Remo aposta em experiência de Osorio e ex-jogadores da Série A; veja entrevista
Equipe azulina tem Marcelo Rangel como referência técnica e velhos conhecidos

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O Remo anunciou em dezembro a contratação de Juan Carlos Osorio para comandar o time em 2026. Aos 64 anos, o treinador colombiano retorna ao futebol brasileiro após passagens por Athletico, São Paulo, Tijuana, do México, América de Cali, da Colômbia, e seleções do México e Paraguai.
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A chegada do treinador ao clube traz de volta o famoso rodízio ao futebol brasileiro. Osorio tem como característica variar as escalações e o modelo de jogo no decorrer de cada partida. No Remo, ele é direto ao confirmar que vai manter o estilo buscando o controle das partidas.
- As estruturas (táticas) que utilizo é com um goleiro e quatro jogadores na linha de defesa. Mas também usamos outra com um goleiro e três defensores. Vamos ter variações (de esquema tático), mudanças de jogadores (a cada partida). A ideia sempre vai ser a mesma, ficar com a bola, manter a posição. Tratar de controlar o jogo com a bola e dominar o espaço, porque é muito difícil dominar o jogo. Controlar pode ser, mas com o talento podemos impor o nosso jogo - garantiu o treinador em entrevista exclusiva ao Lance! antes da estreia do Remo no Brasileirão contra o Vitória, nesta quarta-feira, 28.
E o rodízio de Juan Carlos Osorio vem sendo visto desde os primeiros jogos do Remo em 2026. Na Supercopa Grão-Pará, acerca de 15 dias, o treinador entrou em campo com a base de 2025, tendo sete atletas da última temporada. Já contra o Bragantino, no sábado, na estreia do Parazão, nomes como Patrick de Paula e Patrick entraram como titulares.
- Estou aqui no Remo para recuperar o meu bom futebol, a confiança e atuar bem, participando de gols e dando assistência -, comentou Patrick de Paula, autor de uma assistência na vitória em cima do Bragantino na estreia do Parazão 2026.
Osorio é o segundo estrangeiro a comandar o Remo em menos de seis meses. Antes, o português António Oliveira passou pelo clube no meio da Série B de 2025. Na ocasião, o trabalho dele foi abaixo do esperado, rendendo intensas críticas e uma demissão que, para muitos, foi prolongada.
Em outro momento da história recente do clube, Osorio ressalta estar ciente da responsabilidade que terá em comandar o Remo neste retorno à Série A, que não acontecia desde 1994. Para ele, o maior desafio é manter a equipe descansada em meio a maratona de jogos e viagens na temporada - só no Brasileirão, o Remo vai percorrer cerca de 90 mil quilômetros.
- Sei da responsabilidade. Após 30 anos, o Remo volta a jogar na primeira divisão. Para mim, é um orgulho comandar o clube. O maior desafio é competir e manter uma equipe preparada, descansada para 38 rodadas, entendendo que há outros torneios importantes como estadual, Copa Norte. Para os torcedores, e para mim, todos (os campeonatos) são importantes. Porém, a maior ênfase é o Brasileirão - ressaltou.

