Análise tática do Guffo: o surpreendente Atlético-MG de Barba Domínguez
Galo evolui com troca de posicionamento, força nas transições e novas funções

As vitórias sobre o Montevideo City Torque na Sul-Americana e sobre o Coritiba pelo Brasileirão mostraram o melhor Galo da temporada e um time com desenho novo: lateral direita qualificada, ataque posicional, transições letais e um camisa 9 que joga de meia. O placar de 3 a 0 contra os uruguaios, construído com dois gols nascidos de transição e um ataque posicional que gerou repertório, começa em um detalhe de posicionamento que o torcedor pedia há bastante tempo.
➡️ Análise tática do Guffo: leia todas as colunas
A lateral direita que destravou a criação
Barba manteve o 4-2-3-1, mas mudou a engrenagem. Com Preciado assumindo a lateral direita no lugar de Natanael, a construção ganhou outro padrão: Maicon e Castanho passaram a receber a bola em condição de virar o jogo, enquanto Cuello cola na beirada, Bernard cai por dentro para se associar a Reinier e Vitor Hugo. E Lodi, pela esquerda, vira ponta. No ataque, o Galo monta um 5 contra 5 e, com Alan Franco pisando de surpresa à frente da linha de volantes, vira 6 contra 5. A matemática é simples: sempre sobra um homem.
O mecanismo aparece no meio-espaço. Franco atacava o espaço entre lateral e zagueiro do Torque: se recebia, virava finalização; se não recebia, arrastava o marcador e abria a beirada para Cuello em um contra um. Reinier e Vitor Hugo faziam o trabalho de formiguinha, baixando para desestruturar a linha adversária e, no movimento seguinte, atacavam as costas. Foram dois gols marcados assim, os dois anulados por impedimento, mas o padrão estava lá: ocupação, atração, infiltração.
Sem a bola, o desenho é outro e igualmente claro: 4-1-4-1 compacto, nove jogadores atrás da linha da bola, Maicon protegendo a entrelinha. O Galo espera o adversário ousar na saída para interceptar e acelerar. Foi assim que nasceram o primeiro e o segundo gols, com erros do Torque virando roda de bobinho: passes curtos, superioridade numérica, drible da vaca de Cuello e o Reinier completando sem goleiro. Um time que sabe esperar, roubar e sair em velocidade pode incomodar a qualquer um.

Por que o 3 a 0 valeu mais que três pontos
O jogo contra o Torque importou por três motivos. Primeiro, o mando foi respeitado com autoridade contra um adversário que se fechou e, ainda assim, levou três. Segundo, o banco respondeu: Igor Gomes, Borbas e Cissé entraram bem, e o gol de Borbas deu tranquilidade para poupar peças na volta, pela Sul-Americana. Terceiro, e mais importante, o Galo mostrou que disputa três frentes sem trocar a identidade: priorizou o Brasileirão no início, usou time reserva na primeira fase da competição continental e chega à reta final brigando pelo G4, vivo na Copa do Brasil e em condições de avançar no Uruguai.
A expectativa, então, é de um Galo perigoso até o fim. Se mantiver o ataque posicional como referência e as transições como arma, se o banco seguir correspondendo e Reinier continuar com a pisada de 9 que vira meia, o Atlético-MG tem condição de ser a surpresa mais sólida da reta final da temporada. O risco mora no calendário cruel das três frentes, mas o que se viu contra o Torque é um time com desenho, com ideia e com repertório para enfrentar o que vier. Esse Galo do Barba joga o melhor futebol do ano, e a volta, na Sul-Americana, é apenas o primeiro passo de uma temporada que pode terminar com taça no armário na Pampulha.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Futebol Nacional
Gestão Esportiva na Prática: O futebol não nos deve explicações
Há 11 horas
Colunas
Papo com Helio Castroneves: De volta a Cascavel, mas em condições muito melhores
Há 2 dias
Colunas
Análise tática do Guffo: a hierarquia brasileira nas semifinais da Libertadores
Há 3 dias
Colunas
Tironi no Lance! O Brasil a um passo de dominar completamente a América
Há 3 dias
Colunas
Briga pelo Maracanã é mais uma prova de que perdeu a essência
Há 6 dias
Futebol Nacional
Tironi no Lance!: Corinthians faz aposta muito improvável em Seedorf
Há 6 diasMais LANCE!

Análise Tática do Guffo: o que esperar de Seedorf no Corinthians

Análise tática do Guffo: a queda de Fernando Diniz no Corinthians

Papo com Helio Castroneves: novidades da Meyer Shank Racing e parabéns para Koenigkan

Lúcio de Castro: Agustín Rossi me fez rasgar uma coluna e escrever outra

Tironi no Lance!: brasileiros têm aversão ao conhecimento?

Gestão Esportiva na Prática: Quando continuar é o mais difícil

Fla e Santos: melhor do Brasil x melhor do returno

Análise tática do Guffo: a Data Fifa serviu para a Seleção?

Raul Costa Jr.: Bora! Pra frente!!!!

CazéTV transmite volta de Rafael Nadal às quadras; veja quando

Papo com Helio Castroneves: em caso de acidente, nada tema, pois o Dr. Dino Altmann está presente!

Tironi no Lance!: Santos em alta, São Paulo deprimido no clássico paulista

Lúcio de Castro: a NFL e o asterisco, o City e o Soft Power, a nossa cartolagem e as bets
