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Abel Ferreira x Filipe Luís: o confronto de trajetórias e estilos na final da Libertadores

Treinadores dos times que mais brigam por títulos estarão frente a frente em Lima

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Dia 29/11/2025
06:20
Abel Ferreira x Filipe Luís - Palmeiras x Flamengo
imagem cameraAbel Ferreira x Filipe Luís - Palmeiras x Flamengo (Foto:Pablo PORCIUNCULA e JUAN MABROMATA/AFP)

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De um lado, Abel Ferreira, técnico mais longevo da história do Palmeiras e duas vezes campeão da Libertadores pelo Alviverde. Do outro, Filipe Luís, ídolo do Flamengo como jogador e que agora busca sua primeira taça do torneio no comando do clube. Paulistas e cariocas estarão frente a frente neste sábado (29), às 18h (de Brasília), em Lima, no Peru, para mais uma final entre as equipes. Quem vencer o duelo será o primeiro tetracampeão brasileiro da competição. Confira o Raio-X dos treinadores.

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Trajetórias

Ídolo do Flamengo como jogador, Filipe Luís se despediu dos campos ao final de 2023 para seguir o sonho de ser treinador. O ex-lateral-esquerdo mudou de função, mas não de casa: logo no início de 2024, o agora técnico assumiu a equipe sub-17 do Rubro-Negro.

O bom início levou os garotos à conquista do Torneio OPG e Filipe, que mal tinha assumido o time, foi "promovido" ao sub-20 para substituir Mário Jorge, campeão da Libertadores da categoria. Na categoria de cima, o comandante também fez bonito e levou o Fla ao título do Mundial de Clubes, superando o Olympiacos no Maracanã.

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No profissional, o Flamengo vivia momentos de instabilidade. Eliminado da Libertadores e distante do título brasileiro, o clube se despediu do técnico Tite ao fim de setembro. Com a temporada já chegando ao fim e as eleições presidenciais do clube se aproximando, Filipe Luís surgiu como a solução caseira para assumir a equipe principal.

O desempenho foi de impressionar. Na Copa do Brasil, única competição em que o Mais Querido ainda buscava o título, o jovem treinador ajudou o time a dominar o Corinthians nas semifinais e o Atlético-MG na decisão para conquistar o pentacampeonato. Assim, mesmo com pouca experiência, o ex-jogador foi mantido no cargo para esta temporada.

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Os títulos da Supercopa Rei e do Campeonato Carioca ajudaram a consolidar o trabalho de Filipe Luís logo no início de 2025. Logo no primeiro ano completo à frente de uma equipe profissional, o ídolo rubro-negro levou o clube à final da Libertadores e faz excelente campanha no Brasileirão, estando a uma vitória de levantar o troféu com o melhor ataque e a melhor defesa da competição.

Na curta carreira como treinador até aqui, Filipe tem um retrospecto impressionante. São 83 partidas (todas à frente do Flamengo), 53 vitórias, 21 empates e nove derrotas, um aproveitamento de 72,3%, com três títulos conquistados.

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Abel Ferreira é o treinador mais longevo do futebol brasileiro na atualidade. No Palmeiras há exatos cinco anos e ficará por mais tempo. Ainda que não tenha assinado sua renovação contratual, Abel Ferreira não se apega muito a "papéis". Para ele, sua palavra vale mais do que qualquer assinatura e, portanto, tem tudo para ampliar sua história vencedora no clube paulista.

Até aqui, são dez títulos conquistados pelo técnico português, entre eles, duas Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil. A conta pode aumentar neste sábado e, caso isso aconteça, Abel Ferreira atingirá uma marca quase que inalcançável em solo nacional.

No Palmeiras, além de ser o treinador com mais tempo de casa em toda a história, também é o primeiro comandante palmeirense a colecionar pelo menos um título de campeonato estadual, um de campeonato nacional e um de campeonato internacional.

Além disso, Abel Ferreira, aos 46 anos, é o único treinador na história do futebol brasileiro a ter no currículo os títulos da Libertadores, do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil, do Estadual, da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil. Um currículo invejável que faz até quem não é palmeirense admitir o tamanho do profissional português.

