Críticas justas? França chega à final sem encantar na Copa do Mundo
Belgas Hazard e Courtois reclamaram do estilo da equipe de Didier Deschamps, mas não tiveram tanta razão assim; confira uma análise a respeito!

A Copa do Mundo da Rússia deu aos torcedores poucos jogos de encher os olhos. Muito disso passa pelas principais seleções da competição jogarem um futebol abaixo do que se esperava. Um desses times é a França, que está na final do Mundial, mas ainda não fez valer a fama de seu estrelado elenco. Após o duelo da semifinal, os belgas Eden Hazard e Thibaut Courtois criticaram duramente o modelo de jogo de Didier Deschamps.
– Nós éramos melhores que a França, nós tínhamos a posse da bola. Os franceses são robustos e bem agrupados. Mas, honestamente, prefiro perder com a Bélgica do que vencer com essa França. Nós praticamos um jogo mais bonito – disparou Hazard.
– Eu fiz algumas defesas, mas eles não tiveram grandes chances. Eles marcaram com um escanteio, é uma pena. Nós perdemos contra uma equipe que não é melhor que nós. Nós perdemos contra uma equipe que não jogou nada, que se defendeu. Contra o Uruguai, eles marcaram com uma falta e um erro do goleiro. É uma pena para o futebol que a Bélgica não tenha vencido - detonou Courtois.
De fato, os belgas tiveram 60% de posse de bola contra 40% dos franceses. No entanto, foram 19 chutes a gol dos Bleus (cinco no alvo, oito para fora e seis bloqueados) contra nove dos Red Devils (três no alvo, cinco para fora e um bloqueado). O mapa de calor das seleções fala um pouco sobre o jogo.


De um lado, a Bélgica teve um lado esquerdo sem muito brilho, apostando suas forças na direita, com Hazard. Quando a equipe chegou até a área, preferiu as jogadas pelo meio, parando na parede de Varane e Umtiti, que tiveram ótima atuação em São Petersburgo.
O próprio Pavard, que sofreu nas mãos do camisa 10 belga, ficou mais tempo no ataque do que na defesa. A marcação dos Bleus no alto dificultou as investidas dos Red Devils. Na França, a movimentação foi intensa, mas muito pouco pelo círculo central do campo. Com Mbappé dominando a direita com suas investidas e a necessidade de marcação em Hazard, a equipe esteve muito mais nesse lado.
Estilo de jogo
Estar sob o comando de Didier Deschamps já diz muito sobre como a França vem jogando nas últimas partidas. O estilo do treinador preza muito mais o resultado do que propriamente o jogo bonito. Por ter jogadores de muita qualidade que não mostravam todo seu talento, o campeão de 1998 entrou pressionado para a disputa da Copa.
No entanto, tirando a primeira fase, quando os franceses foram extremamente pragmáticos e sonolentos, a França mostrou criatividade no mata-mata. Mas a principal característica ficou por conta da eficiência. Mbappé e companhia não saíram atrás em nenhum jogo nesta Copa e foram precisos quando chegaram ao gol, mesmo que Giroud não esteja jogando bem. Mais importante do que o "futebol arte", é preciso balançar as redes.
Vale lembrar ainda que a Bélgica chegou até a semifinal depois de dois erros do Brasil nas quartas e jogar praticamente segurando o resultado. Além disso, sofreu para bater o Japão nas oitavas, sem apresentar o futebol bonito que Hazard disse que estavam fazendo.

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