Danilo defende técnicos, cita Diniz e celebra boa fase: 'Memorável'
Ídolo do Corinthians, treinador do Uberlândia conquistou dois títulos em 2026

Ídolo do Corinthians e atual técnico do Uberlândia, Danilo vive um grande momento na carreira. Com dois títulos conquistados em 2026, o ex-meio-campista comemorou a fase como treinador e também saiu em defesa dos técnicos que costumam ser responsabilizados pelos momentos ruins das equipes.
Danilo iniciou a carreira como treinador em 2021. No Corinthians, comandou o Sub-23, depois assumiu o Sub-20 e também integrou a comissão técnica da equipe profissional como auxiliar. À frente do Sub-20, disputou 128 partidas, com 74 vitórias, 26 empates e 28 derrotas. Nesse período, sua equipe marcou 247 gols e sofreu 112, além de conquistar a Copinha em 2024.
Após deixar o Corinthians, Danilo assumiu o Pouso Alegre, onde conquistou o Campeonato Mineiro do Interior. Na sequência, chegou ao Uberlândia e levantou o troféu da Série D do Campeonato Brasileiro, consolidando a sequência positiva em sua trajetória como treinador.
— Um ano memorável para mim, para minha carreira, pelo meu momento. Eu saí do sub-20 do Corinthians, fiquei um ano e pouco esperando a oportunidade de outro clube. Tive algumas coisas, mas acabei não indo. Esperamos uma coisa mais organizada e apareceu o Uberlândia. Acho que apareceu no momento bom da minha vida, na hora certa. Então, esse ano, para mim, foi um trabalho muito bom e aqui agora uma conquista dessa. Então, um ano que iniciou muito bem — disse Danilo em entrevista exclusiva ao Lance!.
Como técnico principal, Danilo soma 23 jogos, com 11 vitórias, cinco empates e sete derrotas, além de 32 gols marcados e 25 sofridos, para um aproveitamento de 55,1%. No Uberlândia, são 13 partidas, com sete vitórias, quatro empates e duas derrotas, 17 gols marcados e oito sofridos, com 73,7% de aproveitamento.

Veja abaixo a entrevista completa
LANCE!: Como você define sua forma de trabalhar? O que é inegociável para você como treinador?
DANILO: — Então, já fui jogador, tenho 20 anos de futebol, então eu tenho um bom parâmetro em termos disso aí, o que eu tenho que fazer, o que eu não posso abrir mão. Isso aí ajuda bastante. E não quer dizer nada que eu fui um jogador que eu vou ser um bom treinador. Acho que cada um está na sua fase, no seu lugar. E eu venho evoluindo cada vez mais nisso. Então, eu acho que eu peguei vários treinadores, copiei alguma coisa de um e de outro, que faz parte, tendo meu perfil. Mas eu acho que é a humildade, pés no chão. Isso aí a gente tem que ter no grupo e principalmente nos atletas, para que a gente possa chegar a algum lugar.
LANCE!: Sua experiência como jogador, com passagens por grandes clubes e títulos importantes, é um diferencial como treinador? Existem treinadores, por exemplo, que não jogaram futebol. Isso é diferente?
DANILO: — Não, acho que não. Acho que é igual, porque você falou bem aí: tem treinadores que não jogaram futebol e são grandes treinadores. Acho que cada um é no seu lugar. Lógico, algumas coisas acabam ajudando por eu ter jogado. Então, quer dizer, eu vivi o que meus atletas vão viver agora. Então, tem muitas coisas que a gente dá dica, dá exemplo, que no contexto geral vai ajudar bastante.
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LANCE!: Hoje existe uma exposição maior, com mídia, redes sociais e influência de empresários, familiares e assessores. Como você lida com essa pressão sobre os jogadores?
DANILO: — A mídia te joga para cima e para baixo do mesmo jeito. Então, tem que saber lidar com isso, mas faz parte. Acho que a fase é essa e a gente tem que passar por isso. Não só os atletas, mas também nós, treinadores, diretores. Isso é um contexto geral de todo mundo, que hoje em dia, igual citei, a mesma força que vai para cima vai para baixo também. Então, você tem que ter a cabeça boa e saber lidar com tudo isso.
LANCE!: O treinador consegue blindar os atletas desse tipo de pressão?
DANILO: — Você tenta falar, explicar o que pode acontecer, o que não pode. Isso aí, acho que a gente tem que estar sempre alerta nisso. Daqui a pouco você está com um jogador em um momento muito bom no time; daqui a pouco ele faz alguma coisa fora e você acaba perdendo aquele momento bom que ele tem. Isso aí é uma coisa que a gente conversa bastante no dia a dia, porque o futebol, se não tiver comprometimento, descanso fora do campo também, se ajudar, acho que na hora as coisas não vão andar. A gente procura estar sempre deixando isso na cabeça.