O comandante disse em sua apresentação na Academia de Futebol, em novembro de 2020, que não atravessara o Atlântico para passar férias. E assim fez, pois além dos títulos, também é o treinador com mais finais pelo Palmeiras em toda a história: 13 no total.

Em campo - e fora dele -, Abel Ferreira é especialista em recuperar jogadores que estão muitas vezes em má fase, como aconteceu recentemente com Flaco López e Vitor Roque, que no segundo semestre formaram a dupla de ataque mais letal do Brasil, além de olhar com carinho para as categorias de base do clube. Resultado? Vendas astronômicas de jogadores como Endrick e Estêvão.

Abel Ferreira tem a total confiança da diretoria e de seus jogadores e não passou nem um ano sequer em branco quando o assunto é títulos. Neste ano, até o momento, ainda não arrematou nenhuma taça. Terá a chance de fechar com chave de ouro nesta noite.

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Abel Ferreira - Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Estilos e comparação tática

Filipe Luís, mesmo em pouco tempo de carreira, já demonstrou uma filosofia de futebol clara: sufocar o rival. O técnico do Flamengo preza por ter a posse de bola e ocupar constantemente o campo de ataque. Na fase defensiva, a ordem é pressionar a saída de bola do adversário; segundo estudo do Observatório do Futebol (CIES) publicado em junho, o Rubro-Negro é a equipe com a marcação mais alta do mundo.

No aspecto tático, o time carioca se posiciona com o esquema base no 4-2-3-1, variando para o 4-4-2. Essa variação acontece, na maioria das vezes, com o camisa 10 (literal e funcionalmente) Giorgian de Arrascaeta se aproximando do atacante mais avançado. Não à toa, o uruguaio vive a temporada mais artilheira da carreira: são 23 gols em 2025, além de 16 assistências.

Na fase ofensiva, Filipe Luís posta a equipe com muitos jogadores e costuma valorizar ataques pelos lados do campo — como bom lateral que foi. Os pontas abertos são importantes não só para dar profundidade ao time, mas na associação com os laterais. Isso acontece, principalmente, do lado direito, com ultrapassagens de Varela.

O repertório tático de Filipe costuma aparecer também nas adversidades. Sem Pedro e com Bruno Henrique desconfortável como referência, o treinador rubro-negro se adaptou à situação. No último mês, quando está em campo, o camisa 27 não se comporta mais como um centroavante, e sim como um segundo atacante pela esquerda — função semelhante à que cumpria em 2019 —, com o meia armador cada vez mais ao seu lado. A mudança explica os seis gols nos últimos seis jogos de BH.

Na saída de bola, o Flamengo se organiza majoritariamente em um 3-2: três jogadores na primeira linha e dois à frente. Assim, a dupla de zaga e o lateral-esquerdo (sobretudo com a presença de Alex Sandro) são responsáveis por iniciar a construção, com os volantes alinhados para levar a bola aos jogadores mais avançados. Existe, contudo, variação para a participação de Jorginho ou Pulgar junto à fase inicial, liberando o lateral pela esquerda para atacar.

Sem a bola, o Rubro-Negro costuma defender com um 4-4-2, quase sempre pressionando a saída de bola no campo de defesa do adversário. Muitas vezes, a equipe "desafia" os rivais com marcação individual, confiando na velocidade e qualidade dos zagueiros e laterais do Flamengo.

Abel Ferreira, por sua vez, faz sempre o que pode e não tem medo de testar - e errar, algumas vezes - jogadores em posições diferentes. Um exemplo recente é o de Bruno Fuchs. Zagueiro de origem, o jogador também entrou em campo como volante, quando necessário, e se deu bem, passou a ser uma opção no setor que o Palmeiras muitas vezes sofre com baixas.

No início da temporada, era mais comum ver um Palmeiras no 4-2-3-1 quando ainda tinha Estêvão, com uma variação de 4-4-2, de acordo com o posicionamento do atacante. O 3-5-2 também é escalado por Abel Ferreira em certas ocasiões para aproveitar a força do capitão Gustavo Gómez com Murilo e Fuchs, de formas variadas.

