Convocação da Seleção Brasileira: quem sai na frente na disputa pelo meio-campo?
Desde maio de 2025, Carlo Ancelotti já escolheu doze nomes diferentes para as posições

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A convocação da Seleção Brasileira para os compromissos da Data Fifa de março, a última antes da lista final para a Copa do Mundo de 2026, ocorrerá nesta segunda-feira (16). Neste estágio do ciclo, já é possível observar alguns padrões nas listas de Carlo Ancelotti e cravar nomes como praticamente certos no Mundial, enquanto outras lacunas ainda permanecem em aberto. A seguir, o Lance! detalha a situação dos principais nomes que disputam vaga no setor.
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Sem dúvida, muito do que representa o jeitinho brasileiro de jogar futebol passa pelo papel dos meio-campistas ao longo da história. O mundo se encantou com o "Joga Bonito", a cadência, a troca de passes e os dribles de jogadores que atuavam no setor mais cerebral do campo — um pouco distante do padrão europeu, marcado pela força física e pelo controle constante do jogo — mas que também se mostrou vencedor, ao ser o único a conquistar cinco títulos de Copa.
Portanto, é natural imaginar dias melhores na Seleção quando se resgata parte desse legado do passado e se volta a valorizar os atletas que atuam nessa caótica região do campo, sempre cercada por adversários. Embora o setor tenha passado por transformações, como tocar menos vezes na bola e realizar mais pressões individuais, e enfrente um momento atípico no futebol contemporâneo, ele ainda preserva características fundamentais para definir e vencer uma partida.
Nesse contexto, evidencia-se que Ancelotti utilizou jogadores de diferentes características desde 12 de maio de 2025, quando foi anunciado como treinador da Canarinho. No período, doze jogadores diferentes foram convocados para atuar nas posições de volante e meio-campo: João Gomes, Éderson, André, Fabinho, Joelinton, Andrey Santos, Jean Lucas, Gerson, Bruno Guimarães, Casemiro, Lucas Paquetá e Andreas Pereira.
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Quem já está na Copa? 🤝
Apenas dois jogadores do grupo estiveram presentes em todas as quatro convocações de Ancelotti na Seleção até o momento: Casemiro, como primeiro homem, e Bruno Guimarães, como segundo. Tudo indica que essa será a dupla de volantes titular na Copa. Apesar de já terem participado do último Mundial pelo Brasil, a trajetória de ambos ao longo do ciclo é reveladora.
Aos 33 anos, Casemiro voltou a ser convocado para a Seleção apenas com a chegada de Ancelotti, após um ano e meio longe das listas. No Manchester United, chegou a perder espaço, mas reconquistou a titularidade ainda sob o comando de Rúben Amorim e hoje é peça imprescindível para Michael Carrick. Trata-se de um nome experiente, com duas Copas no currículo, conhecido por Ancelotti desde o Real Madrid, referência física e técnica, mas que precisará ter atenção aos cartões amarelos, pois a eliminação para a Bélgica em 2018 ocorreu quando não atuou devido à suspensão.
Bruno Guimarães, por sua vez, ganhou cada vez mais espaço com o passar do tempo. Presente em todas as listas, independentemente do técnico — seja Fernando Diniz, Dorival Júnior ou Ancelotti —, é o pilar na transição entre defesa e ataque do Brasil. Além disso, é o único jogador a iniciar como titular em todos os oito jogos de Carletto na Seleção. No âmbito dos clubes, seu momento no Newcastle reforça seu status como um dos maiores jogadores da história do clube, posição que deve refletir em seu protagonismo na Amarelinha, especialmente após a Copa de 2022, quando atuou aquém de seu potencial.
Agora surge a dúvida sobre quem assumirá a reposição imediata caso algo aconteça com os dois titulares definidos. A incerteza é tamanha que Ancelotti, nas últimas oportunidades, não chamou tantos nomes para a posição e deu preferência a alternativas tanto na defesa quanto no ataque, com, no máximo, cinco jogadores para o meio por chamada.
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Quem vai para a Copa? ✈️
Com base na expectativa de que o italiano não deva cometer surpresas às vésperas do Mundial, o óbvio seria indicar dois jogadores. O primeiro é Andrey Santos (três convocações e três jogos no ciclo), que vive uma fase de ascensão no Chelsea, especialmente após a chegada de Liam Rosenior. O volante tem atuado mais tempo em campo e recebido elogios da imprensa e da torcida inglesa. Trata-se de um jogador ágil para girar de costas e assumir a responsabilidade de conduzir a bola desde a defesa para iniciar as jogadas. Segundo homem de origem, também atua como cabeça de área.
O outro seria Lucas Paquetá (três convocações, seis jogos, um gol e uma assistência). Nome que já esteve na última Copa, é um coringa no setor, capaz de atuar como segundo volante ou como terceiro homem (camisa 10) no meio-campo. Desde o ciclo anterior, muita coisa aconteceu na vida do jogador dentro e fora de campo, e seu desempenho no Flamengo até o momento não se mostrou um argumento adicional para o técnico, que já o convocava desde os tempos de West Ham.