LANCE!: Dentro de campo, como você gosta de ver seus times jogarem? Você prioriza posse de bola, controle das ações ou um estilo mais reativo?
DANILO: — Não, isso aí tudo depende do atleta que você tem na mão. Não adianta eu querer com o meu time aqui, isso aí não vai funcionar com os atletas que vão fazer isso. Acho que eu olho muito o elenco, os jogadores que você tem na mão. Você joga mais adiantado, joga na média, joga mais baixo: tudo vai depender do que o atleta vai fazer. E isso você faz nos treinamentos. Você vê que não dá para marcar lá em cima, você vai jogar na média, na média. E, pô, está muito longe? Então vamos baixar e jogar reativo, no contra-ataque. Acho que isso aí depende muito. Não tem esquema marcado: "Vou jogar só e vai ter que ser assim". Não. Acho que a gente tem que entender o que o jogador vai te dar no momento.
LANCE!: O treinador deve adaptar o time à sua filosofia ou se adaptar às características do elenco e à filosofia do clube?
DANILO: — Acho que tem que juntar tudo isso aí e ver o que é melhor. Não adianta eu querer uma coisa, igual, se o jogador não vai fazer. E você falou bem: por exemplo, vamos dar o exemplo do Santos. É um time que tem que jogar lá na frente. Mas daqui a pouco você não tem um time para isso e você vai querer impor uma coisa dessa. O que vai acontecer? A chance de não ter resultado é muito grande. Acho que esse é o momento em que você analisa bem se dá para ficar lá, se não dá. Cada time tem uma filosofia. Vai depender dos atletas, se estão no momento de fazer isso, entendeu? Igual falei, eu tenho a cabeça, a mente aberta e tranquilo quanto a isso. Acho que depende muito do elenco, do que a gente vai querer para que as coisas possam dar certo.
LANCE!: Você tem uma história forte com São Paulo e Corinthians. Aceitaria trabalhar em algum clube rival do Corinthians?
DANILO: — Acho que sou o exemplo maior. Eu joguei no Goiás, joguei no Vila Nova, São Paulo, joguei no Corinthians. Então, respeito por todos. Não tem nada com nenhum clube. Acho que isso aí é importante, o respeito que eu tenho por todos. Acho que, para mim, não tem problema nenhum, porque tenho respeito por todos por onde eu passei. Mas a gente tem que ser profissional, profissionalismo acima de tudo.
LANCE!: Como você vê a presença de treinadores estrangeiros no futebol brasileiro e a disputa por espaço com os técnicos brasileiros?
DANILO: — Eu vejo de uma forma que o nosso brasileiro, às vezes, treina fora e também faz um grande trabalho lá. Acho que futebol é resultado. Acho que, independentemente de nacionalidade, ele chega e mostra trabalho. A gente tem um exemplo aí, o Abel Ferreira, que vem fazendo aí. Então, a gente tem que dar os parabéns para ele pelo trabalho que ele faz. Agora, se ele é português, é outro assunto. Se ele vier e não tiver um bom resultado, ele vai sair. Então, isso aí mostra que o nosso treinador brasileiro tem que fazer bons trabalhos também, bons trabalhos para superar. Acho que o mercado é imenso para todo mundo e cada um vai buscar esse espaço, independentemente.
LANCE!: O Fernando Diniz vive um momento de pressão no Corinthians. Como você vê a cobrança sobre os treinadores quando os resultados não aparecem?
DANILO: — A conta sempre vai sobrar. Mas vamos ver aqui: quando o time é campeão e ganha, você pode ver que o lucro é dos atletas; pouco se fala do treinador. E, quando perde, a culpa é só do treinador. Então, tem muitas coisas envolvidas. Acho que o futebol é desse jeito. Infelizmente, nós vivemos de resultado. Você pode estar em qualquer lugar em que você estiver hoje. Se não tiver resultado, você é mandado embora. Então, a gente já vai para o clube sabendo disso. Você precisa ganhar, precisa vencer, para que você possa continuar. É um exemplo do Diniz aí: chegou muito bem, naquele momento estava bom. Aí agora passa por um momento ruim e a pressão cai toda em cima dele. Mas o futebol já vem desse jeito há muito tempo. Ganhou, pouco se fala; perdeu, a culpa é do treinador.
LANCE!: Você considera injustas as críticas que Diniz vem sofrendo pela sequência de derrotas?
DANILO: — Não, não digo injusto. Mas o futebol aqui no Brasil é assim, é resultado. Se você não tiver resultado, vai ser cobrado, e a culpa maior cai sempre em cima do treinador. Então, não é só no Corinthians. Todos os clubes no Brasil são assim.
LANCE!: Você já renovou com o Uberlândia. Quais são seus planos para o fim do ano e para a próxima temporada?
DANILO: — Eu já renovei meu contrato aqui. Mais uma temporada, para o ano que vem. Ano que vem tem um calendário cheio, tem o Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e a Série C. Então, a gente acabou renovando, ficando por aqui. E espero que seja um ano igual foi esse na minha carreira, o ano que vem.

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