Sem o jovem Estêvão e também sem Richard Ríos, peças importantes até o meio da temporada alviverde, Andreas Pereira assumiu a vaga no meio-campo, de forma mais adiantada, ao lado de Lucas Evangelista, que até então não tinha se lesionado. Com a baixa e sem opções na posição, Abel Ferreira foi obrigado a recuar seu camisa 8 e sofreu um pouco mais de gols.

O treinador português muitas vezes é criticado por não fazer com que seus jogadores desempenhem um "futebol bonito". No entanto, é eficiente e consegue resultados até quando é desacreditado. Prova disso foi a partida contra a LDU, pela semifinal da Libertadores, uma goleada história por 4 a 0, após perder o jogo de ida por 3 a 0.

Algumas das armas poderosas de Abel Ferreira são a organização defensiva e ofensiva - principalmente com a dupla Flaco-Roque em grande fase -, entrosamento, assim como transição e um contra-ataque eficiente. As bolas longas em profundidade também fazem parte do futebol atual que desempenha o Palmeiras, pois pode usar Piquerez, que tem um bom passe, e até mesmo Fuchs e Andreas que tentam bagunçar a linha defensiva adversária.

Um ponto importante que não pode ser deixado de fora é a bola parada alviverde. Abel Ferreira conta com jogadores que sabem manipular esse tipo de jogada, como Andreas Pereira, Piquerez e, é claro, Raphael Veiga, ainda que este não seja mais titular da equipe.

Na frente, Abel Ferreira demorou a acreditar que Flaco López e Vitor Roque poderiam atuar juntos. Depois de apostar na dupla, Flaco-Roque passou a ser a sensação do segundo semestre, mas o argentino teve uma grande queda de rendimento nos últimos jogos.

Apesar de permanecer como titular absoluto ao lado do Tigrinho, o setor ofensivo alviverde tem uma nova peça fundamental: o jovem Allan. O meia-atacante é perigoso e vai muito bem nas jogadas individuais, com dribles desconcertantes e agilidade pela direita. Vitor Roque aparece para dar trabalho à defesa adversária. Jogador perigoso e que não se cansa fácil, on camisa 9 tem muita força e velocidade, além de ter se encontrado dentro do que Abel se propõe a fazer em cada partida.

Filipe Luís - Flamengo
Filipe Luís, técnico do Flamengo (Foto: Alexandre Loureiro/AGIF/GazetaPress)

Leitura de Filipe Luís e frieza de Abel Ferreira

Para Gustavo Fogaça, o Guffo, colunista do Lance!, os dois técnicos finalistas são os melhores do país. O jornalista se impressiona com a leitura de jogo de Filipe Luís, apesar da juventude. Já em Abel Ferreira, chama atenção a velha conhecida frieza, fundamental em tantos títulos conquistados com o Palmeiras.

— O Filipe Luís e o Abel são os dois melhores técnicos do Brasil já há algum tempo. O que impressiona no Filipe é ser o primeiro trabalho dele como treinador, está evoluindo cada vez mais, é impressionante. É estrategista, estudioso, obcecado pelos detalhes. É um cara que tem uma leitura muito boa do jogo ao vivo também, fundamental para o treinador — analisou.

Guffo entende que a capacidade de gestão mental do técnico alviverde pode fazer a diferença em uma decisão que significa tanto para Flamengo e Palmeiras.

— O Abel tem essa coisa do controle emocional do grupo. Parece que nada nunca é uma montanha grande suficiente para parar o Palmeiras, que tem mental para enfrentar qualquer desafio. E essa final vai ser muito do mental, o jogo de quem tiver melhor cabeça — afirmou.

O colunista também observa diferenças marcantes entre os dois professores. Mas de uma coisa não tem dúvidas: será um duelo memorável.

— Eu acho que os dois têm algumas pequenas diferenças. O time do Filipe Luís é muito organizado sem a bola, defensivamente, e com a bola tem individualidades que podem fazer diferença. O time do Abel é muito organizado com a bola e, defensivamente, tem individualidades que podem fazer diferença. Então vai ser um jogão de bola, não tenho dúvida, um duelo entre dois treinadores impressionantes, mas aquele que conseguir manter o mental mais focado vai levar vantagem — finalizou.

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