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Mundial é último teste das novas regras do judô

Implantadas pela Federação Internacional de Judô (FIJ) desde o início do ano, as novas regras da modalidade passarão pelo último teste no Mundial do Rio de Janeiro. Após a competição, que começa nesta segunda-feira, no ginásio do Maracanãzinho, a entidade vai se reunir e decidir se elas continuarão valendo ou se alterações serão efetuadas.

– Teremos uma reunião em outubro para elaboramos nossa conclusão final sobre o tema – afirmou o diretor de arbitragem da FIJ, o espanhol Juan Carlos Barcos.

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Na Olimpíada de Londres-2012, a entidade já havia proibido o ataque as pernas do judoca. Mas como ainda havia uma tolerância dos árbitros, desde o início do ano o atleta passou a ser desclassificado só de encostar nas pernas do adversário.

Outra mudança no combate foi o fato de o judoca não poder mais arrancar a mão do oponente do quimono com as duas mãos. Agora, só é permitido fazer isso com uma.

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Atualmente, a luta tem apenas um árbitro no tatame, em vez de três. Mas ele é ajudado por outros fora da área de combate. Estes têm acesso ao vídeo e podem mandar o juiz da luta voltar atrás numa decisão.

Com apenas um árbitro, a definição do vencedor nas bandeiras foi extinta. Se o duelo termina empatado, ele segue para o golden score, que agora não tem mais limite de tempo. Vence quem pontuar primeiro ou provocar uma punição ao rival.

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As punições não são mais convertidas em pontos para o outro judoca. Elas só funcionam a título de desempate. E, com quatro punições, o atleta é desclassificado do combate.

Por fim, assim como acontece no boxe ou no UFC, a pesagem passou para o dia anterior e não mais no dia da luta. Essa mudança gerou reclamações, principalmente do Brasil.

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COM A PALAVRA:

Flávio Canto
Ex-judoca e hoje responsável pelo treino de solo dos judocas do Brasil

A regra mais difícil para as pessoas entenderem, e que faz muita diferença, é a da pegada no quimono. Isso diminuiu a troca de pegadas. Quem chega primeiro no quimono do adversário acaba levando vantagem.

Apoio totalmente o uso do vídeo pela arbitragem. Isso evita erros grosseiros como vemos no futebol.

A mudança nas punições também foi boa. Se eu sou punido, não dou mais ponto para o oponente. Isso é positivo. Se você recebeu três punições, mas está com um yuko, você vence a luta. Antigamente, o meu adversário que ganharia. A regra favorece as pontuações.

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Quando acabaram com as bandeiras e tiraram o tempo do golden score, muita gente achou que isso provocaria lutas intermináveis. Mas isso não acontece na prática. O que tem ocorrido é que poucos combates vão para o golden score pois a punição serve de desempate. Lutas equilibradas têm sido decididas pelas punições. E quando o combate vai para o golden score, logo termina com uma pontuação ou então com uma punição.

As regras que não aprovo são a do fim do ataque as pernas e a da pesagem. Essa técnica de ataque sempre aconteceu no judô. Em Londres ainda teve uma tolerância, mas agora encostou nas pernas, o judoca está desclassificado.

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Quanto à pesagem, os judocas lutam muito mais num ano do que um boxeador ou lutador do UFC. Então, ele é submetido mais vezes ao processo de perda de peso. Fazer a pesagem um dia antes da luta é um retrocesso para o judô.

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