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Gestão Esportiva na Prática: o fim da era dos salvadores e o início da era dos construtores

Por que o futebol brasileiro não precisa mais de presidentes heróis, e sim de lideranças que saibam montar estruturas, além dos discursos

"Salvadores" estão sendo deixados para trás por verdadeiros profissionais (Foto: gerada por inteligência artificial)
imagem camera"Salvadores" estão sendo deixados para trás por verdadeiros profissionais (Foto: gerada por inteligência artificial)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 14/01/2026
07:00

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Durante décadas, o futebol brasileiro foi conduzido por uma lógica quase messiânica. Presidentes vistos como salvadores, líderes carismáticos, apaixonados, muitas vezes dispostos a colocar o próprio nome, reputação, influência política e, não raramente, o próprio dinheiro para "resgatar" clubes centenários. Essa narrativa foi romantizada, aplaudida e legitimada pelas arquibancadas.

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Mas o futebol mudou. E rápido.

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Hoje, clubes são organizações complexas, com receitas relevantes, estruturas jurídicas sofisticadas, exposição de marca global e riscos operacionais que não admitem amadorismo. O problema é que a cadeira da presidência ainda é ocupada, em muitos casos, com lógica eleitoral, emocional e personalista, enquanto o ambiente exige competência técnica, método e governança.

O resultado é um paradoxo perigoso. Instituições cada vez mais profissionais sendo lideradas por estruturas políticas frágeis. Mandatos curtos, disputas internas, vaidades, promessas fáceis e decisões de alto impacto tomadas sob pressão de grupos e não de estratégia. Não é falta de paixão. É excesso de improviso.

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(Foto: gerada por inteligência artificial)
(Foto: gerada por inteligência artificial)

Aceleração do aprendizado

E 2026 será um teste definitivo para quem ainda não entendeu isso. O calendário nacional começa mais cedo, os estaduais perdem datas, haverá paralisação para a Copa do Mundo e, ao mesmo tempo, os orçamentos da maioria dos clubes tendem a encolher. O apetite das casas de apostas diminuiu, o mercado já não absorve patrocínios como antes e muitos clubes inflaram seus planejamentos com antecipações de receitas da LFU e da Libra. O colchão acabou. Agora é criatividade e  gestão de verdade.

O futebol moderno não espera. A curva de aprendizado não é mais de cinco anos, é de cinco meses. Quem não monta equipe qualificada, quem não separa política de gestão, quem não cria mecanismos de proteção institucional, simplesmente fica para trás. Não por maldade do sistema, mas por incompetência organizacional.

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A era dos heróis solitários não acabou porque eles desapareceram. Ela está acabando porque o contexto não os comporta mais. O futebol de 2026 exige presidentes que liderem estruturas, não egos. Que montem times, não feudos. Que decidam também com dados, não somente com aplausos.

O futuro do futebol brasileiro não será escrito por salvadores. Será construído por gestores. Apaixonados pelos seus clubes. Mas gestores.

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Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira outras postagens do colunista:

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