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Análise tática do Guffo: como Renato Gaúcho arrumou o Grêmio

Defesa sólida recoloca o Tricolor Gaúcho nos trilhos na reta final

PorGustavo Fogaça•
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)•
03/11/2026 23:11

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Treinador de camisa clara cumprimenta jogador do Grêmio durante celebração após vitória sobre o Atlético pela Copa do Brasil.
Renato Gaúcho no triunfo do Gremio sobre o Atletico na Copa do Brasil (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Três vitórias consecutivas, duas no Brasileirão e uma na Copa do Brasil, e o Grêmio deixou de ser candidato virtual ao rebaixamento para respirar na 15ª colocação. Em cinco rodadas do fim do campeonato, a diferença entre o abismo e a sobrevida tem nome, sobrenome e quinta passagem pelo clube: Renato Portaluppi. O elenco é o mesmo, o modelo de jogo é outro, e é aí que a leitura precisa começar.

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Renato leu a limitação do grupo e construiu o time ao contrário do que a torcida gostaria, mas exatamente do jeito que a tabela exigia. O Grêmio virou uma equipe reativa, de linhas baixas, que entrega a bola ao adversário sem peso na consciência, fecha o funil no meio e aposta em contra-ataque, bola parada e ligação direta. É futebol de arroz com feijão, rudimentar em certos momentos, porém eficiente no ponto que importa agora: não tomar gol. Nas três vitórias, o time não sofreu nenhum.

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A mudança foi estrutural

A grande sacada foi estrutural. Com três zagueiros e linha de cinco na defesa, o Grêmio passou a encaixar marcação individual por setor, com os volantes perseguindo os meias adversários e os pontas fechando o miolo. O time que pouco pressionava alto na era Luis Castro agora salta com critério, e o que mais impressiona é a recomposição, o traço que mais doía: correr para trás virou rotina, com o Wallace na sobra e a linha de cinco pronta para absorver o contra-ataque.

Com a bola, o mecanismo é direto e tem dois pilares. Weverton quebra rápido de tiro de meta e mira Carlos Vinícius, o centroavante que não é veloz, mas entende as próprias limitações, domina, espera o zagueiro passar e corta para a perna esquerda. Foi assim o gol contra o Atlético-MG na Copa do Brasil, e é assim que o time vive: a primeira bola vai no camisa 9, a segunda sobra para Noriega, que pesa na área, ou para João Pedro, recuperado fisicamente e dono das melhores tabelas do time. Contra o Galo, duas finalizações no gol, dois gols. Eficiência pura.

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Weverton em ação no jogo Grêmio x Atlético-MG, goleiro mergulha para defender a bola.
Weverton em ação pelo Gremio contra o Atletico-MG na semifinal da Copa do Brasil (Foto: Maxi Franzoi/AGIF/Folhapress)

Renato transforma o ambiente e recupera o Grêmio

No plano individual, Renato está recuperando jogadores que pareciam perdidos. João Pedro, sempre questionado pelo físico, virou peça de confiança e ganhou sequência. Noriega saltou de coadjuvante a protagonista, com qualidade de passe e presença ofensiva. O ponta veloz virou fumaça no um contra um, e o próprio Carlos Vinícius, alvo constante de crítica, se transformou na gravidade que atrai os zagueiros e abre espaço para o resto. O treinador fala a língua do jogador, valoriza pequenas conquistas, e isso, em um time que vivia no limite emocional, vale tanto quanto qualquer ajuste tático.

O ambiente também mudou, e o churrasco que virou notícia é o símbolo disso. Renato é instituição no Grêmio, conhece o clube como poucos e sabe que, em um ano de percalços, o vestiário precisava de confiança antes de prancheta. O empate com Palmeiras e Internacional, a derrota de virada para o Cruzeiro em uma das melhores atuações do time no campeonato, tudo isso virou base para as vitórias sobre Coritiba e Athletico-PR, este último brigando no G4. O time não se intimida mais.

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Os números sustentam a virada, mas o calendário cobra o preço. Faltam cinco rodadas, com Flamengo, Bahia, Santos, Corinthians e Mirassol pela frente, e o Grêmio vai para o jogo contra o Flamengo sem Carlos Vinícius e Weverton, suspensos. Na Copa do Brasil, a vantagem de 2 a 0 sobre o Atlético-MG permite até perder por um gol de diferença na Arena MRV, mas o Galo é forte em casa, pode ter Fred de volta e vai pressionar do início ao fim. A vaga na final está em aberto, com o Grêmio levemente favorável, desde que repita a solidez defensiva da ida.

O prognóstico é claro: o Grêmio de Renato tem chance real de escapar do rebaixamento e de chegar à final da Copa do Brasil, mas o fio que sustenta as duas campanhas é o mesmo, a organização defensiva. Se o time mantiver a linha de cinco firme e a eficiência nas bolas longas, o risco de queda despenca e a final vira cenário concreto. Espero um time que vai sofrer, vai entregar a bola e vai brigar em cada dividida, porque é assim, no limite das próprias condições, que esse Grêmio voltou a ser confiável. O resto é consequência.

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Jogadores do Grêmio se abraçam na vitória sobre o Atlético-MG na Copa do Brasil
Jogadores do Grêmio se abraçam na vitória sobre o Atlético-MG na Copa do Brasil (Foto: Leonardo Mayer / Ag. F8 / Folhapress)
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