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Análise: Seedorf terá missão além do campo com Corinthians em ebulição

Treinador neerlandês chega em meio a uma crise interna, com atrasos salariais, insatisfação dos jogadores e problemas na diretoria

PorGuilherme Lesnok•São Paulo (SP)
12/10/2026 04:00
Memphis e Carrillo no clássico
Elenco do Corinthians enfrenta momento de crise em meio à chegada de Clarence Seedorf (Foto: Marco Galvão /Fotoarena/Folhapress)

O técnico Clarence Seedorf chegará ao Corinthians em um dos momentos mais delicados da temporada. Além dos resultados negativos dentro de campo, o neerlandês encontrará um elenco que enfrenta problemas internos, desgaste na relação com a diretoria e queda de rendimento de jogadores importantes. O cenário ficou ainda mais evidente após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, neste domingo (11), no Nubank Parque, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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A goleada no clássico expôs as dificuldades técnicas e coletivas da equipe, mas também revelou problemas que vão além das quatro linhas. O novo treinador terá como principais desafios recuperar a confiança dos atletas, fortalecer o ambiente interno e encontrar soluções para recolocar o Corinthians no caminho das vitórias.

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Relação entre elenco e diretoria

Um dos principais desafios de Seedorf será lidar com o desgaste na relação entre jogadores e diretoria. Após a derrota para o Palmeiras, o zagueiro Gabriel Paulista concedeu uma entrevista na qual criticou a administração do clube, denunciou atrasos salariais e afirmou que os problemas internos estão afetando o elenco.

O defensor também revelou que ofereceu ajuda financeira a companheiros de equipe que enfrentam dificuldades. Emocionado, afirmou que abriu mão de muitas coisas para realizar o sonho de defender o Corinthians, mas que atualmente vive um pesadelo. Além disso, cobrou maior proteção aos atletas e o pagamento dos funcionários do clube.

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— Eu consigo me manter durante um tempo, mas tem jogador que não consegue. Eu ganhava pouco no meu início. Se eu passasse por uma situação como essa, minha família talvez passasse fome. Ontem falei com alguns (jogadores), disse que se eles estiverem precisando de alguma ajuda, eu estaria à disposição — disse.

— Se alguém da diretoria quiser falar comigo e falar que disse besteira, eu volto e falo de novo. A gente precisa de proteção. Precisa que pague o salário, que deixe funcionário com salário pago. P****, que vergonha, cara. Chegar aqui e falar que um atleta tem que ajudar o outro. Isso é uma vergonha para o clube que é o Corinthians — seguiu.

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As declarações de um dos líderes do elenco evidenciam a fragilidade do ambiente interno. O desabafo público de Gabriel Paulista, expondo problemas administrativos e financeiros, mostra a dimensão das dificuldades que Seedorf encontrará em seu início de trabalho.

Gabriel Paulista durante o clássico
Gabriel Paulista criticou a situação interna do Corinthians após a derrota no Dérbi (Foto: Marcello Zambrana/AGIF/Folhapress)

Nesse contexto, a liderança do ex-jogador poderá ser uma ferramenta importante. A capacidade de comandar grupos foi, inclusive, um dos argumentos apresentados pelo executivo de futebol Marcelo Paz e pelo técnico interino William Batista para justificar a escolha do neerlandês.

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Com uma carreira marcada por conquistas e passagens por grandes clubes europeus, Seedorf terá o desafio de conquistar a confiança do vestiário e exercer uma liderança capaz de fortalecer o grupo. No entanto, parte dos problemas relatados pelos jogadores depende de soluções administrativas, que estão fora das atribuições do treinador.

— Um nome como o do Seedorf transcende. É um nome que tivemos acesso, identificamos que é um líder, um vencedor. Ele decidiu retomar a carreira como treinador, veio o convite do Corinthians e ele teve o desejo de vir para cá. É importante a gente contar com quem quer vir, ele quis — disse Marcelo Paz antes da bola rolar no Nubank Parque, em entrevista ao Ge.

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— Ele tem um perfil de liderança. Liderou equipes, foi capitão... e quer vencer também como treinador. Eu acredito que ele tem as credenciais para isso. Os jogadores entendem também que é algo bom. Vai chegar com muita energia e espírito — completou.

Osmar Stabile e Marcelo Paz no Corinthians
Osmar Stabile, presidente, e Marcelo Paz, executivo de futebol do Corinthians (Foto: Rodrigo Coca/Corinthians)

Recuperar a confiança dos principais jogadores

Outro desafio de Clarence Seedorf será recuperar o rendimento individual de atletas importantes. A sequência negativa do Corinthians tem sido acompanhada pela queda de desempenho de jogadores que, em outros momentos, foram fundamentais para a equipe.

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Um dos principais exemplos é Memphis Depay. Desde a renovação contratual, o atacante neerlandês ainda busca recuperar seu melhor futebol. Na eliminação diante do Estudiantes, pela Libertadores, teve a oportunidade de empatar o confronto nos minutos finais, mas desperdiçou uma cobrança de pênalti ao mandar a bola por cima do gol. No clássico contra o Palmeiras, voltou a apresentar dificuldades na construção das jogadas ofensivas.

— Aquilo que o Memphis tem se dedicado é de um jogador que quer o melhor do clube. Óbvio que quando os resultados não vêm, aquele que é o maior jogador do clube no momento é sempre o mais visado. Acaba que por isso todo mundo acaba olhando pro Memphis — disse o técnico interino William Batista.

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— É um cara que se dedica e trabalha no dia a dia, sabe o tamanho do clube e o que ele precisa fazer para o clube. Assim como em outra hora o torcedor carregou o clube, nessas oito rodadas finais eles vão ser isso novamente. Vão ajudar o time e carregar os jogadores. Isso vai ajudar o Memphis e os outros jogadores a conseguir colocar o Corinthians numa condição boa — finalizou.

Clarence Seedorf sorrindo em imagem
Clarence Seedorf assinou contrato com o Corinthians até o final de 2027 (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

O meia Rodrigo Garro também atravessa um momento de queda de rendimento. Contra o Estudiantes, foi criticado por não conseguir impedir o cruzamento que resultou no gol da equipe argentina. Já diante do Internacional, atuando como volante por decisão de Fernando Diniz, participou negativamente dos dois gols sofridos pelo Corinthians, incluindo uma perda de bola dentro da própria área no segundo lance.

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Outro jogador que enfrenta dificuldades é Matheus Bidu. O lateral-esquerdo, que chegou a ser cogitado para a Seleção Brasileira, apresentou uma queda de desempenho nas últimas partidas. No clássico contra o Palmeiras, marcou um gol contra, ampliando o placar para o rival.

Os três casos exemplificam a necessidade de recuperar não apenas o desempenho técnico, mas também a confiança de jogadores importantes para o funcionamento coletivo da equipe. Seedorf precisará encontrar alternativas para que esses atletas voltem a desempenhar papéis decisivos dentro de campo.

Mais do que implementar suas ideias de jogo, o novo treinador terá a missão de reconstruir a confiança de um elenco pressionado pelos resultados e pelos problemas internos. A capacidade de liderança, apontada como uma das principais características do neerlandês, será colocada à prova logo em seus primeiros dias no Corinthians.

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