O último trabalho de Osorio foi no México. No comando do Tijuana, foram 34 partidas entre 2024 e 2025. Mas segundo ele, o convite do Remo foi de "fácil aceitação" pelo modelo de jogo apresentado no futebol brasileiro. Osorio classifica o Brasileirão como a "terceira melhor liga do mundo".
- A ideia de jogo, a maneira de jogar que aprendi e que gosto que nossos times joguem, com bola no chão, tabelas, criatividade, mágica. Penso que a liga brasileira está entre as três melhores do mundo. Clubes com muita histórias e muitos grandes, que são coisas diferentes. O Brasil é cinco vezes campeão do mundo e continua formando grandes jogadores. Quero fazer parte disso. Vou desfrutar muito e planejar para jogar contra equipes 'tops', com jogadores 'tops' e estádios lotados. Este é um cenário perfeito para trabalhar - contou.
Objetivo: explorar o continente
É consenso entre diretoria e vestiário que o ponto central do atual projeto do Remo é garantir uma vaga nas competições sul-americanas de 2027. Para isso, a aposta em Juan Carlos Osorio como treinador e em nomes de peso do futebol nacional pode ser determinante na busca deste objetivo.
No elenco, o Remo manteve alguns destaques da campanha de 2025, como o goleiro Marcelo Rangel, os zagueiros Kayky Almeida e Klaus, os laterais Marcelinho e Sávio, os meias Pavani, Jaderson e Panagiotis e os atacantes Nico Ferreira, Diego Hernández e João Pedro.
- Todo ano temos objetivos. Quando cheguei, o principal era o acesso à Série B. Depois, era o acesso à Série A. Agora com a renovação de contrato, o meu principal objetivo é colocar o Remo em uma competição internacional, Sul-americana ou até uma Libertadores. É possível, depende muito do trabalho de todos e apoio da torcida - destacou o goleiro Marcelo Rangel ao Lance!.
Para ajudar neste objetivo, chegaram os zagueiros Marllon (ex-Ceará) e Léo Andrade (ex-Suwon), os meias Patrick de Paula (ex-Botafogo), Zé Welisson (ex-Fortaleza) e Patrick (ex-Santos) e os atacantes Yago Pikachu (ex-Fortaleza) e Alef Manga (ex-Avaí).
- Há nove anos, eu estava jogando na várzea, futebol de rua. Em 2019 você está disputando um Brasileiro, uma Libertadores, podendo ganhar todos esses títulos. Não é para qualquer um. É para quem tem vontade, sonho de vencer e ambição. Tenho isso comigo. Batalhei bastante, corri atrás. Mas sem passar por cima de ninguém, sempre com muita humildade - ressaltou Patrick de Paula.
Simbolismo em um ídolo
Pela terceira temporada seguida, o Remo terá Marcelo Rangel como um dos pilares do time. Aos 37 anos, o goleiro é tido como um ídolo e referência técnica para o Fenômeno Azul. Em 2025, por exemplo, Rangel terminou a temporada como o principal jogador da equipe, acima até do artilheiro Pedro Rocha, autor de 15 gols na Série B.
- Fico extremamente feliz pelo carinho e respeito que o torcedor tem comigo. É recíproco. O que podemos fazer é ajudar a equipe nas vitórias. Fico feliz de estar indo para o terceiro ano (de clube). O sonho de toda criança é jogar em um grande clube. E hoje estou realizando esse sonho, em um clube gigantesco com uma torcida maravilhosa - celebrou.
Desde a chegada ao clube, em 2024, Rangel soma 95 jogos - sendo um neste ano. Apesar dos bons números, o goleiro teve um início conturbado no clube envolvendo um ídolo da retomada do clube.
Desde 2018, o gol azulino era defendido por Vinícius. Com mais de 200 partidas disputadas, o ex-vereador de Belém perdeu a posição para Marcelo Rangel em 2024, em um episódio que teve troca de farpas entre clube e jogador e uma saída quase que pela porta dos fundos.
Entretanto, polêmicas a parte, Marcelo Rangel mantém o foco e vai em busca de mais um ano "acima da média" com o Remo. Ao todo, ele acumula um título paraense, um da Supercopa Grão-Pará e dois acessos de divisão com o Leão.
- É uma grande alegria colocar o Remo no cenário nacional, na Série A, que é onde o clube merece estar. É uma competição difícil, sabemos da responsabilidade. Temos campeonatos paralelos, que são importantes, mas o foco é todo na Série A. Vamos entrar fortes em todos os jogos para competir independente do adversário, respeitando todos, claro.
Um recomeço em Belém

Na contramão de Marcelo Rangel, Patrick de Paula chega ao Remo querendo retomar a carreira em alto nível no futebol nacional. Cria da Taça das Favelas, o volante despontou no futebol defendendo o Palmeiras, em 2017. Na época, ele foi contratado para integrar a equipe sub-20, mas logo foi alçado ao time principal.
No Allianz Parque foram 1001 partidas em três temporadas no profissional, além de oito gols e duas assistências. Em títulos foram quatro conquistas de Paulistão - sendo duas no sub-20 - e duas Libertadores. Em seguida, Patrick foi ao Botafogo, aonde voltou a levantar taças, sendo novamente campeão Brasileiro e da Libertadores.
Após a passagem pelos clubes do eixo Rio-SP, Patrick seguiu um período no Criciúma antes de chegar ao Estoril, de Portugal, onde somou um gol em nove partidas em 2024. Nos dois casos, assim como agora no Remo, ele está emprestado pelo clube carioca.
- A expectativa está boa. Todo mundo está ansioso para ver o Remo jogar na Série A, para ver o show que a torcida vai dar nos jogos em casa ou fora. Pela experiência que tenho de Campeonato Brasileiro, é ter a melhor concentração em todos os jogos. É difícil jogar, mas futebol é 11 contra 11 - comentou o volante.
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