Fã de sertanejo, Gómez se espelha em Arce e quer vida longa no Palmeiras
Por enquanto emprestado, zagueiro paraguaio já planeja continuar no Verdão, que deverá comprá-lo em breve. Ainda que há pouco tempo no Brasil, ele já se sente em casa

Há pouco mais de sete meses, Gustavo Gómez pensava em deixar o Milan (ITA) diante das poucas oportunidades na equipe italiana. O zagueiro poderia ter continuado na Europa, em um clube menor, mas decidiu que precisava voltar a se destacar em um time campeão. Foi então que escolheu o Palmeiras, mesmo tendo sido procurado, também, por Boca Juniors (ARG) e Flamengo.
Ele viveu só a metade de seu período de empréstimo com o Verdão, mas o semestre na cidade de São Paulo (SP) foi suficiente para o paraguaio saber que deseja continuar por mais alguns anos por aqui. Já fã de música sertaneja e da vida no Brasil, o camisa 15 foi peça-chave na conquista do título brasileiro e ganhou a torcida alviverde.
Em entrevista ao LANCE!, Gómez contou como conseguiu adaptar-se tão rapidamente - muito mérito do elenco alviverde e da estrutura dada na Academia de Futebol. Por isso, a vontade de criar uma história longa no Palmeiras, inclusive inspirando-se no conterrâneo Chiqui Arce. O ex-lateral-direito jogou por cinco anos pelo Verdão, fez 241 jogos e conquistou cinco títulos: Copa do Brasil (1998), Mercosul (1998), Libertadores (1999), Rio-São Paulo (2000) e Copa dos Campeões (2000).
O desejo no clube não é diferente. A diretoria nem quis analisar a sondagem de um time mexicano, disposto a pagar R$ 75 milhões por Gustavo Gómez. Isto porque o contrato de empréstimo, válido até o meio deste ano, prevê obrigação de compra, caso o zagueiro atue em mais da metade dos jogos no período. O Verdão irá exercê-la e investirá ao fim do processo cerca de 6 milhões de euros (1,5 milhão pelo empréstimo, mais 4,5 milhões para comprá-lo), ou R$ 25,7 milhões.
- As conversas (do interesse mexicano) seguramente foram com meu representante, eu não me meto. Cheguei tem pouco tempo, há seis meses, não é momento de falar disso. Quero fazer o melhor para o Palmeiras me contratar, para ficar muito tempo aqui. Como todos sabem, no meu contrato está estipulada uma porcentagem de jogos (para ser comprado) e eu trabalho para que isto aconteça para seguir aqui no Palmeiras - afirmou Gómez.
O paraguaio deve ser titular nesta quarta-feira, quando o Verdão estreia na Libertadores, diante do Junior Barranquilla, na Colômbia. Ele falou sobre a expectativa em cima do torneio e muito mais. Confira abaixo a a entrevista exclusiva com o defensor palmeirense:
LANCE!: A que se deve uma identificação tão rápida ao Palmeiras, a ponto de nem se iniciar conversas com possíveis interessados de fora do Brasil?
Gustavo Gómez: Desde que cheguei, falei que a adaptação foi muito boa, graças aos companheiros, ao corpo técnico e ao clube, que dá tudo. Estou muito feliz pelo rendimento também, espero seguir neste caminho e dar o melhor sempre para o Palmeiras. É muito mais fácil a adaptação quando te tratam bem, o companheiro dá apoio nos treinos e nos jogos. A estrutura do Palmeiras é muito boa e isto ajuda. Por isso agradeço tanto.
- O que você já sabia do Palmeiras quando começou a negociar e o que surpreendeu quando chegou?
Antes de vir, sabia que passaram paraguaios como o Arce, um jogador histórico, e também antes de vir eu falei com Lucas Barrios, que falou o que era o clube e isto facilitou minha chegada. O Alexandre (Mattos, diretor de futebol) me deu toda confiança para vir, também, e a verdade é que estou muito contente de tomar a decisão (de fechar com o Palmeiras).
- Muitos veem semelhança no seu estilo de jogo e do Gamarra. Você concorda?
Obviamente fico contente por me compararem a um jogador como o Gamarra. Fez uma grande carreira, mas eu sempre digo que quero fazer minha história, minha carreira, e o Paraguai tem outros defensores históricos como Paulo da Silva, Celso Ayala, que também foram grandes.
- Uma de suas maiores qualidades no Palmeiras é a capacidade de sair para dar o bote nos atacantes. É um pedido de Felipão para você?
Sim, ele trabalha muito a parte defensiva, por isso o Palmeiras joga tão bem defensivamente. Ele pede que um zagueiro acompanhe o atacante e o outro fique na sobra, não gosta tanto que jogue em linha e estamos fazendo bem. Obviamente nos adaptamos a cada técnico, a cada equipe e faço o que o técnico me pede.
- Você jogou praticamente só com Luan no Palmeiras e agora atuará com outro defensor, por conta da lesão dele. O que muda?
