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De ídolos a adversários: os personagens que mudaram de lado em Flamengo x Cruzeiro

Ídolos e protagonistas dos dois clubes agora medem forças na Libertadores

PorLucas BayerBelo Horizonte (MG)
11/08/2026 10:00

Oito anos depois de se enfrentarem nas oitavas de final da Libertadores, Flamengo e Cruzeiro voltam a cruzar caminhos na mesma fase da competição. O confronto, porém, carrega uma diferença importante em relação àquele de 2018: muitos dos personagens que ajudaram a construir a história recente dos dois clubes mudaram de lado, enquanto outros passaram pelos dois caminhos e agora observam a rivalidade de uma perspectiva diferente.

Entre jogadores e treinadores, há uma espécie de ponte construída entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte nos últimos anos. Arrascaeta e Everton Ribeiro fizeram o caminho do Cruzeiro para o Flamengo e se tornaram protagonistas de uma das eras mais vitoriosas da história rubro-negra. Gabigol e Gerson percorreram a rota inversa e hoje o segundo faz parte do projeto do clube mineiro, enquanto o atacante teve uma passagem frustrante. Fabrício Bruno também deixou o Rubro-Negro para retornar à Raposa, enquanto Tite passou pelos dois clubes em momentos completamente distintos.

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Para o confronto desta quarta-feira, há personagens dos dois lados que conhecem intimamente o adversário.

Arrascaeta, o principal símbolo da ponte RJ-BH

Poucos representam essa ligação melhor do que Arrascaeta. O uruguaio chegou ao Cruzeiro em 2015 e rapidamente se tornou um dos principais jogadores da equipe. Foi campeão da Copa do Brasil pelo clube mineiro antes de trocar Belo Horizonte pelo Rio de Janeiro.

Cruzeiro x Flamengo em 2018
Arrascaeta comemora gol do Cruzeiro contra o Flamengo (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

No Flamengo, sua história ganhou outra dimensão. Arrascaeta se transformou em um dos maiores ídolos da geração vencedora do clube e foi protagonista de títulos como a Libertadores de 2019, 2022 e 2025, além de outras conquistas nacionais e internacionais.

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A mudança de camisa também alterou o significado do confronto. Em 2018, Arrascaeta estava do lado que eliminou o Flamengo nas oitavas da Libertadores, marcando, inclusive, um dos gols. Agora, é um dos principais símbolos rubro-negros diante do antigo clube.

É uma inversão que ajuda a explicar como a rivalidade mudou ao longo dos últimos anos: o jogador que um dia foi uma das referências do Cruzeiro passou a ser justamente uma das figuras que o clube mineiro precisa enfrentar para continuar vivo na competição.

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Arrascaeta, do Flamengo, com taça da Libertadores de 2022 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Arrascaeta, do Flamengo, com taça da Libertadores de 2022 (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Everton Ribeiro fez o mesmo caminho

A história de Everton Ribeiro guarda algumas semelhanças. Antes de se tornar capitão e referência técnica do Flamengo, o meia foi um dos grandes nomes do Cruzeiro bicampeão brasileiro em 2013 e 2014.

No time carioca, ganhou ainda mais protagonismo. Foram anos de títulos, liderança e participação em uma geração que recolocou o clube entre os grandes protagonistas do futebol sul-americano.

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Arrascaeta e Everton Ribeiro, portanto, representam um movimento importante dessa história: jogadores que ajudaram o Cruzeiro a vencer e depois foram fundamentais para o Flamengo construir uma era ainda mais vitoriosa.

Everton Ribeiro e Arrascaeta durante o empate entre Flamengo e Palmeiras
Everton Ribeiro e Arrascaeta durante jogo no Maracanã (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Gabigol e a inversão do caminho

Se Arrascaeta e Everton Ribeiro representam a ponte de Belo Horizonte para o Rio, Gabigol é um dos principais exemplos do movimento contrário.

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O atacante construiu no Flamengo uma das histórias mais marcantes do futebol brasileiro recente. Virou ídolo, decidiu finais, marcou gols em Libertadores e passou a ser associado diretamente aos títulos conquistados pelo clube a partir de 2019.

Gabigol com as taças que conquistou no Flamengo
Gabigol com as taças que conquistou no Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

A chegada ao Cruzeiro mudou o contexto. Pela primeira vez, Gabigol passou a enfrentar o clube onde construiu sua maior identificação profissional vestindo outra camisa. A sua passagem pela Reposa, entretanto, deixou a desejar. Atualmente, o camisa 9 defende as cores do Santos.

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Gerson: uma história mais recente e ainda aberta

Gerson representa uma situação diferente. O meia teve uma primeira passagem de grande destaque pelo Flamengo, saiu para o Olympique de Marseille, retornou ao clube e novamente ganhou protagonismo antes de se transferir para o Zenit.

A passagem pela Rússia, entretanto, durou menos do que o esperado. No início de 2026, o Cruzeiro investiu pesado para contratar o jogador, pagando 27 milhões de euros (cerca de R$ 169 milhões) ao Zenit, além de bônus previstos em contrato. Gerson chegou como um dos grandes reforços do projeto celeste.

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A transferência criou um reencontro particularmente recente. Gerson passou de protagonista do Flamengo a peça importante do Cruzeiro em pouco tempo. Entretanto, carrega consigo, pelo menos neste momento, uma relação de rusgas com a torcida rubro-negra pelo contexto que foi a sua saída.

Gerson com seu pai durante apresentação no Cruzeiro
Gerson na apresentação no Cruzeiro (Foto: Eduardo Statuti/Lance!)

Fabrício Bruno: sem o peso de um ídolo, mas com conhecimento dos dois lados

Fabrício Bruno ocupa outro espaço nessa história. Não teve no Flamengo o mesmo status de Arrascaeta, Everton Ribeiro ou Gabigol, mas foi um jogador importante durante sua passagem pelo clube.

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O zagueiro chegou ao Rio em 2022 e disputou 150 partidas, participando das conquistas da Libertadores daquele ano e das Copas do Brasil de 2022 e 2024, além do Campeonato Carioca de 2024. Em janeiro de 2025, foi negociado com o Cruzeiro.

No clube mineiro, Fabrício Bruno reencontra um ambiente que conhece e, ao mesmo tempo, enfrenta um adversário sobre o qual possui informações privilegiadas de dentro do vestiário.

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Sua história ajuda a mostrar que essa ponte entre Flamengo e Cruzeiro não foi formada apenas por grandes ídolos. Também passou por jogadores importantes que tiveram papéis diferentes nos dois projetos.

Tite teve passagem pelos dois lados, mas deixou marcas diferentes

Entre os treinadores, Tite também atravessou essa rivalidade. No Flamengo, chegou cercado pela expectativa de um técnico campeão e com experiência pela Seleção Brasileira. A passagem, entretanto, terminou sem repetir o sucesso que marcou outros momentos da carreira.

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No Cruzeiro, a história foi ainda mais curta. Tite comandou a equipe no início de 2026, conquistou o Campeonato Mineiro, mas não conseguiu sustentar o trabalho no início do Brasileirão. Foi demitido em março, após apenas alguns meses no cargo.

É um contraste curioso: Tite passou pelos dois clubes, mas sem conseguir deixar em nenhum deles uma marca comparável à de outros momentos da carreira.

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Tite durante partida do Cruzeiro
Tite durante partida do Cruzeiro (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Leonardo Jardim representa o presente

Se Tite ajuda a contar o passado recente, Leonardo Jardim representa o presente do Flamengo. O português chegou ao clube depois de uma trajetória marcada por trabalhos importantes na Europa e encontrou um elenco formado, em parte, por jogadores que conhecem muito bem o adversário.

Entretanto, viverá nesta quarta-feira mais uma noite cercada de provocações, por conta da forma como deixou o Cruzeiro. No duelo entre as equipes pelo primeiro turno do Brasileirão, no Maracanã, o treinador teve o rosto estampado em notas falsas distribuídas por torcedores na porta do estádio. Diante desse histórico, a expectativa é de que o clima no Mineirão seja ainda mais tenso.

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Oito anos depois, a rivalidade ganhou novos personagens

O Flamengo x Cruzeiro de 2026, portanto, é muito diferente daquele de 2018. Naquela época, o Cruzeiro eliminou o Flamengo e avançou às quartas de final. Agora, os dois clubes chegam ao reencontro com outros elencos, outros treinadores e, principalmente, outras histórias.

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