Com outra postura, Flamengo dá resposta no Maracanã antes do jogo mais importante do ano
Após período de treinos, time mostra evolução e chega fortalecido para enfrentar o Cruzeiro

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O Flamengo precisava dar uma resposta. Não necessariamente pelo resultado, mas pelo desempenho. Depois da eliminação para o próprio Vitória na Copa do Brasil e de uma sequência que vinha deixando dúvidas sobre o rendimento da equipe, o período livre para treinos ganhou um peso ainda maior. Leonardo Jardim teve tempo para trabalhar, corrigir problemas e, principalmente, tentar devolver intensidade a um time que vinha sendo cobrado justamente por isso. E a resposta apareceu neste domingo (9) no Maracanã.
Diante de mais de 50 mil torcedores, o Flamengo bateu o Vitória por 2 a 0 e apresentou uma atuação que permite ao torcedor olhar para a quarta-feira com um pouco mais de esperança. O adversário será o Cruzeiro, no jogo mais importante da temporada até aqui, na Libertadores, e o Rubro-Negro chega para a decisão com sinais claros de evolução.

O contexto que Jardim considera importante
Leonardo Jardim fez questão de ressaltar, após a partida, que o período de treinamentos foi fundamental para começar a recuperar jogadores e dar ao elenco uma sequência de trabalho que não havia sido possível anteriormente. Para o treinador, o Flamengo passou praticamente dois meses sem contar com todo o grupo à disposição (por conta dos convocados).
— Quem tem noção do treino desportivo percebe que tivemos dois meses sem ter todos a treinar juntos. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha que colocar os jogadores. Ninguém, só com treinos, vai ganhar forma. Hoje, o Arrascaeta conseguiu fazer 60 minutos muito bons, com intensidade, porque teve que começar numa fase menos boa e agora está numa melhor. Agora, o Léo (Pereira) está melhor porque foi lançado anteriormente. Todos que vieram da Copa e estiveram lesionados vão ter um percurso, mas têm que jogar. Hoje tive oportunidade de ter o Paquetá um pouco. O Paquetá não está no seu melhor ainda, esteve lesionado, mas tem que ser lançado — iniciou o treinador.

— Não é fácil trabalhar num clube que, durante dois meses, não está com seu elenco. Alguns lesionados, outros de férias ou com a seleção. Nestes dez dias trabalhamos mais juntos do que nos últimos dois meses. Os torcedores não querem saber disso, mas o que me preocupa às vezes não são os torcedores, porque eles não percebem a questão esportiva. O que me preocupa são aqueles que percebem a questão desportiva e acham que é tudo igual, que, se treinarem, está tudo certo, e que, se não treinarem, está tudo igual — completou Jardim.
A declaração ajuda a explicar algumas das mudanças apresentadas pelo Flamengo no Maracanã. Além de recuperar jogadores fisicamente, Jardim teve a oportunidade de trabalhar mecanismos coletivos com uma quantidade maior de atletas à disposição.
Intensidade, pressão e mais coragem para finalizar
Um dos principais pontos de cobrança de Jardim nas últimas semanas era a intensidade. O treinador já havia deixado claro que a equipe precisava ser mais agressiva em determinados momentos, tanto para pressionar o adversário quanto para acelerar a própria construção das jogadas. Contra o Vitória, isso apareceu desde o início.
O Flamengo teve uma postura muito mais agressiva, recuperou a bola mais à frente e conseguiu empurrar o adversário para trás. Pulgar, Arrascaeta e Léo Pereira foram alguns dos nomes que simbolizaram essa mudança de comportamento. O chileno, inclusive, além de participar ativamente do jogo, abriu o placar com um golaço de fora da área. E esse é outro detalhe importante.
O Flamengo voltou a arriscar de longe. Algo que havia feito falta em partidas anteriores. Os dois gols da noite nasceram justamente de finalizações de fora da área: Pulgar no primeiro tempo e Bruno Henrique, já na etapa final.

Isso não significa que o time abandonou a característica de trabalhar a bola. Pelo contrário. O Flamengo continuou buscando construir as jogadas, movimentar o ataque e encontrar espaços. A diferença esteve também na disposição para tentar outras alternativas quando a defesa adversária fechava os caminhos.
É uma mudança simples, mas importante. Um time que finaliza mais, que pressiona mais e que não depende exclusivamente de uma única maneira de atacar se torna mais difícil de controlar.
Os reforços que já estavam no elenco
Se o Flamengo não conseguiu contratar Almada ou Luiz Henrique para reforçar o elenco, a resposta possível precisava vir de dentro. E ela começou a aparecer. Lucas Paquetá voltou a entrar em campo pelo Flamengo, desde a lesão na Copa, e confirmou, em poucos minutos, que pode ser uma peça fundamental para o restante da temporada. Leve, participativo e com qualidade para encontrar passes diferentes, o meia deu sinais de que está cada vez mais próximo da condição ideal. Gonzalo Plata também voltou a ganhar minutos e representa outra alternativa importante para Jardim.
Mas talvez a recuperação mais significativa para o momento da temporada esteja na defesa. Léo Ortiz voltou a ser titular ao lado de Léo Pereira. O zagueiro já havia retornado contra o Internacional, mas aproveitou o período de treinamentos para aprimorar a condição física e, contra o Vitória, iniciou a partida. E a dupla, mais uma vez, funcionou.
Léo Ortiz e Léo Pereira: uma dupla que muda o Flamengo
Léo Pereira fez uma partidaça no Maracanã. Foi seguro defensivamente, participou da construção e ainda quase marcou um golaço em uma finalização de fora da área. Ao lado de Léo Ortiz, voltou a formar uma dupla que oferece ao Flamengo algo que vinha fazendo falta: segurança e entrosamento no setor defensivo.
O reflexo aparece também no restante da equipe. Com os dois zagueiros em campo, o time consegue sustentar uma linha mais alta, pressionar com mais confiança e ter maior segurança para atacar. Contra o Vitória, Rossi praticamente não foi exigido. Isso não acontece por acaso. E ter essa dupla em boas condições físicas pode ser determinante justamente na quarta-feira.
O Cruzeiro possui jogadores capazes de decidir partidas, como Kaio Jorge e Matheus Pereira. É um time que exige concentração, proteção defensiva e capacidade de controlar os espaços. Ter Léo Ortiz e Léo Pereira disponíveis, portanto, é mais do que uma boa notícia: é uma necessidade.
O Flamengo chega diferente para a decisão
O resultado contra o Vitória não apaga os problemas que o Flamengo apresentou anteriormente. Nem transforma automaticamente a equipe em favorita contra o Cruzeiro. Mas muda o cenário.
O Flamengo teve tempo para treinar e utilizou esse período para trabalhar justamente algumas das questões que mais incomodavam. Neste domingo, apresentou intensidade, pressionou mais, finalizou de fora da área, recuperou jogadores e voltou a contar com uma dupla de zaga que aumenta a segurança da equipe. Tudo isso diante de um adversário que, meses atrás, havia sido responsável por uma das eliminações mais dolorosas do clube.
A resposta que a torcida queria não veio por meio de uma contratação. Não veio de Almada, nem de Luiz Henrique. Veio do campo.
E talvez seja exatamente essa a mensagem mais importante deixada pelo jogo deste domingo: o Flamengo tem margem para evoluir porque algumas das soluções estavam dentro do próprio elenco.
Agora, porém, o nível de exigência muda completamente. Quarta-feira não será um teste. Será decisão.
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