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Paulo Schmitt, no 'Seda sem filtro': 'Risco existe, com ou sem bets'

Presidente do Comitê de Integridade da FPF explica diferença entre cassinos e apostas esportivas

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
08/10/2026 19:46

O programa "Seda sem filtro" do Lance!TV, que vai ao ar toda quinta-feira às 19h e é apresentado pelo jornalista Vicente Seda, traz nesta semana uma entrevista com o presidente do Comitê de Integridade da Federação Paulista de Futebol (FPF), Paulo Schmitt. O tema é a proibição das bets no Brasil por meio de Medida Provisória (MP) publicada no fim de setembro. Este ambiente de apostas, porém, se divide em duas modalidades bem diferentes: as apostas esportivas, vinculadas a eventos reais, e os cassinos online, que funcionam 24 horas por dia.

Quais as diferenças entre os dois modelos de apostas? A proibição somente dos cassinos afeta as apostas esportivas de que forma? A ausência dos recursos dos cassinos online prejudica o monitoramento também de apostas esportivas? As outras modalidades, além do futebol, estão devidamente protegidas? Essas e outras questões são respondidas por Schmitt, que também já trabalhou como consultor de integridade no Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e foi procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

— Eu não colocaria de uma forma muito simples que regulamentar resolve o problema ou não regulamentar resolve o problema. O mercado regulado pode criar dados. Rastreabilidade, controle, autoexclusão, interlocutores institucionais. Mas a regulação, se não vier acompanhada de uma forte fiscalização efetiva, educação e proteção desse público mais vulnerável, não impede o jogo problemático e nem elimina o mercado ilegal. Para o esporte, qualquer que seja a política pública para apostas, precisamos preservar a capacidade de investigar manipulação, porque o risco já existia antes da bets serem reguladas, existiu durante e vai continuar existindo, com ou sem bets. A regulação, ou ausência dela, não responde a todas as perguntas — disse Schmitt.

Paulo Schmitt, presidente do Comitê de Integridade da FPF (Foto: Reprodução Lance!TV)
Paulo Schmitt, presidente do Comitê de Integridade da FPF (Foto: Reprodução Lance!TV)

Para Schmitt, não há uma estrutura adequada para monitorar o universo de apostas e manipulação de resultados fora do futebol por um simples motivo: falta dinheiro. Em um universo no qual as verbas são muito mais escassas do que no futebol, o orçamento da integridade compete com atividades básicas do esporte, como condições para treinamento.

— Não, a gente não tem (uma estrutura adequada para monitorar as demais modalidades). A maior dificuldade é o investimento. Essa atenção de investimento é disputada com o próprio esporte. Então não tem dinheiro para cobrir tudo. Tem o dinheiro, que tem de ter, para a prática da modalidade, mas, em contrapartida, é necessário o investimento em integridade. É um terreno arenoso, mais vulnerável ainda que o futebol, principalmente o esporte olímpico, no qual é preciso ter um outro olhar. Tem de melhorar muito porque é uma disputa por verba que é injusta.

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Confira a íntegra do programa "Seda sem Filtro" no YouTube. Clique aqui e veja a entrevista!

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