Pioneira na elite europeia, técnica sofre ataques machistas
Marie-Louise Eta foi anunciada como a treinadora do Union Berlin

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A oficialização de Marie-Louise Eta como treinadora principal do Union Berlin, a primeira mulher a assumir tal cargo na elite do futebol europeu, foi acompanhada por uma onda de ataques machistas e comentários depreciativos em redes sociais e fóruns de discussão. A profissional de 34 anos assumiu o comando da equipe masculina neste domingo (12), com a missão de evitar o rebaixamento na Bundesliga, mas passou a ter sua competência questionada por torcedores e jornalistas com base unicamente em seu gênero.
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As ofensas variam desde dúvidas sobre a aceitação dos jogadores até críticas à sua trajetória nas categorias de base. Em um fórum de debate na Alemanha, um jornalista chegou a questionar: "Com todo o respeito, mas que homem, muito menos um jogador de futebol, leva uma mulher a sério quando ela quer lhe dizer algo sobre táticas?". Outras mensagens, replicadas nos canais oficiais do clube, sugeriam que homens fisicamente mais fortes não teriam o que aprender com uma mulher, ignorando o currículo de Eta, que inclui o título da Champions League como jogadora e a licença Pro da Uefa.
O Union Berlin reagiu imediatamente às manifestações, classificando o comportamento como "sexismo" e saindo em defesa de sua treinadora. O diretor de futebol da equipe, