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Gestão Esportiva na Prática: os dias depois da derrota

Na reta final de uma temporada, a pressão expõe comportamentos que a vitória consegue esconder. Saber observá-los é uma ferramenta de gestão

PorFelipe Ximenes
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
23/09/2026 08:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Arte da coluna de Felipe Ximenes: os dias depois da derrota
Derrotas oferecem informação sobre as pessoas com quem estamos dividindo a caminhada (Arte gerada por IA)

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Na semana passada escrevi sobre o luxo de observar. Defendi que, em um futebol cada vez mais inundado por números, ainda existem informações que aparecem primeiro diante dos nossos olhos. No campo, no banco, no vestiário e nos corredores. Quero continuar, nesta coluna, exatamente dali.

Porque observar é importante, mas saber o que observar, principalmente quando uma temporada entra em sua fase mais aguda, é ainda mais.

A vitória facilita muita coisa. Depois dela, quase todos parecem comprometidos, o ambiente fica mais leve, as diferenças diminuem e as relações funcionam melhor. Há abraços, discursos positivos e uma sensação de unidade que, algumas vezes, é verdadeira. Em outras, porém, essa unidade apenas não foi suficientemente testada.

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A derrota, não. Ela faz esse teste em seu estado mais puro.

Não gosto da simplificação de que basta perder para conhecermos definitivamente o caráter de alguém. Pessoas frustradas ficam irritadas, silenciosas ou reagem de maneiras diferentes. Um gesto isolado não define ninguém, muito menos um olhar.

Não transformar a observação em julgamento é um cuidado que todo gestor precisa ter. Mas existe algo muito valioso quando a pressão aumenta: os padrões começam a aparecer.

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Quem assumia responsabilidades começa a procurar culpados? Quem defendia o coletivo passa a proteger apenas a própria posição? Quem cobrava coragem desaparece quando chega a hora de enfrentar a crise? Quem estava sempre presente deixa de aparecer? Quem dizia respeitar decisões muda completamente quando a decisão o atinge?

E o contrário também é verdadeiro. Há quem fale menos e trabalhe mais. Há quem tenha perdido espaço e continue comprometido. Há quem proteja um companheiro mesmo estando insatisfeito. Há quem procure o treinador para ajudar, e não apenas para reclamar. Há profissionais que, pressionados, continuam tratando da mesma maneira o presidente, o roupeiro, o jogador titular e aquele que não entra há três partidas.

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É justamente aí que a minha observação da semana passada ganha outra dimensão. Não se trata de tentar descobrir quem está mentindo pela posição das mãos ou quem está inseguro porque desviou o olhar. Trata-se de conhecer suficientemente as pessoas para perceber quando seus comportamentos mudam.

Obviamente, não estou falando apenas de jogadores. Estou falando também de treinadores, executivos, dirigentes, funcionários, conselheiros, empresários e todos aqueles que orbitam o vestiário e o ambiente de um clube de futebol. Quanto maior a dificuldade, maior a quantidade de interesses que começa a circular pelos corredores.

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Derrota produz informação juntamente com ansiedade

Os momentos agudos de uma temporada produzem ruído. Surgem conselhos que ninguém havia pedido, soluções simples para problemas complexos, vazamentos convenientes, mudanças de discurso e uma impressionante quantidade de pessoas preocupadas em explicar de quem foi a culpa. Para um gestor, tudo isso representa informação tão importante quanto aquela produzida pelos departamentos de desempenho, fisiologia ou
análise de mercado.

Mas existe uma condição fundamental: não decidir no mesmo ritmo em que a emoção acontece.

A derrota produz informação juntamente com ansiedade. E gestores ansiosos são perigosos porque começam a confundir urgência com velocidade. É necessário qualidade de observação.

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Entender se aquilo foi apenas uma reação humana ao fracasso ou se estamos diante de um padrão. Perceber se determinado comportamento representa frustração momentânea ou ruptura de confiança. Comparar o que aquela pessoa dizia nos bons momentos com aquilo que faz quando existe algum custo pessoal envolvido.

Porque é neste ponto que o caráter realmente começa a aparecer. Não em um gesto, mas nas escolhas. Especialmente naquelas feitas quando fazer o que é certo ficou mais difícil.

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Estou tentando fazer das minhas últimas colunas, quase sem planejamento, uma espécie de caderno para a reta final das competições. Um período em que há menos tempo, mais pressão, mais hostilidade e decisões cada vez mais caras.

É justamente quando o gestor precisa falar menos, observar mais e impedir que a temperatura do ambiente determine suas decisões.

Derrotas nos tiram três pontos.

Mas os dias que vêm depois delas nos oferecem algo que nenhuma vitória entrega com a mesma facilidade: informação sobre as pessoas com quem estamos dividindo a caminhada.

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A tabela nos mostra o que aconteceu. Os corredores nos mostram com quem podemos construir o que ainda precisamos fazer acontecer.

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