Ida de Michel Bastos a evento de pôquer não pegou bem no São Paulo
Meia esteve em encontro na capital paulista na noite da última quarta-feira. Nesta quinta, ele não treinou alegando problemas familiares. Diretoria se desaponta com exposição

A situação de Michel Bastos, 33 anos, no São Paulo, que já era ruim, piorou nesta semana. Não pegou bem no clube a ida do meia a um evento de pôquer na capital paulista na última quarta-feira à noite. A diretoria não questiona o direito de o jogador fazer o que quer em um momento livre, até porque o volante Wellington também esteve presente, mas entendeu que a exposição foi mais um sinal de que Michel está pouco comprometido com sua recuperação ainda este ano, algo que era esperado pela cúpula.
A situação foi agravada pela ausência de Michel Bastos no treino desta quinta-feira pela manhã. A falta foi justificada pelo atleta com um problema familiar, algo que a diretoria disse ter compreendido. No entanto, a sequência dos fatos expôs ainda mais negativamente Michel com os torcedores, algo com que ele deveria se preocupar neste momento difícil, ainda na visão dos dirigentes.
Nas redes sociais, o jogador foi muito repreendido com a notícia sobre sua ida ao pôquer e a falta ao treino no dia seguinte. Dias atrás, uma imagem dele na piscina com amigos já tinha viralizado. No auge da perseguição, torcedores organizados protestaram com um sósia do jogador com uma garrafa de cerveja na mão, sugerindo consumo de álcool.
O desapontamento maior no São Paulo é porque a diretoria tem tentado dar amparo ao jogador no momento difícil. No mês passado, enquanto Michel pensava em deixar o clube pela má fase e a perseguição de parte da torcida, o diretor-executivo Marco Aurélio Cunha conversou com ele, demonstrou apoio e o convenceu a continuar. Mas não houve melhora do camisa 7 desde então, na avaliação do clube. Marco falou sobre o assunto.
- Acho que o atleta tem de se policiar. Eu não sei se ele jogou pôquer, eu não vi. As pessoas estão dizendo. Eu respeito muito a privacidade de cada um, mas se você se expõe, você está dando oportunidade a seus inimigos, a quem não gosta de você, a falar alguma coisa. Eu peço aos meninos, outro dia jogamos num sábado e tinha folga até na segunda, veja lá com quem você estão, é um pouco paternal isso. E no adulto, claro, ele deve saber o que deve fazer ou não. Lamento por ele porque cada vez entra um clima negativo e a gente está dando tudo que pode para ele ser o melhor profissional possível no São Paulo. Continuamos contando com ele, cobrando de forma correta, profissional e a vida privada é dele, faz o que quiser. Ele tinha a manhã para cuidar de problemas familiares, isso foi oferecido e espero que a coincidência não seja essa, de ter jogado pôquer - disse o dirigente, em entrevista à ESPN.
Michel Bastos foi titular contra o Sport, no empate por 1 a 1 na Ilha do Retiro, mas depois voltou a não ser mais relacionado. O técnico Ricardo Gomes justifica a barração do jogador com sua condição física e técnica abaixo dos demais, além do fator psicológico. Michel foi um dos jogadores agredidos na invasão de torcedores organizados ao CT em agosto, com Carlinhos e Wesley. A reação do volante, no entanto, diferente do meia e passou a ser usada como exemplo de superação, enquanto a de Michel, de abatimento.
A diretoria do São Paulo continuará tentando dar respaldo a Michel Bastos, pois não é interessante para o clube uma desvalorização ainda maior do atleta. A intenção é envolvê-lo como moeda de troca na busca por reforços para 2017. Já surgiram clubes interessados e o Tricolor trabalha com a informação de que o meia não interessa ao Cruzeiro. O São Paulo cogitava uma troca pelo atacante Willian. Michel tem mais um ano de contrato.
Michel Bastos não dá entrevistas desde que foi agredido no CT da Barra Funda. No evento de pôquer, se recusou novamente a falar com a imprensa. Nesta quinta, o LANCE! tentou contato com a assessoria de imprensa do jogador para saber se ele gostaria de comentar sobre o assunto, o que foi negado. Apenas a informação de que a competição de pôquer era um evento beneficente, com o qual o meia quis colaborar, foi divulgada. Capitão do São Paulo, o zagueiro Maicon elogiou o companheiro, mas disse que o assunto era da diretoria também nesta quarta.
- Acredito que cada jogador reage de uma maneira. Independentemente de fase boa, Michel sempre teve comprometimento no trabalho. Se ele foi liberado pela diretoria, não cabe a mim falar de Michel Bastos. É um grande companheiro, sempre deu seu melhor. Claro que cada um sempre tem seus problemas particulares, e tem de resolver extracampo. Mas deixo isso para a diretoria resolver - disse o zagueiro.

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