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Zagueiro na lateral: alternativa de Ancelotti foi solução de campeãs mundiais

Finalista da Champions League também segue tendência

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Pedro Werneck
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 20/05/2026
04:00
Carlo Ancelotti e comissão técnica à beira do campo no amistoso entre Brasil e Croácia
imagem cameraCarlo Ancelotti e comissão técnica à beira do campo no amistoso entre Brasil e Croácia (Foto: Victor Eleutério / Fotoarena / Folhapress)

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Carlo Ancelotti anunciou a convocação da Seleção Brasileira sem nenhum jogador que atuou prioritariamente como lateral-direito nesta temporada. Wesley tem ocupado a ala-esquerda na Roma. As outras opções são Danilo, lateral de origem, mas zagueiro há muitos anos, e Ibañez, outro defensor central. Esta estratégia para suprir a carência de grandes nomes no setor não é novidade. Pelo contrário, é comum no futebol europeu e já foi utilizada por campeãs mundiais recentes.

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Para o técnico Maurício Barbieri, do Juventude, a montagem de elenco do treinador italiano não foi motivada pelo desejo de seguir uma tendência tática, mas sim por falta de opções ideais.

— Eu entendo que essa escolha tem mais relação com as opções de momento da Seleção do que com uma tendência atual. Isso poderia ser interpretado por uma questão cultural. A escola europeia tem uma visão do lateral como um jogador de defesa em um sentido mais categórico do que no Brasil, que historicamente sempre viu os laterais como jogadores mais versáteis e com funções ofensivas importantes. Mas eu acho que essa leitura não seria correta, uma vez que o próprio Ancelotti trabalhou com vários laterais brasileiros e de outras nacionalidades com características ofensivas. Portanto, eu entendo que essa escolha tem mais relação com as opções disponíveis — opinou ao Lance!.

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Contexto por trás da necessidade de improviso

Em ótimo momento na Europa, Wesley foi deslocado para setor mais avançado do campo no futebol italiano, justamente por ter mais valências ofensivas do que defensivas. Assim, sua utilização como defensor na Copa do Mundo gera preocupação. Com o objetivo de montar a equipe a partir de uma primeira linha segura, a comissão técnica brasileira tinha o lesionado Éder Militão, zagueiro do Real Madrid, como primeira opção para a lateral-direita.

As demais alternativas são Danilo e Ibañez, que não fizeram nenhum jogo como laterais em 2026. O veterano rubro-negro, de 34 anos, é homem de confiança de Ancelotti e líder no vestiário da Seleção Brasileira, apesar de ser reserva no Flamengo. O outro atua no futebol saudita e foi testado na nova função apenas na última Data Fifa.

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Ibañez domina a bola para o Brasil em amistoso contra a Croácia
Ibañez domina a bola para o Brasil em amistoso contra a Croácia (Foto: Ricardo Nogueira / Sports Press Photo / Foto Arena / Folhapress)

Em entrevista antes dos amistosos mais recentes do Brasil, o italiano comentou a situação.

— Nunca faltaram laterais no futebol brasileiro, tivemos jogadores fantásticos, mas agora temos um pouco de carência nesse setor. Mas temos jogadores espertos nessa posição, o jovem Wesley está muito bem na Roma. Não tenho problema em colocar um zagueiro de lateral, o mais importante é o equilíbrio. Com um ponta que apoia muito, você não precisa de um lateral que apoie tanto. O Militão jogou muito bem contra Senegal nessa posição, o Marquinhos também já fez. Nesta convocação, quero testar o Ibañez. Podemos encontrar perfis que gerem equilíbrio no campo — explicou ao "SBT".

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Exemplos positivos para Ancelotti

O cenário não parece tão animador, mas exemplos recentes mostram que o improviso no setor é uma estratégia válida. Em 2018, a França utilizou o zagueiro Pavard na lateral-direita. Na edição anterior, o central Höwedes foi o lateral-esquerdo da campeã Alemanha.

A "crise dos laterais" também atinge o futebol de clubes. Na carência de jogadores que combinem poder ofensivo e segurança defensiva, alguns treinadores optam por abrir os zagueiros. Atual líder da Premier League e finalista da Champions League, o Arsenal de Mikel Arteta joga com dois centrais improvisados: Calafiori e Ben White. Na semifinal do torneio continental, os Gunners passaram por um Atlético de Madrid montado de forma similar por Diego Simeone.

Mikel Arteta, técnico do Arsenal, aplaude jogadores após vitória
Mikel Arteta, técnico do Arsenal, aplaude jogadores após vitória (Foto: Glyn Kirk / AFP)

Outros testados não se firmaram

Além de Militão, o lateral-direito de ofício Vanderson (Mônaco) se lesionou e não tinha condições de ser convocado para a Copa do Mundo. Jogadores do Brasileirão, como Paulo Henrique (Vasco) e Vitinho (Botafogo), também foram testados por Ancelotti, mas não convenceram o italiano a ponto de marcarem presença na lista definitiva. Sem titulares em gigantes europeus, as opções defensivas venceram a concorrência com atletas menos testados contra os principais pontas do mundo.

Laterais-direitos (ou zagueiros improvisados) chamados na Era Ancelotti:

JogadorClubeIdadeConvocações com Ancelotti

Wesley

Roma (ITA)

22

6

Vitinho

Botafogo (BRA)

26

2

Vanderson

Mônaco (FRA)

24

3

Paulo Henrique

Vasco (BRA)

29

2

Éder Militão

Real Madrid (ESP)

28

3

Danilo

Flamengo (BRA)

34

3

Ibañez

Al-Ahli (SAU)

27

2

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Convocação completa de Ancelotti

Goleiros:

  1. Alisson (Liverpool)
  2. Ederson (Fenerbahçe)
  3. Weverton (Grêmio)

Defensores:

  1. Marquinhos (Paris Saint-Germain)
  2. Gabriel Magalhães (Arsenal)
  3. Bremer (Juventus)
  4. Danilo (Flamengo)
  5. Ibañez (Al-Ahli)
  6. Wesley (Roma)
  7. Douglas Santos (Zenit)
  8. Alex Sandro (Flamengo)
  9. Léo Pereira (Flamengo)

Meio-campistas:

  • Casemiro (Manchester United)
  • Bruno Guimarães (Newcastle)
  • Fabinho (Al-Ittihad)
  • Danilo (Botafogo)
  • Lucas Paquetá (Flamengo)

Atacantes:

  • Raphinha (Barcelona)
  • Gabriel Martinelli (Arsenal)
  • Luiz Henrique (Zenit)
  • Vini Jr (Real Madrid)
  • Matheus Cunha (Manchester United)
  • Neymar (Santos)
  • Endrick (Lyon)
  • Igor Thiago (Brentford)
  • Rayan (Bournemouth)
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