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A lição da primeira derrota por 8 a 0 do Santos na era profissional


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Um precedente histórico pode servir de alento ao torcedor do Santos que for à Vila ou parar em frente à TV nesta quarta-feira para ver o clássico contra o Corinthians, cinco dias após o castigo imposto pelo Barcelona ao time de Aranha, Léo, Cícero e Montillo.

A história do Peixe guarda outro 8 a 0, sofrido quase 58 anos atrás, em 13 de novembro de 1955, que marcou e forjou o início de uma geração supercampeã, hegemônica durante mais de uma década.

Dois meses e dois dias antes de conquistar o Paulistão daquele ano, já no segundo turno, o Santos formado por jogadores como Ramiro, Formiga, Zito, Del Vecchio, Vasconcelos e Pepe, que se tornariam bicampeões paulistas (1955-1956) e dariam base para o início da era Pelé, foi atropelado no Pacaembu pelos oito gols da Portuguesa de Djalma Santos, Brandãozinho e Ipojucan, então campeã do Rio-São Paulo.

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A humilhação foi descrita na época com palavras que caberiam perfeitamente no relato da goleada sofrida na sexta-feira passada. A crônica do jornal "Folha da Noite", por exemplo, foi construída com expressões como "o Santos deu pena", "o 4 a 0 do primeiro tempo já era gritante e absurdo", "foi doloroso ver o Santos apanhar daquele jeito".

Os santistas protagonistas daquela história vêem algumas semelhanças entre as duas goleadas.
– No intervalo, o Lula disse para irmos para cima e ganhar. Mas continuou tudo igual. Eles jogavam e a gente só apreciava  – lembra o ex-zagueiro santista Ramiro Valente.

– Foi muito parecido com o que aconteceu com esse Santos. Também viramos perdendo de quatro. Aí no vestiário o Lula disse 'vamos para cima porque ou a gente ganha deles ou perde de oito'. E perdemos de oito – conta Pepe, de 78 anos.

Foi do ponta-esquerda Pepe o gol do título de 1955, conquistado em janeiro de 1956. Após essa conquista, que quebrou um jejum de 20 anos, Pepe levantou mais 26 troféus pelo Peixe – ao todo, ele tem 405 gols e é o segundo maior artilheiro da história do clube, atrás só de Pelé.

– Na volta para Santos, sempre parávamos para tomar um café. Lembro que, depois daquela goleada, jogaram até peixe podre na gente. Foi chato – lembra Pepe.

O JOGO SEGUINTE

Importante para superar os 8 a 0 e a zombaria decorrente do resultado foi o jogo seguinte, disputado uma semana depois na Vila, é o que dizem tanto Pepe quanto Ramiro.

– Depois vencemos o Guarani por 5 a 0, o que nos deu força para superarmos aquela goleada e depois ganharmos o título – diz Pepe.

MEMÓRIA

A goleada
Santos foi amplamente dominado pela Portuguesa e acabou goleado por 8 a 0, no Pacaembu.

A volta por cima
O Peixe "devolveu" a goleada e ganhou do Guarani por 5 a 0 logo na rodada seguinte do vexame.

É campeão!
Nas últimas oito partidas depois do Bugre, o Santos venceu cinco vezes e perdeu três. No fim, ficou com o título paulista após 20 anos de jejum. Timão foi o vice-campeão.

Era Pelé
O Santos emendou o bi-paulista e uma sequência de taças – a partir do troféu de 1958, com Pelé.

COM A PALAVRA - PEPE

"Naquela goleada que sofremos da Portuguesa em 1955, também viramos perdendo de quatro. Foi inexplicável. Nosso time era muito ofensivo, mas a bola não entrou. A Portuguesa, que era um bom time, atacava e fazia gol. Depois de o Lula falar para a gente ir para cima, tomamos o quinto gol no início do segundo tempo e o time desmontou. Dois anos depois (no Paulista de 1957), lembro que ganhávamos de 6 a 0 na Portuguesa e não queríamos que o jogo acabasse. Queríamos devolver o 8 a 0, mas não deu. Ganhamos e deixamos o estádio "p." da vida por não ter dado o troco. Quando treinei o Santos, também formei times jovens, como aquele que tinha o Sergio Manoel e o Axel. A equipe atual é jovem, mas não pode se abater. Essa mentalização tem que ser urgente. O time do Corinthians é danado, compacto, não tem só um cara de destaque. Em 55, levamos de 8 a 0, mas na semana seguinte vencemos o Guarani por 5 a 0, o que nos deu força para depois ganharmos o título. Ficou marcado o placar, mas superamos e fomos campeões."

FICHA TÉCNICA

PORTUGUESA 8 x 0 SANTOS

JUIZ: Mário Vianna
GOLS: Edmur (2), Lierte (2), Ipojucan, Airton, Zé Amaro e Brandãozinho
RENDA/PÚBLICO: Cr$ 414.090,00 (público não divulgado)
DATA: 13 de novembro de 1955
LOCAL: Pacaembu, São Paulo (SP)

PORTUGUESA: Cabeção, Nena e Hermínio; Djalma Santos, Brandãozinho e Zinho; Lierte, Zé Amaro, Ipojucan, Airton e Edmur. Técnico: Délio Neves

SANTOS: Manga, Helvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Alfredinho, Negri, Del Vecchio, Vasconcelos e Pepe. Técnico: Lula

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