LANCE! Opina: O gigante acordou!
O povo foi às ruas! Na imensa maioria, não para cometer violência ou depredar o patrimônio público ou privado. Mas clamando por mudanças. O que nos inspira a nos manifestar é a esperança de que algo de bom possa advir deste lindo momento de reação da sociedade. "Desculpe o transtorno, estamos mudando o país", dizia um cartaz na segunda-feira.
O povo deveria ter ido às ruas em 2008 quando se criou o COL (Comitê Organizador Local) como se fosse uma ação entre amigos fe Ricardo Teixeira, com ele como presidente, sua filha, seu assessor de comunicação e seu advogado como membros, sem nenhum representante da sociedade nem do governo, quem paga a conta da Copa.
O povo poderia ter ido às ruas quando se anunciou a construção de estádios muito custosos em locais onde o futebol não justifica, gastando-se bilhões de reais em elefantes brancos com manutenção cara, e não investindo em mobilidade urbana, melhoria dos aeroportos, implantação do trem-bala Rio-São Paulo, recuperação de estradas, estrutura de comunicação e segurança, tão caras para a população brasileira.
O povo deveria ter protestado quando viu que os estádios, diferentemente do que foi anunciado, seriam construídos com dinheiro público na quase totalidade, consumindo mais de R$ 8 bilhões, divididos em investimentos, compromissos e empréstimos com origem pública, sendo no final somente 4% de recursos privados. E também quando Renan Calheiros foi eleito pelos seus pares para a presidência do Senado, numa afronta a toda a nação.
O povo poderia ter ido às ruas em 2006 quando a Timemania foi inventada, refinanciando as dívidas dos clubes sem nenhuma contrapartida exigida nem punição aos dirigentes que não pagassem as parcelas.
O povo poderia ter demandado um Comitê Organizador plural para 2016, com representantes da sociedade e que não fosse presidido pelo mesmo presidente do COB – algo inédito nos Jogos Olímpicos – que acumula poderes e funções excessivas e deixa de se concentrar na formação de atletas, este sim papel fundamental do COB.
O povo poderia ter ido às ruas quando, após Ricardo Teixeira se refugiar no exterior, com medo de encarar a lei brasileira, a sucessão na CBF e no COL foi feita tal qual uma capitania hereditária, para Marin e Del Nero, este como vice da CBF e virtual sucessor do novo presidente, apesar de diversos indícios de falta de decoro para os cargos.
Não se pode retroagir no tempo, mas se pode construir o futuro com novas práticas, estimulando a nação a realizar seu potencial, ocupando o lugar que o mundo nos reserva. Não nos faltam recursos naturais, humanos e econômicos. O que precisamos fazer é usá-los com eficiência e ceifando a corrupção, que tanto nos subtrai. Neste momento, há muito a ser feito e o povo pode ir às ruas para...
- Uma legislação que refunde as bases do esporte e do futebol brasileiro, reduzindo os poderes de federações e confederações, eliminando a perpetuação de dirigentes e impondo transparência de seus atos;
- Exigir a mudança imediata no COL, com a saída de Marin e de Joana Havelange, herdeiros de Teixeira, ampliando sua prestação de contas, atualmente limitada à CBF a à Fifa;
- Demandar a fundação de uma nova CBF, hoje praticamente exploradora monopolista dos valiosos direitos comerciais da Seleção, que tenha que usar seus vastos recursos para o fomento do futebol brasileiro, investindo nas Séries C, D e no futebol feminino, instituindo o veto a doar dinheiro para campanhas eleitorais de políticos e deixando de fazer benesses como os R$ 130 mil mensais pagos para o refugiado Teixeira até março deste ano;
- Protestar contra o projeto do governo de perdoar parte da dívida de mais de R$ 2 bilhões dos clubes sem que se tenha garantia de punição para os que derem novos calotes no governo e aos que praticam apropriação indébita de impostos de forma costumeira. O futebol é hoje um grande negócio e os clubes têm que pagar os impostos que devem;
- Cobrar a existência efetiva de uma política de massificação do esporte, tornando sua prática acessível a toda sociedade e permitindo o surgimento de talentos que possam defender o país em competições de alto rendimento;
- Exigir que, além dos grandes investimentos em obras de infraestrutura para a Olimpíada-2016, que vão gerar o legado físico, os investimentos nos legados ambiental, social e esportivo, sejam tratados como alta prioridade.
Os Jogos não podem ser somente um evento esportivo, mas sim uma oportunidade única de mudar o destino da cidade-sede e do país. Mudanças no esporte podem mudar o nosso Brasil.
Enfim, o povo foi às ruas!
E você, torcedor brasileiro? Deixe sua opinião na área de comentários abaixo.
E MAIS
- 'A arquibancada é a rua!': Futebol potencializa protestos pelo Brasil
- Mídia internacional relaciona protestos no Brasil com gastos para a Copa
- Segundo Blatter, manifestantes se aproveitam da Copa das Confederações
- Del Nero: 'Tem 199 milhões trabalhando e esses querendo atrapalhar'
- Manifestação em BH reúne mais pessoas que jogo entre Nigéria e Taiti

Futebol Nacional
Clube notifica FFU por conflito de interesses de administrador, sócio de Ronaldo
Há 10 horas
Futebol Nacional
Justiça de Brasília exige que Sinafut comprove legitimidade em ação contra FFU
Há 21 horas
Todos Esportes
Brasileiro renova com clube árabe, ganha cidadania e mira seleção do país
Há 2 dias
Fluminense
Escalação do Fluminense: Marcão aprova teste contra o Palmeiras
Há 3 dias
Todos Esportes
Copa do Brasil: Vitória conhece adversário e chaveamento
Há 1 semana
Onde Assistir
Chelsea x Milan: onde assistir, horário e prováveis escalações
Há 1 semanaMais LANCE!

GDA Luma, que comprará SAF do Botafogo, sofre ação por fraude nos EUA

Palmeiras perde quando pode, avança na Copa do Brasil e vê Flaco ainda mais protagonista

Diego Fernandes rebate conselheiro do São Paulo em rede social

Presidente da Fifa Master Alumni vê Infantino ainda favorito: 'Há muito ruído'

Santos x Remo: onde assistir, horário e escalações pela Copa do Brasil

Paulinho retorna aos treinos, e Palmeiras inicia preparação para a Copa do Brasil

Lula diz que só usa camisa do Corinthians e do Vasco: 'Flamengo, não'

AO VIVO: assista à apresentação de Zé Lucas no Cruzeiro

O impacto da ausência de Matheus Pereira no time titular do Cruzeiro

Klopp é apresentado pela Alemanha: 'Critiquem-me se algo não funcionar'

Análise: Cogitado por Trump na ONU, Infantino tem reeleição na Fifa em mãos

Leitores do Lance! escolhem Espanha x Inglaterra como final ideal da Copa

'O futebol não venceu': treinador da Suíça lamenta eliminação e ataca arbitragem
