Cursando duas faculdades, medalhista olímpico sonha com 2016
Campeão mundial em 2005, em Berlim, e prata na Olimpíada de Pequim, em 2008, Fábio Luiz ficou um pouco "esquecido" no vôlei de praia após algumas cirurgias que precisou fazer no joelho esquerdo e que o deixaram fora da Olimpíada de Londres e do circuito nacional 2012/2013. Com isso, o jogador de 34 anos deixou de se dedicar apenas ao esporte.
Atualmente, Fábio vive uma vida tripla: cursa duas faculdades em Vitória (ES) - sexto período de administração e segundo de direito -, uma pela manhã e outra à noite, mas tudo isso sem deixar os treinos na praia de lado.
- Consigo conciliar estudos com treinos. Os estudos que mantiveram minha cabeça no lugar quando me machuquei. Sugiro a todos os atletas jovens que estudem - explicou Fábio, que está com 34 anos.
Mesmo com toda a correria, Fábio mantém o sonho de disputar a Olimpíada de 2016. Para isso, ele precisará convencer a comissão técnica da Seleção Brasileira, já que a partir deste ano as parcerias da equipe nacional são selecionadas pelos técnicos.
- Eu tenho este sonho ainda. Quem é medalhista sempre vai pensar na outra Olimpíada. O meu objetivo é trabalhar para ser convocado. Eu quero ter a minha chance, até agora (no novo sistema) muitos tiveram chances e eu ainda não tive a minha - disse Fábio, que atualmente joga com Jorge no circuito nacional.
Em 2012/2013, Fábio Luiz viveu um momento inusitado em sua carriera: disputou etapas do Circuito Banco do Brasil Nacional (espécie de segunda divisão) para poder retornar à elite. Mas nada que tenha abalado o veterano, que marcou época no vôlei de praia ao lado de Márcio, parceria que durou cinco anos - foi encerrada em 2010:
- Depois que se machuca, você tem que colocar os pés no chão e ser humilde. Eu amo o que eu faço, joguei Nacional, Challenger, tudo para retornar à elite. Se tiver que jogar na China eu jogo, isso para mim não é desmerecimento algum. Eu já joguei desde estadual até final olímpica.
Mesmo que não consiga concretizar o sonho de disputar a Olimpíada do Rio de Janeiro, Fábio já tem motivos para se orgulhar de sua carreira. Um destes motivos está estampado em sua pele. Ele tatuou o símbolo olímpico para jamais esquecer da medalha de prata que conquistou ao lado de Márcio, que atualmente joga com Ricardo no circuito:
- Fiz a tatuagem assim que voltei da Olimpíada, essa ninguém tira. É o meu maior orgulho. 2008 foi o grande momento da minha carreira, Olimpíada é um marco. Eu faria tudo igualzinho de novo, o rival deu uma sorte de encaixar alguns bloqueios no fim e vencer - disse, revivendo a final vencida pelos americanos Todd Rogers e Phil Dalhausser.
QUEM É
Nome: Fábio Luiz de Jesus Magalhães
Nascimento: 13/03/1979, em Marataízes (ES)
Altura/Peso: 2,04m/105kg
Conquistas: Campeão do Circuito Banco do Brasil (2005), campeão do Campeonato Mundial de Berlim (2005), vice-campeão do Circuito Mundial (2005, 2006 e 2007) e vice-campeão na Olimpíada de Pequim (2008).
BATE-BOLA
Fábio Luiz
Medalhista olímpico e campeão mundial de vôlei de praia
Como andam os seus treinos com o Jorge e a recuperação das lesões?
Eu vinha de três cirurgias antes deste circuito. Estou forçando mais a cada dia e vou pegando ritmo aos poucos. Mas ainda falta ritmo e giro de jogo para mim, o pessoal que vem do Circuito Mundial está mais forte. Mas é dar sequência ao trabalho, estamos no caminho certo e eu estou sem dor nenhuma. A volta em alto rendimento vai demorar um pouco ainda, mas nós já construímos o caminho, agora é só dar sequência.
Você já foi o melhor bloqueador em diversos torneios, como no Campeonato Mundial de 2005. Qual o segredo deste bloqueio monstruoso?
Eu amo fazer bloqueio. Eu gosto de treinar bloqueio, geralmente as pessoas não gostam. Eu sempre gostei, eu entro no bloqueio para decidir.
Ainda pensa em voltar para a Seleção após as lesões?
Eu acordo todos os dias às 5h da manhã pensando nisso, em voltar para a Seleção. Dedicação é total para voltar e conquistar o que é meu. Eu não vou tomar nada de ninguém, só vou pegar o que é meu.
Qual o combustível para retornar em alto nível após anos em baixa?
A minha confiança para voltar é a minha família. Eles são o combustível para eu treinar. Sou um pai de família, veja meu filho aí na arquibancada me vendo e tudo.
* O repórter viaja a convite da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)

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