Genaro é suspenso por um ano no Palmeiras e detona presidente do CD; Nobre renuncia vaga no conselho
Os dois foram punidos por terem levado a oferta da Blackstar para patrocinar o clube, que depois disse ter recebido documentos falsos dessa empresa. Nobre agora é apenas sócio

O parecer da sindicância do "caso Blackstar" foi votado na noite desta quinta-feira e suspendeu Genaro Marino por um ano de qualquer atividade no Palmeiras. José Carlos Tomaselli, Ricardo Galassi e Paulo Nobre foram advertidos, e o ex-presidente abriu mão de todos os seus direitos políticos no clube diante de sua divergência com a atual gestão.
A investigação foi aberta depois de a chapa de oposição, encabeçada por Genaro e apoiada por Nobre, levar a Maurício Galiotte proposta da Blackstar para patrocinar o Verdão por dez anos e um contrato de R$ 1 bilhão. O presidente encerrou as conversas ao dizer que a empresa apresentou documentos falsos, decidindo renovar por mais três anos com a Crefisa e Faculdade das Américas, empresas de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, principais figuras da situação no Conselho Deliberativo do clube.
A forma como o processo ocorreu incomodou bastante a Genaro, que foi vice nas duas gestões de Paulo Nobre e tem longa vida política no clube. De acordo com ele, o presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim Del Grande, agiu incorretamente ao longo da sindicância. Após a punição, que o impede de entrar na sede social por 12 meses, o ex-candidato avalia se levará o caso para a Justiça comum.
- O Seraphim colocou a votação (da sindicância) como se eu fosse apenas um associado, não um conselheiro. Pelo item 36 do estatuto, que ele sugeria nos punir, a votação precisa ser da maioria no número total do conselho, não de presentes. Ou seja, eram necessários 141 votos para que me considerassem culpado. Ele passou como se eu fosse apenas um associado, e assim votou apenas com a maioria dos presentes - alegou Genaro ao LANCE!.
O parecer da sindicância foi aprovado com 122 votos, sendo 76 contrários e 22 abstenções. Ele continua a argumentação de que todo o processo da sindicância foi irregular.
- Foi chamada a atenção das irregularidades da sindicância. As pessoas que assinaram a requisição (da sindicância) foram as que participaram da sindicância e as que julgaram. É muita cara de pau, é uma aberração. O que o Seraphim está fazendo vai ficar para a história: um presidente do Conselho que não segue o estatuto e faz o que quer. Como eles tem conselheiros nomeados na diretoria, para não perder cargo votam com ele. Não falam nada. E tem outro agravante, o artigo 47 diz que se um conselheiro for julgado, por serviços prestados precisa de uma consideração diferente. Eles não me consideraram como conselheiro vitalício e vice-presidente - continuou.
- Faltando 15 dias para a votação, fui convidado pelo presidente da sindicância, que me sugeriu assinar um documento dizendo que fui induzido a um erro e que pediria desculpas, para dar a mesma advertência que deram ao Paulo, ao Tomaselli e ao Galassi. Eu disse que não iria assinar a carta, porque fiz tudo de boa fé, acreditando nos documentos que me apresentaram e pedindo para que eles analisassem também - acrescentou.
Genaro foi à reunião no clube nesta quinta à noite para se defender; Nobre, não. Fora de todos os eventos no Palmeiras desde que rompeu com Maurício Galiotte, seu então braço direito e sucessor, o ex-presidente abriu mão de sua vaga vitalícia no Conselho Deliberativo e no Conselho de Orientação e Fiscalização. A decisão é uma forma de mostrar contrariedade com os rumos da política alviverde desde 2017.
Nobre já não comparece há quase três anos no Verdão e voltou a disputar corridas de rally ao redor do mundo. Genaro e Tomaselli eram vices na primeira chapa de Galiotte, mas também romperam com o atual mandatário e estavam na chapa de oposição, derrotada no fim do ano.
O ex-presidente já estava decidido a abrir mão de seus direitos políticos em fevereiro, quando foi convidado a prestar esclarecimentos sobre a proposta da Blackstar. Na ocasião, ele enviou uma carta a Seraphim Del Grande, pedindo que ao término da sindicância ele fosse retirado do Conselho Deliberativo, por "não ter mais a menor motivação de militar na política do clube". A oficialização veio depois da votação desta quinta.

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