta. Chegar ao fim de uma negociação dessa magnitude sem uma alternativa à altura é o ponto que merece questionamento, principalmente pela expectativa gerada no torcedor.

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O discurso da força econômica aumenta a cobrança

Existe ainda um componente político e de expectativa. No fim do ano passado, Bap afirmou que o Flamengo poderia investir até R$ 1 bilhão para recompor o equilíbrio de forças e transformar o clube em um "monstro das Américas" do ponto de vista econômico.

É uma declaração que naturalmente cria expectativa. Por isso, quando o torcedor vê Almada escolher o River Plate e Luiz Henrique se afastar por questões financeiras, a frustração não está apenas relacionada aos jogadores.

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Existe uma diferença entre a imagem de potência econômica projetada pelo Flamengo e a capacidade de transformar essa força em contratações no mercado.

Flamengo ainda tem tempo para buscar reforços

O cenário não é definitivo. A janela permanece aberta até 11 de setembro, e o Flamengo pode buscar alternativas nas próximas semanas. O clube ainda tem condições de corrigir o planejamento e atender às necessidades apontadas por Jardim. Mas a sequência de Almada e Luiz Henrique deixa uma lição importante.

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O Flamengo não errou necessariamente por não pagar mais. Errou, na avaliação deste cenário, ao permitir que duas negociações complexas ocupassem espaço demais dentro de uma janela em que precisava reforçar o elenco.

Para acompanhar as notícias do Flamengo, acompanhe o Lance! Todas as informações e acontecimentos atualizados em tempo real.

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