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Memphis Depay: os bastidores de uma preparação física individualizada

No Dia do Profissional de Educação Física, Diego Pereira revela bastidores da preparação do camisa 10 e os desafios da profissão no futebol de alto rendimento

PorGuilherme LesnokSão Paulo (SP)
01/09/2026 14:36
Atualizado há 0 minutos
Memphis e Diego Pereira durante trabalho no Corinthians
Diego Pereira e Memphis Depay trabalharam juntos no Corinthians em 2024 e 2025 (Foto: Reprodução/Instagram)

Memphis Depay foi um dos jogadores que vivenciou, no Corinthians, a importância do trabalho individualizado na preparação física. O atacante havia ficado dois meses sem atuar após sofrer uma lesão de grau dois na semifinal da Eurocopa de 2024, contra a Inglaterra, e iniciou um trabalho progressivo com o preparador físico Diego Pereira.

Nesta terça-feira (1º), Dia do Profissional de Educação Física no Brasil, Diego Pereira falou com exclusividade ao Lance! sobre os bastidores do trabalho com Memphis e os desafios da preparação física no futebol profissional. Ao longo de 21 anos de carreira, o profissional passou por clubes como Nova Iguaçu, Vasco, Duque de Caxias, Flamengo Sub-20, Qatar Sports Club, Internacional e Corinthians, justamente o local onde conheceu Memphis Depay e iniciou um trabalho individualizado com o atacante.

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Bastidores do trabalho com Memphis Depay

A experiência no Corinthians também proporcionou a Diego Pereira o contato com Memphis Depay. O atacante havia ficado dois meses sem atuar após sofrer uma lesão de grau dois na semifinal da Eurocopa de 2024, contra a Inglaterra. O trabalho, então, foi desenvolvido de forma progressiva, com atenção aos desequilíbrios musculares e ao controle da minutagem.

— Tive o prazer de trabalhar com o Memphis na minha passagem no Corinthians em 2024-2025, em que ele vinha de dois meses sem atuar. A última atuação dele tinha sido na semifinal contra a Inglaterra pela Eurocopa. E, vindo de uma lesão de grau dois nessa semifinal, em que eles perderam para a Inglaterra, tive que fazer um trabalho progressivo, um trabalho individualizado para minimizar os desequilíbrios de força muscular, em que a gente conseguiu alcançar esse equilíbrio e, progressivamente, liberá-lo para uma minutagem controlada e ganhando confiança, potencializando o que ele tem de melhor. E, sem dúvida nenhuma, essa parceria começou já desde 2024, em que eu consegui atingir o melhor da forma física dele, acredito eu, desde que ele chegou no Brasil, e talvez tenha sido esse fato pelo qual ele me convidou após a Copa do Mundo para iniciar um trabalho individualizado com ele — detalhou.

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O preparador físico também destacou o momento vivido por Memphis Depay no Corinthians, ressaltando a evolução do atacante nos aspectos físico, técnico e mental. Segundo o profissional, além do alto nível apresentado dentro de campo, a mentalidade vencedora é um dos principais diferenciais do jogador.

— O Memphis é um atleta de altíssimo nível, é um atleta de nível mundial que eu acredito que ele esteja talvez no melhor momento da carreira dele, não somente física, mas técnica também e mentalmente. Então, acho que talvez o grande diferencial do Memphis, além da parte física, seja a mentalidade vencedora muito acima da média — concluiu.

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O trabalho do preparador físico no futebol profissional passou por grandes transformações nas últimas décadas. Com o avanço da tecnologia, acesso a informações e a evolução dos métodos de controle de carga, a preparação deixou de ser pensada apenas de maneira coletiva e passou a considerar cada vez mais as características individuais dos atletas.

Neste 1º de setembro, data em que é celebrado o Dia do Profissional de Educação Física no Brasil, o preparador físico Diego Pereira falou sobre os desafios da profissão, a importância da comunicação entre clubes e profissionais externos, o uso da tecnologia e a necessidade de conhecer os hábitos dos jogadores.

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Formado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Ciência da Nutrição pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Diego Pereira é especialista em Força e Condicionamento pela ISSA. O profissional também possui UEFA A License, AFC A License, certificação EXOS Performance Coach e formação em Gestão de Carga de Trabalho no Futebol pelo Barcelona Innovation Hub.

Individualização é um dos principais desafios

Na avaliação de Diego Pereira, conseguir adaptar o treinamento às necessidades de cada jogador é um dos maiores desafios da preparação física no futebol atual.

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— Bom, acredito que o principal desafio do preparador físico hoje é tentar individualizar cada vez mais os trabalhos para atender às necessidades individuais de cada atleta. Logicamente, quando você tem um atleta só, fica muito mais fácil, mas o meu foco sempre, como preparador físico nos clubes em que eu trabalhei, sempre foi buscar a individualidade, sempre foi buscar minimizar as assimetrias, reduzir os riscos de lesões — apontou.

O profissional aponta a redução das assimetrias e dos riscos de lesão como objetivos centrais de seu trabalho ao longo da carreira.

— Talvez esse tenha sido o meu grande diferencial até hoje nos meus trabalhos. A gente tem quase zero níveis de lesões por onde passei, tanto no mundo árabe, no Al Hilal, no Vasco, no Corinthians, Internacional. Sempre tivemos índices muito baixos de lesão justamente porque eu sempre busquei individualizar o máximo o treinamento e, consequentemente, trabalhar com um atleta só fica muito mais fácil se apegar aos detalhes, aos pequenos detalhes que eu acredito que fazem a grande diferença — finalizou.

