Entre Neymar e o Z4, Santos busca equilíbrio para reagir no Brasileirão
Peixe está na 14ª colocação na tabela do Brasileirão

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O Santos atravessa uma fase em que quase tudo parece passar pelos pés de Neymar. A presença do camisa 10 muda o peso das partidas, altera o comportamento do adversário e dá ao torcedor santista a sensação de que sempre pode surgir alguma coisa diferente quando a bola chega ao seu principal jogador. Ainda assim, o cenário que se desenha no Brasileirão permanece desconfortável. O Peixe subiu para a 14ª posição depois do empate por 2 a 2 com a Chapecoense, chegou aos 22 pontos e ganhou algum espaço na classificação, mas continua próximo demais da zona de rebaixamento para tratar a situação como um problema resolvido.
Existe uma contradição incômoda no momento santista. O clube tem um dos jogadores mais talentosos de sua história à disposição, alguém capaz de decidir uma partida em uma jogada. Ao mesmo tempo, a equipe ainda não encontrou uma maneira de sobreviver com mais segurança quando o jogo exige organização, consistência e maturidade coletiva. A dependência de Neymar aparece justamente nesse espaço entre o talento individual e a fragilidade do conjunto.
O empate diante da Chapecoense foi um retrato bastante fiel dessa fase. O Santos começou melhor, teve domínio territorial, criou oportunidades e abriu o placar com Neymar. Depois, perdeu o controle da partida, sofreu dois gols e precisou recorrer novamente ao camisa 10 para evitar uma derrota dentro de casa. Aos 40 minutos do segundo tempo, foi dele a cobrança de pênalti que garantiu o 2 a 2. O ponto conquistado impediu um desastre maior, mas também deixou uma sensação difícil de ignorar: mesmo quando Neymar aparece, o Santos ainda não consegue transformar sua principal vantagem técnica em uma campanha tranquila.
Neymar virou solução para todos os problemas do Santos
A dependência não precisa ser entendida apenas pela quantidade de gols ou assistências. Ela também está na maneira como o time se comporta quando o camisa 10 está em campo. Neymar é o jogador que recebe a bola quando a equipe precisa respirar, aquele que tenta acelerar quando o adversário recua e também quem assume a responsabilidade quando o resultado começa a escapar. Há uma expectativa permanente de que alguma coisa aconteça a partir dele, uma cobrança que cresce justamente porque o restante do time ainda não oferece respostas suficientes.
No reencontro com a torcida depois da pausa provocada pela Copa do Mundo, o roteiro ficou evidente. O Santos teve um primeiro tempo em que conseguiu controlar as ações e encontrou em Neymar a referência para organizar o ataque. O camisa 10 participou da construção, procurou os companheiros e marcou o gol que colocou o Peixe em vantagem. Durante aquele período, a equipe parecia ter encontrado um caminho relativamente claro: manter a posse, ocupar o campo ofensivo e deixar o talento de seu principal jogador conduzir as decisões próximas à área.
A história mudou depois do intervalo. A Chapecoense encontrou espaços, o Santos perdeu força e a vantagem desapareceu rapidamente. Em uma situação como essa, o time deveria ter recursos coletivos para controlar o ritmo, reduzir os riscos e proteger o resultado. Não conseguiu. Quando a partida caminhava para uma derrota diante do lanterna do campeonato, novamente a solução apareceu na figura de Neymar.
Esse tipo de situação revela um problema que vai além da dependência de um craque. O Santos ainda não parece ter construído uma estrutura capaz de potencializar o camisa 10 sem transformar cada partida em uma espécie de teste de resistência. Quando Neymar está inspirado, a equipe ganha uma dimensão diferente. Quando ele precisa ser decisivo durante os 90 minutos, entretanto, o time corre o risco de concentrar responsabilidades demais em um único jogador.

O próprio contexto físico reforça essa questão. Depois da Copa do Mundo, Neymar foi preservado da viagem para o duelo contra a Universidad Central, pela Copa Sul-Americana, em um movimento de controle de carga. A preocupação é compreensível diante do histórico recente do atacante, mas também evidencia o tamanho do desafio santista. O time precisa estar preparado para competir quando seu principal jogador não estiver disponível ou quando não tiver condições de atuar em intensidade máxima.
Pontos continuam escassos
A tabela talvez seja o indicador mais cruel para medir o atual momento do Santos. Com 22 pontos, a equipe ocupa a 14ª colocação, mas continua olhando para baixo. A melhora na classificação depois do empate com a Chapecoense não representa, necessariamente, uma mudança de patamar. É uma fotografia de um campeonato equilibrado na parte inferior, em que uma vitória pode significar um salto de posições e uma sequência negativa pode empurrar rapidamente um clube para dentro do Z4.
Oito segundos antes: a inteligência artificial que tenta prever o futebol
A conta feita por Cuca ajuda a dimensionar a pressão. O treinador apontou os 45 pontos como uma referência para escapar do rebaixamento e calculou que o Santos precisaria conquistar pelo menos mais 23 pontos nas 18 rodadas restantes para alcançar essa marca. A matemática parece administrável quando distribuída ao longo de tantos jogos, mas a realidade de uma equipe que ainda apresenta oscilações importantes torna o desafio mais complexo.
O que preocupa não é apenas a pontuação atual, mas a maneira como ela foi construída e a dificuldade para transformar boas atuações em vitórias. Contra a Chapecoense, por exemplo, o Santos teve volume ofensivo, finalizou mais de 20 vezes e conquistou 11 escanteios. Ainda assim, deixou escapar uma partida que parecia sob controle e precisou de um pênalti convertido por Neymar para sair com um ponto.
O Santos também precisa olhar para o outro lado do campo. Os dois gols sofridos contra a Chapecoense chamaram a atenção de Cuca porque, em ambos os lances, a equipe tinha jogadores suficientes para impedir a conclusão das jogadas. O treinador destacou que havia superioridade numérica na área, mas faltaram posicionamento e coordenação para transformar essa vantagem em segurança.
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Esse aspecto é especialmente relevante porque a dependência de Neymar não se limita ao ataque. Quanto mais o time precisa do camisa 10 para marcar, criar e decidir, maior se torna a pressão sobre o sistema defensivo para não permitir que qualquer erro coloque a equipe novamente em uma situação de emergência. O Santos, porém, ainda comete falhas que obrigam o setor ofensivo a correr atrás do prejuízo.
Santos precisa transformar talento individual em força coletiva
O retorno de Neymar ao Brasileirão depois da Copa do Mundo trouxe exatamente aquilo que a torcida esperava dele: gols, protagonismo e a capacidade de aparecer nos momentos decisivos. O problema é que a presença do craque, sozinha, não alterou completamente a realidade do Santos. O time segue próximo da zona de rebaixamento, continua cometendo erros que poderiam ser evitados e ainda não encontrou uma regularidade capaz de transformar seu potencial em uma campanha segura.
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Há, portanto, uma espécie de paradoxo no caminho santista. Quanto mais Neymar joga bem, mais evidente fica a diferença entre o que ele consegue produzir individualmente e o que o time entrega coletivamente. O camisa 10 pode abrir caminhos, criar oportunidades, marcar gols e assumir a responsabilidade nos momentos de maior pressão. Não pode, porém, ocupar todos os espaços ao mesmo tempo, corrigir cada falha defensiva ou garantir sozinho os 23 pontos que Cuca calcula como necessários para alcançar a marca de segurança.

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