O Luan é um jogador jovem, mas já com muita experiência e facilita jogar com ele. Nos entendemos bem, fizemos grandes partidas e tomara que se recupere logo para o ter em breve conosco. Nos treinos nós também atuamos com Dracena, Antônio Carlos, o profe Felipão muda muito nos treinos e no próximo jogo veremos quem vai jogar. Se for com um dos dois, estarei encantado.
- O que esperar do Junior Barranquilla nesta estreia de Libertadores?
O profe está falando da equipe do Junior, sabemos que sempre joga a Libertadores, é um time rápido, que em Barranquilla, com o clima, vai ser difícil, mas o grupo está preparado para atuar da melhor maneira.
- Ano passado o Palmeiras ficou a um jogo de chegar à final da Libertadores. Como encarar a competição neste ano?
É um torneio sempre complicado, na fase de grupos precisa sair bem, tratar de classificar, fazer bons jogos e ver como vai chegar na fase final. Ano passado estivemos perto e o grupo está preparado para disputar a Libertadores.
- Outro torneio importante para você neste ano é a Copa América. Juan Carlos Osorio saiu recentemente da seleção paraguaia, e o Eduardo Berrizzo assumiu. Qual a expectativa de vocês?
Sonhamos fazer uma boa Copa América, é um sentimento entre todos. Temos um time jovem, que já está há bastante tempo juntos. Será um grande desafio, vamos ter amistosos em março, conheceremos o novo corpo técnico e tomara que dê certo, que possamos nos adaptar ao novo estilo de jogo e chegar bem na Copa América.
- O que aprendeu no pouco tempo que conviveu com Osorio?
Como todos sabem, Osorio é um treinador muito bom, de nível mundial. Infelizmente saiu, mas o futebol é assim, no pouco tempo que estivemos juntos foi um técnico que gostava muito de sair jogando, de um time vertical. Agora teremos outro projeto, mas vamos ter nossa cabeça no Paraguai, adaptar o sistema de jogo e fazer uma boa Copa América.
- O quanto mudava para você na forma de jogo de Osorio e na que Felipão pede aqui no Palmeiras?
Já tive muitos técnicos na carreira e você precisa se adaptar ao que pedem. Cada um tem sua característica, mas eu me sinto muito bem e identificado como joga o Felipão e com o que tem de fazer o defensor com ele. Se tem possibilidade de sair jogando, ele pede para que a gente saia jogando. É também minha característica, creio que estou cumprindo.
- E quanto à sua vida no Brasil, já se considera adaptado? O que gosta de fazer?
Estou casado, tenho uma filha, vivo perto do CT. No Brasil tem muitos jogos, é de casa para o clube, e do clube para casa. Quando estou de folga, levo minha filha à escola. Aproveito muito, sou um homem de família.
- Em pouco tempo você se entrosou com o elenco, aparece muitas vezes brincando, até com alguns cortes de cabelo diferentes. De onde veio a ideia de primeiro descolorir e agora de voltar ao tradicional?
Falando com os companheiros, eu gosto de mudar o estilo e era para isso, um estilo de verão. Já passou e agora tenho outro corte mais normal (risos).
- O que você mais gosta no Brasil?
A música. Eu gosto muito, é o que aproveito bastante, porque tem muitos estilos diferentes e aproveitamos. Eu gosto de vários cantores, Felipe Araújo, Gusttavo Lima, gosto de música sertaneja, que vamos ouvindo no vestiário. Com a tecnologia aprendemos pelo Spotify tudo que escutam no Brasil. A comida não é muito diferente da paraguaia, mas também me chama a atenção.
- Aos 25 anos, você foi campeão por todos os clubes que passou, Libertad (PAR), Lanús (ARG), Milan (ITA) e agora Palmeiras. O que almeja na carreira?
Estou fazendo uma boa carreira, pessoalmente, sou abençoado, tive realmente a possibilidade de ser campeão em todos os times que joguei. Estive na Liga Argentina, fui para a Europa, aprendi muito em uma grande equipe, com grandes jogadores. O desafio era sair do Milan e pelear por grandes coisas. Por isso decidi pelo Palmeiras. Poderia seguir na Europa por equipes menores, mas a minha intenção era ganhar coisas importantes, ser campeão. Estou feliz aqui no Palmeiras, quero continuar sendo campeão aqui. É o que quero, conquistar o Paulista, Brasileirão, Copa do Brasil... todos.
- Aproximar-se do que Arce conseguiu no Palmeiras é um exemplo?
Sim, é a ideia. Como disse, estou bem feliz aqui, quero seguir ganhando títulos, porque o clube merece, por como está, pelo que dá, e espero que siga assim.
- Em seus 22 jogos pelo Palmeiras, o time não sofreu gols em 14 deles. Você acompanha estes números, influenciam no seu trabalho?
É um orgulho, o defensor tem que defender, se possível deixar sempre o gol sem ser vazado. Creio que defensivamente a equipe está bem e esperamos continuar assim.