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Tecnologia mudou preparação física

Com passagens por diferentes escolas do futebol internacional, Diego Pereira também acompanhou de perto mudanças na preparação física. O profissional trabalhou com comissões técnicas argentinas, uruguaias, espanholas, portuguesas e holandesas, além dos dez anos de experiência no mundo árabe.

Para ele, apesar das diferentes metodologias, a principal transformação da profissão aconteceu com o avanço da tecnologia e dos instrumentos capazes de avaliar e controlar a carga de treinamento.

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— Eu tive a oportunidade de trabalhar com comissão técnica argentina, uruguaia, espanhola, portuguesa, holandesa. Foram 10 anos no mundo árabe e eu tive, sem dúvida nenhuma, escolas diferentes de preparação física, que mudam completamente a forma de trabalhar. E eu acho que a principal forma do preparador físico é se adaptar ao trabalho do treinador — apontou.

— Mas acredito que a maior evolução dentro da preparação física foi a tecnologia, os instrumentos de avaliação, os instrumentos de controle de carga, que hoje eu acredito que é o grande diferencial para um bom preparador físico: é saber manipular bem o controle de carga, saber utilizar e te dar o feedback para que o atleta possa esticar a corda ao máximo sem que ela arrebente. Acho que esse é o grande diferencial: o preparador físico que sabe fazer a leitura correta dos dados do GPS — explicou.

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Diego também avalia que a maior circulação de informações, especialmente por meio das redes sociais, contribuiu para ampliar o interesse da população por hábitos mais saudáveis. Na visão do preparador, esse movimento também alcança os atletas e influencia a busca por uma melhor qualidade de vida.

— A rede social, a disseminação e a facilitação da informação mostram para a população geral, muito mais do que os atletas, a questão da qualidade de vida. Então, hoje, a informação chega de forma muito mais simples e muito mais direta para diferentes públicos, e eu não tenho dúvida alguma de que isso influencia nessa necessidade e nessa busca constante do aumento da qualidade de vida — comentou.

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Comunicação entre profissionais é fundamental

Para Diego, a preparação física moderna exige uma integração cada vez maior entre os profissionais que trabalham diretamente nos clubes e aqueles que acompanham os atletas de maneira individual. Segundo ele, essa troca de informações é determinante para evitar sobrecargas e melhorar o rendimento.

— Ao longo dos meus 21 anos de profissão, acredito que, nos últimos 10 anos, essa busca por trabalhos individualizados vem crescendo demais com os atletas. E eu sempre prezo, como primeiro preparador físico, tentar buscar sempre esses profissionais para tentar disponibilizar o máximo de informações possíveis para o atleta, para tentar individualizar e evitar qualquer tipo de sobrecarga. Eu acho que essa comunicação com o clube e o profissional fora do clube se torna essencial para a qualificação e a otimização dos resultados para esse atleta — disse em exclusividade ao Lance!.

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Além dos dados obtidos por meio de equipamentos e avaliações, Diego considera fundamental conhecer a rotina dos jogadores. Hábitos alimentares e, principalmente, a qualidade do sono podem interferir diretamente na maneira como uma atividade planejada deve ser executada.

— Quando você já conhece o atleta, você está um passo à frente. Você conhece os hábitos alimentares, você começa já a identificar até em relação à qualidade do sono. Então, muitas vezes, você planeja uma coisa e, dependendo da quantidade e da qualidade do sono, você consegue recriar uma estratégia ou adaptar um treino que foi planejado. Então, sem dúvida alguma, quanto mais detalhe e riqueza de informação você tem, mais qualificado fica o trabalho, mais qualificado fica o treinamento e, sem dúvida nenhuma, os resultados são muito melhores — comentou.

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Diego Pereira com taça de campeão
Diego Pereira durante trabalho como preparador físico do Corinthians (Foto: Reprodução/Instagram)

Individualização é um dos principais desafios

Na avaliação de Diego Pereira, conseguir adaptar o treinamento às necessidades de cada jogador é um dos maiores desafios da preparação física no futebol atual.

— Bom, acredito que o principal desafio do preparador físico hoje é tentar individualizar cada vez mais os trabalhos para atender às necessidades individuais de cada atleta. Logicamente, quando você tem um atleta só, fica muito mais fácil, mas o meu foco sempre, como preparador físico nos clubes em que eu trabalhei, sempre foi buscar a individualidade, sempre foi buscar minimizar as assimetrias, reduzir os riscos de lesões — apontou.

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O profissional aponta a redução das assimetrias e dos riscos de lesão como objetivos centrais de seu trabalho ao longo da carreira.

— Talvez esse tenha sido o meu grande diferencial até hoje nos meus trabalhos. A gente tem quase zero níveis de lesões por onde passei, tanto no mundo árabe, no Al Hilal, no Vasco, no Corinthians, Internacional. Sempre tivemos índices muito baixos de lesão justamente porque eu sempre busquei individualizar o máximo o treinamento e, consequentemente, trabalhar com um atleta só fica muito mais fácil se apegar aos detalhes, aos pequenos detalhes que eu acredito que fazem a grande diferença — finalizou.

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