Há (muitos) outros bons nomes, mas que correm por fora. A começar pela dupla do Wolverhampton, que, apesar de a equipe ocupar a lanterna da Premier League, apresenta boas notícias na temporada: João Gomes e André. O Garoto do Ninho já vem sendo observado por clubes maiores devido ao desempenho consistente, especialmente na função de segundo homem do meio-campo, seguro defensivamente. O Moloque de Xerém também é reconhecido, embora com menor destaque, e ainda não atinja o mesmo nível demonstrado no Brasil, mas apresenta potencial para tal.
Companheiro de Bruno no clube, Joelinton é mais uma opção, com potencial físico e capacidade de marcação, além de infiltrar-se como elemento surpresa no ataque; vale lembrar, atuava como centroavante até recentemente. Outro nome polivalente é Éderson, um dos poucos convocáveis do futebol italiano, chamado apenas uma vez sem atuar, que corre por fora.
Uma história curiosa é a de Fabinho, cuja trajetória se assemelha à de Casemiro. Não por acaso, ele foi convocado após um "pedido" do titular em entrevista pós-jogo da Seleção, por ser visto como um jogador com características semelhantes às do volante de área. O fato de atuar na Arábia Saudita e ter disputado apenas um jogo no ciclo afasta-o desta convocação e da Copa, mas ainda se trata de um nome historicamente experiente e reconhecido.
No futebol brasileiro, nomes muito pedidos pelo torcedor atualmente não são lembrados. Jean Lucas segue titular no Bahia, mas ainda não alcançou desempenho suficiente para ser convocado. O coringa Gerson deixou a Rússia rumo ao Cruzeiro e até o momento não correspondeu às expectativas. Andreas Pereira, do Palmeiras, apesar de viver o melhor momento entre os três e ter capacidade de atuar como segundo e terceiro homem, permanece entre os elegíveis, sem garantias de chamada.
Ainda existem possíveis surpresas, mesmo não sendo as mais esperadas, pois não se pode ignorar as notícias voltadas à pré-lista desta convocação de março. Nomes como o de Danilo, do Botafogo, surgem como jogador completo, com o diferencial de ser canhoto. Gabriel Sara, que já atuou como ponta, meia-atacante e volante, também pode receber sua primeira oportunidade na carreira.
Com base em todas essas informações e considerando que todos estarão saudáveis e disponíveis para a Copa, o cenário indica Casemiro e Bruno Guimarães como titulares, Andrey Santos como reserva e os demais jogadores disputando uma ou duas vagas. Abaixo, veja a lista de volantes e meias utilizados durante a gestão de Ancelotti na Seleção:
| Jogador | Clube | Convocações | Cortes | Jogos | Gols | Assistências |
|---|---|---|---|---|---|---|
João Gomes | Wolverhampton (ENG) | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 |
Éderson | Atalanta (ITA) | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 |
André | Wolverhampton (ENG) | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 |
Fabinho | Al-Ittihad (KSA) | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 |
Joelinton | Newcastle (ENG) | 2 | 1 | 1 | 0 | 0 |
Andrey Santos | Chelsea (ENG) | 3 | 0 | 3 | 0 | 0 |
Jean Lucas | Bahia (BRA) | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 |
Gerson | Cruzeiro (BRA) | 1 | 0 | 2 | 0 | 0 |
Bruno Guimarães | Newcastle (ENG) | 4 | 0 | 8 | 1 | 2 |
Casemiro | Manchester United (ENG) | 4 | 0 | 7 | 1 | 1 |
Lucas Paquetá | Flamengo (BRA) | 3 | 0 | 6 | 1 | 1 |
Andreas Pereira | Palmeiras (BRA) | 2 | 0 | 1 | 0 | 0 |

Camisa 1️⃣0️⃣
Mas, se falamos do terceiro homem do meio, onde estão os "camisas 10 clássicos"? A figura do ponta de lança brasileiro sempre esteve presente nas conquistas nacionais. Não por acaso, fomos campeões em 1970 com cinco "camisas 10" entre os titulares. Hoje, parece difícil encontrar sequer um jogador com esse perfil para a Seleção.
Claro que a posição também passou por mudanças, mas pode se tratar de uma questão cultural. A vizinha Argentina, por exemplo, não deixou de produzir esse tipo de jogador. No caso do Brasil, questiona-se a transição de alguns atletas de base dessa função, que atuam mais próximos às pontas no futebol profissional; Estevão é o exemplo mais recente.
De todo modo, Ancelotti mantém atenção a essa figura, como fez com Kaká em seu histórico Milan na década de 2000. A posição poderá ser ocupada por um meio-campista ou por um jogador de ataque deslocado, como ocorreu com Raphinha, que teve bom desempenho, ou com Rodrygo, fora da Copa por lesão.
Matheus Cunha, frequentemente escolhido por Ancelotti, alterna entre centroavante e meia-atacante, embora sua característica histórica indique maior afinidade com a função de meia, como demonstrou na carreira, inclusive no Red Devils. Já citado, Paquetá também passou por essa posição e apresentou bons momentos.
Ancelotti sempre se mostrou um técnico equilibrado na carreira, adaptando-se a desenhos táticos e priorizando o balanço ofensivo e defensivo de suas equipes. No recorte brasileiro, valorizou a fase ofensiva e chegou a utilizar um 4-2-4 em certos momentos, com o meio mais exposto. Agora, terá seus testes mais difíceis antes da Copa, contra a França (26 de março) e Croácia (31 de março), e resta observar como se comportará diante de seleções que privilegiam a posse de bola e utilizam muitos jogadores naquela região.
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