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A foto é melhor que o vídeo: a 'segundo-tempite' que preocupa o Flamengo

Vitória por 3 a 0 contra o Botafogo não esconde nova queda de rendimento na segunda etapa

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
31/08/2026 06:00

O placar de 3 a 0 no clássico com o Botafogo, neste domingo (30), mostra uma grande vitória do Flamengo. É uma fotografia perfeita para quem olha apenas o resultado. O vídeo, porém, conta uma história mais complexa. Ao analisar os 90 minutos, aparece novamente um problema que tem acompanhado o time de Leonardo Jardim: um primeiro tempo dominante, seguido por uma queda brusca de rendimento logo após o intervalo. O Rubro-Negro constrói vantagem, mas volta para a segunda etapa mais lento, perde o controle da partida e permite que o adversário cresça.

Foi assim diante do Botafogo e já havia acontecido nos dois confrontos recentes com o Cruzeiro, pela Libertadores e pelo Brasileirão. A vitória por 3 a 0, portanto, não pode esconder um comportamento que começa a se repetir. O Flamengo sofre com a "segundo-tempite".

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O Flamengo muda depois do intervalo

Os números do clássico ajudam a mostrar a diferença entre os dois tempos. No primeiro, o Flamengo finalizou 12 vezes, contra apenas quatro do Botafogo. O domínio se traduziu em volume, pressão e controle territorial. Depois do intervalo, o cenário mudou.

O Botafogo passou a finalizar dez vezes, enquanto o Flamengo teve apenas seis chutes. A equipe que havia criado 12 oportunidades em uma etapa passou a criar metade disso na outra, enquanto o rival aumentou seu volume de quatro para dez finalizações.

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Não significa que o Flamengo tenha perdido o jogo. Pelo contrário: venceu por 3 a 0. Mas o recorte mostra que o controle apresentado antes do intervalo não foi sustentado durante os 90 minutos. E esse é o ponto que merece atenção.

O problema não aparece apenas quando o time está atrás no placar. Ele também surge quando a equipe está vencendo e tem a possibilidade de controlar o adversário a partir da vantagem construída.

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O preciosismo também entra na conta

Antes da queda no segundo tempo, existe outro problema: a dificuldade para transformar o domínio em uma vantagem maior. O Flamengo faz um primeiro tempo forte, cria chances, mas nem sempre converte o volume em gols. Contra o Botafogo, conseguiu construir um placar confortável, mas a questão permanece porque esse comportamento já havia aparecido em outros jogos.

Leonardo Jardim, técnico do time rubro-negro, reconheceu a relação entre eficácia e a reação dos adversários.

— Às vezes estamos em um jogo em que amassamos o adversário e eles reagem na segunda parte, mas, se entrasse uma ou duas bolas, eles não iriam reagir — disse Jardim.

Leonardo Jardim em Cruzeiro x Flamengo
Leonardo Jardim durante partida do Flamengo (Foto: Fernando Moreno/AGIF/Folhapress)

A lógica apresentada pelo treinador é simples: quanto maior a vantagem, menor a possibilidade de o adversário se sentir confortável para reagir. Por isso, o desperdício de oportunidades no primeiro tempo pode tornar ainda mais perigosa a queda após o intervalo.

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Jardim também citou o desgaste e a necessidade de utilizar os jogadores que estão no banco, mas colocou a eficácia como um fator determinante para mudar o comportamento do adversário.

— Se a gente tiver um pouco mais de eficácia, mais um golzinho só, o adversário já tem outra postura porque vão ter que arriscar mais, e hoje a gente viu isso — afirmou.

Não parece ser apenas uma questão física

O próprio Jardim ajuda a afastar uma explicação simplista para o problema. O Flamengo continua apresentando desempenho físico ao longo das partidas, e o treinador também conta com jogadores no banco para promover alterações. Por isso, a queda observada depois do intervalo não parece estar ligada exclusivamente à capacidade física de sustentar a intensidade. O que chama atenção é a mudança de comportamento.

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O Flamengo do primeiro tempo joga de uma maneira. O Flamengo, que retorna do vestiário, principalmente nos minutos iniciais, apresenta outra postura.

A equipe fica mais lenta, permite que o adversário tenha a bola, perde capacidade de pressão e passa a defender mais perto da própria área. A distância entre os dois momentos é grande demais para ser ignorada, ainda mais para uma equipe tão qualificada.

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Uma questão de concentração?

Se a explicação física não parece suficiente, a queda pode indicar um componente mental. Concentração, leitura do momento da partida e capacidade de manter a mesma intensidade competitiva entram nessa equação. O Flamengo parece, em alguns momentos, relaxar depois de construir uma vantagem ou simplesmente não conseguir retornar do intervalo com a mesma energia apresentada anteriormente.

É uma hipótese que os próprios números ajudam a sustentar, ainda que não seja possível resumir o problema a um único fator. Contra o Cruzeiro, esse comportamento apareceu de maneira ainda mais evidente. No clássico deste domingo, voltou a aparecer.

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A 'segundo-tempite' vira um alerta

A expressão pode até parecer informal, mas traduz bem o que vem acontecendo: o Flamengo tem sofrido com uma espécie de "segundo-tempite", conforme classificou o influenciador "Carter".

Não é um problema de um jogo específico. A queda já havia aparecido nos confrontos contra o Cruzeiro e voltou a ser perceptível diante do Botafogo. O roteiro se repete: primeiro tempo forte, domínio, criação de oportunidades e superioridade; depois do intervalo, queda de intensidade, menos produção ofensiva e maior espaço para o adversário.

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O placar de 3 a 0 impede que essa queda tenha custado pontos contra o Botafogo. Mas o futebol não é apenas uma fotografia. O vídeo mostra os momentos de domínio e também os momentos de vulnerabilidade. E, neste momento, o Flamengo precisa olhar para os dois.

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