Palmeiras
Lucas Evangelista engata maior sequência como titular e se consolida no Palmeiras
Há 3 horas
Futebol Nacional
Flamengo e Palmeiras participarão da Messi Cup 2026; confira
Há 12 horas
Fora de Campo
Neto ironiza relação entre Palmeiras e Vasco: 'Se fosse o Corinthians'
Há 13 horas
Palmeiras
Palmeiras tem oito jogadores convocados na Data Fifa; veja calendário completo
Há 16 horas
Fora de Campo
Neto comenta interesse de europeu em Abel Ferreira, do Palmeiras: 'Rezando'
Há 17 horas
Futebol Nacional
Opinião: ressalvas à parte, os nossos estrangeiros também não são os melhores
Há 17 horasMais LANCE!

MPSP recomenda 4 mil ingressos para torcida do Fluminense contra o Palmeiras

Como um jogador estrangeiro pode se naturalizar brasileiro? Veja as regras

Abel recebe sondagem do Sporting, e Palmeiras se apoia em contrato

Entenda como a nova regra de jogadores estrangeiros afetará o Palmeiras

Paulinho intensifica recuperação durante Data Fifa, e Palmeiras busca 'zerar' DM

Duas semifinais e duelo com o Flamengo: a corrida do Palmeiras pela tríplice coroa

Regra dos 12 jogos no Brasileirão e times B entram na mira de CBF e clubes

Seleção Brasileira: o que esperar das novidades da lista de Ancelotti após a Copa do Mundo

Dos clubes à Seleção: os impactos da redução do limite de estrangeiros no Brasileirão

Clubes aprovam redução de estrangeiros no Brasileirão

Copa do Brasil terá aumento de premiação, mas parte do valor terá destino obrigatório

Uruguai convoca Emiliano Martínez, do Palmeiras, após lesão de Valverde

Palmeiras vê Flamengo ampliar vantagem e não depende mais de si para vencer o Brasileirão


