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Com a palavra, Amir Somoggi: 'O silêncio dos patrocinadores da CBF'

01/03/2016 03:33

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As graves denúncias que recaíram sobre a FIFA e a continuação das investigações sobre o mar de lama que envolve os negócios da entidade máxima do futebol mundial parecem não ter fim.

A renúncia do presidente Joseph Blatter, as prisões de dirigentes da Conmebol e do ex-Presidente da CBF José Maria Marin demonstram como as decisões sempre foram tomadas no mundo do futebol. Osinteresses pessoais e pagamento de propinas,à frente do que é melhor para o esporte mais popular do planeta.

Alguns patrocinadores globais da FIFA publicaram notas de repúdio sobre os acontecimentos, exigindo apuração e principalmente mudanças. Os parceiros da FIFA respondem por mais de 30% do orçamento da entidade e com toda a certeza pressionaram muito para as mudanças que estamos vendo.

As denúncias de corrupção caíram como uma bomba no Brasil, já que as investigações apontam diretamente para a CBF. A atual diretoria recém empossada é a mesma que comandava a entidade no período de todas as falcatruas. É bom lembrar que os patrocinadores colocaram em 2014 nada menos que R$ 359 milhões na CBF, o maior valor da história. Em 2007 esse valor era de apenas R$ 65 milhões.

Empresas como Nike, Itaú, Ambev, Vivo, Sadia, Chevrolet, Mastercard, Samsung, Gillette, Gol, Unimed Seguros, Michelin e EF despejam milhões de suas verbas de marketing e comunicação na CBF, muitas delas empresas de capital aberto, com ações na bolsa

Os executivos dessas marcas assistiram seguramente assustados a cena do presidenteda CBF fugir da Suíça com medo da prisão, logo após o ex-presidente da entidade ser preso em Zurique.

Mas após tudo isso aqui no Brasil não ouvimos uma única palavra das empresas. Apenas foi noticiado que os patrocinadores pediram à CBF que não aparecessem no backdrop da entrevista que o atual presidente Marco Polo del Nero concedeu assim que retornou de Zurique.

Onde estão as notas de repúdio dos patrocinadores oficiais da CBF? Por que esse silêncio, já tão comum aqui após décadas de graves denúncias? As marcas ao contrário ao longo dos anos continuaram a colocar mais e mais dinheiro. A hora era de pedir a renúncia da atual diretoria, convocar novas eleições, exatamente como ocorreu na FIFA.

Segundo o balanço da CBF em 2014 a entidade gastou R$ 200 milhões em pessoal e despesas administrativas. Todos esses recursos oriundos dos patrocinadores, sem nenhum retorno para o futebol brasileiro, apenas em despesas com salários astronômicos e a cara operação da entidade na Barra da Tijuca.

Acredito que os patrocinadores deveriam começar a se questionar qual o uso que a CBF faz dos recursos e também como circulam as comissões pagas pela intermediação dos patrocínios.

O seu descaso atual pode chamar a atenção dos milhões de brasileiros, esses sim incomodados com o atual cenário de lama que rodeia nosso futebol. E isso pode respingar em cada uma das marcas. É uma questão de tempo.

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