Relatório da Fifa destaca Vini Jr entre os principais pontas da Copa 2026
Documento tem mais de 500 páginas com diversos destaques

Vini Jr foi citado pela Fifa como um dos jogadores que melhor representam uma das principais tendências ofensivas identificadas na Copa do Mundo. O atacante da Seleção Brasileira apareceu no relatório do Grupo de Estudos Técnicos da entidade entre os exemplos de jogadores de lado de campo usados para explicar como as equipes buscaram avançar pelo setor central e, posteriormente, explorar os corredores laterais. O documento também aponta o brasileiro como peça importante para a progressão das jogadas do Brasil.
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O estudo foi divulgado pela Fifa a partir da análise das 104 partidas do Mundial. O grupo responsável pelo levantamento contou com 11 integrantes e utilizou dados de desempenho, vídeos e observações dos jogos para identificar 11 tendências técnicas e táticas apresentadas durante a competição.
Vini Jr. como referência pelo lado esquerdo
Na análise específica sobre a progressão pelos lados do campo, a Fifa colocou Brasil e Costa do Marfim como exemplos de equipes que utilizavam inicialmente as regiões centrais para atrair a defesa adversária antes de levar o jogo para as pontas.
No caso brasileiro, a estratégia descrita no relatório consistia em fazer a bola avançar primeiro por dentro e, com a estrutura adversária concentrada nessa região, buscar os jogadores abertos. A ideia permitia que os pontas recebessem com mais espaço e partissem para situações de um contra um.
Vini Jr. foi citado justamente nesse contexto. O atacante atuou exclusivamente pelo lado esquerdo durante a competição e apareceu entre os jogadores utilizados pela Fifa para exemplificar esse tipo de progressão. O relatório o descreve como um jogador explosivo e direto, capaz de avançar com a bola e criar oportunidades a partir das conduções.

O brasileiro teve 49,8% de participação nas posses progressivas do Brasil, índice que o colocou na quarta posição da equipe nesse recorte. A Fifa também apontou que Vini Jr. esteve acima da média dos jogadores de sua posição no torneio em diferentes indicadores relacionados às posses que terminaram em ações bem-sucedidas.
A entidade também destacou a capacidade do atacante de receber aberto, acelerar, mudar de direção e enfrentar defensores individualmente. Segundo a análise, Vini Jr. e o marfinense Yan Diomande foram peças importantes para que suas respectivas seleções levassem a bola até áreas mais avançadas.
O relatório ainda relacionou o brasileiro a outro comportamento observado na Copa: o uso de pontas invertidos. Dez seleções foram destacadas por utilizarem jogadores de lado que, durante a construção e a progressão das jogadas, buscavam ocupar regiões mais internas para oferecer uma opção adicional de passe pelo centro. Vini Jr. apareceu entre os exemplos dessa tendência como ponta esquerda do Brasil.
Desempenho do brasileiro e tendências da Copa
Além da análise tática, Vini Jr. teve participação relevante na campanha brasileira no Mundial. O atacante foi titular nos cinco jogos disputados pela Seleção, acumulou mais de 440 minutos em campo, marcou quatro gols e deu uma assistência. Também foi escolhido pela Fifa como o melhor jogador das partidas contra Marrocos, Haiti e Escócia.
O especialista em futebol da Fifa e líder do Grupo de Estudos Técnicos, Pascal Zuberbühler, destacou justamente a característica de Vini Jr. de atuar aberto e buscar diretamente o gol ao analisar o comportamento do brasileiro.
– Vinicius jogou aberto na ponta esquerda, fez muitas jogadas de um contra um. É um jogador que vai direto para o gol e tem esse objetivo claro – afirmou Zuberbühler.
A utilização de Vini Jr. também aparece relacionada à forma como a Seleção foi analisada pelo grupo. O Brasil esteve entre as equipes que começaram a construção das jogadas com três jogadores na última linha, uma das 11 tendências identificadas no levantamento.

Entre os outros comportamentos observados pela Fifa estiveram a rotação frequente dos jogadores, a alteração do ponto de ataque, a pressão alta estruturada, a pressão após a perda da bola, as bolas paradas e a participação dos goleiros na construção.
O estudo também apontou mudanças na maneira como as equipes iniciavam as jogadas. Os tiros de meta curtos representaram 58% do total analisado, enquanto a saída com os goleiros caiu para 52%. Para Zuberbühler, a pressão mais alta dos adversários aumentou a participação dos goleiros na construção.
O levantamento foi produzido com aproximadamente 15 mil dados coletados ao vivo e mais de 300 vídeos. Dos 104 jogos analisados, 40% tiveram acompanhamento presencial, enquanto os demais foram observados a partir de uma central em Miami. Ao todo, o grupo produziu mais de 500 páginas de informações sobre o torneio.
Tom Gardner, responsável pelos insights de desempenho no futebol da Fifa, também destacou a variedade de modelos apresentados pelas seleções durante o Mundial e o volume de informações disponível para a preparação das equipes.
– O mais chamativo foi a variação tática das seleções. Houve muitos modelos, e todos muito bem executados. Não houve uma única grande mudança tática. Todos conseguiram explorar suas forças – afirmou Gardner.
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