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Paraná Clube encaminha venda da SAF e inicia transição; entenda o processo

NextPlay retoma conversas e assumirá a gestão do Tricolor

PorGuilherme MoreiraCuritiba (PR)
16/12/2025 07:00
Atualizado em 19/12/2025 16:01
Torcida Paraná Clube Vila Capanema ônibus
Torcida do Paraná Clube na entrada da Vila Capanema. Foto: Reprodução/Twitter Paraná

Após correr risco de falência, o Paraná Clube encaminhou a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e iniciará a transição da associação para o futuro dono ainda neste fim de ano. A proposta varia de R$ 212 milhões a R$ 682 milhões por 90% das ações.

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O Lance! apurou que o Tricolor retomou a negociação com a NextPlay Capital Ltda, que chegou a desistir da compra no final de novembro por 'desavenças' com os credores. A empresa conseguiu, nos últimos dias, entrar em acordo com um banco, sem nome revelado e que é o principal investidor dela, para destravar a compra.

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O empecilho principal era a desconfiança dos credores pelo pagamento da Recuperação Judicial (R$ 132,1 milhões) através da sub-sede da Kennedy. O patrimônio não pode ser vendido ou leiloado, de acordo com a lei municipal nº 1550/1958, por ser um terreno doado para fins esportivos e sociais.

Em assembleia, os credores tentaram se proteger e haviam definido um preço mínimo para a venda ou leilão do terreno por R$ 70,8 milhões, mas agora aceitaram diminuir a quantia. O patrimônio irá a leilão por R$ 60 milhões, valor destinado exclusivamente para a recuperação judicial, e o banco parceiro da NextPlay pode igualar eventual proposta superior.

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Com o leilão, os impedimentos de impenhorabilidade e inalienabilidade saem de cena. A finalidade social e esportiva, contudo, ainda precisa ser discutida com a Prefeitura de Curitiba, algo que a investidora e o banco estão em conversas avançadas.

Os futuros donos da SAF, depois, têm que entrar em acordo com o Espaço Torres. A empresa tem direito a explorar os salões sociais da Kennedy até 2032, com multa rescisória de R$ 13 milhões (diminui a cada ano).

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Futura dona da SAF do Paraná negocia a compra da Vila Capanema

A outra novidade apurada pelo Lance! é que a NextPlay conversa com a União, pessoa jurídica de direito público que representa o Governo Federal, para a compra definitiva da Vila Capanema, em valores ainda negociáveis. No último cálculo, de 2020, o estádio Durival Britto e Silva estava avaliado em R$ 53,8 milhões, e a investidora havia planejado R$ 60 milhões para o local.

Vale lembrar que a praça esportiva pertencia à Rede Ferroviária Federal S.A., extinta em 2007, e passou para o governo federal. Em 2016, por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o Paraná perdeu a posse definitiva do terreno em uma disputa de mais de 40 anos.

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Três anos depois, o Tricolor conseguiu a concessão da Vila até 2048, com acordo prorrogável por mais 30 anos. A manobra veio através de uma Medida Provisória (MP) que virou a lei 13.813/2019, assinada pelo então presidente Jair Bolsonaro.

Já em dezembro de 2021, o TRF-4 determinou que o Paraná precisaria reembolsar a União em R$ 6,3 milhões pelo uso do estádio desde 1971 - o valor total era de R$ 12,7 milhões, mas teve um desconto de 50%. Além disso, o clube teria que pagar aluguel de R$ 210 mil mensais ao governo federal para seguir atuando em sua "casa". Essas quantias nunca foram pagas.

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Próximos passos da SAF do Paraná

Com esse novo arranjo, os credores devem protolocar nesta semana o Plano Modificativo da RJ, já que o anterior, definido na Assembleia Geral de Credores (AGC) de 19 de novembro, não tem validade. A juíza da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, tem que apreciar o documento para aprovar ou solicitar novas alterações.

A próxima assembleia de credores está prevista para o fim de fevereiro de 2026, mas eles já definem o texto final do plano de pagamento da RJ desde a semana passada. O termo será feito por adesão para acelerar o processo. Fora isso, o Conselho Deliberativo do clube também precisa aprovar a proposta com inclusão do leilão da Kennedy.

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O rito completo para o Tricolor sair de associação para SAF só deve ser concluído no final do primeiro semestre ou começo do segundo semestre de 2026. Paralelo a isso, para não ficar refém da burocracia, a NextPlay já começou a transição de gestão do Paraná.

Os novos técnico e executivo de futebol serão anunciados em 2 de janeiro, em consenso entre o clube e a empresa. O Paraná e a NextPlay devem se pronunciar na sexta-feira (19), data de aniversário de 36 anos do clube, para explicar o movimento da SAF.

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Em campo, o Tricolor tem a Segundona do Campeonato Paranaense e a Taça Paraná como calendário no ano que vem. O estadual começa no fim de fevereiro, enquanto o outro torneio está previsto para depois da Copa do Mundo.

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A proposta da NextPlay pela SAF do Paraná Clube

Investimento no futebol

  1. R$ 212 milhões (valor mínimo) a R$ 682 milhões (valor máximo)
  2. R$ 10 milhões para a construção de Centro de Treinamento na sub-sede do Boqueirão (até 2028)
  3. R$ 60 milhões para a Vila Capanema
  4. R$ 10 milhões anuais para o futebol (sem divisão)
  5. R$ 21,9 milhões (Série D)
  6. R$ 28 milhões (Série C)
  7. R$ 46,8 milhões (Série B)
  8. R$ 85 milhões (Série A)

Dívidas

  1. R$ 42 milhões para a Receita Federal do Brasil e o Banco Central do Brasil (Bacen)
  2. R$ 2,8 milhões para Comissão Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF
  3. R$ 60 milhões para a Recuperação Judicial no leilão da Kennedy (através de um banco parceiro)

Entenda as dívidas do Paraná Clube

Em Recuperação Judicial (RJ) desde setembro de 2023, o Paraná viu o valor da dívida subir de R$ 114,2 milhões para R$ 132,1 milhões, sem descontos. No plano de pagamento, o Tricolor oferece deságio de 40% e uma fórmula de pagamento específica para os credores, divididos em três classes, que reduz a quantia a ser paga quase pela metade, em cerca de R$ 66 milhões.

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Classe I (trabalhistas): R$ 67,2 milhões / deságio de 40%
Classe III (quirografários): R$ 50,8 milhões / fórmula específica
Classe IV: (ME's - EPP's): R$ 14,1 milhões / fórmula específica
Total: R$ 132,1 milhões / R$ 66 milhões (aproximadamente)

Além disso, o Tricolor deve R$ 39,5 milhões ao Banco Central do Brasil (Bacen) e R$ 59,7 milhões para a Receita Federal, em um total de R$ 99,2 milhões. Em um acordo costurado, o clube reduziu a quantia para liquidar ambas para R$ 42 milhões, com a NextPlay responsável pelo pagamento.

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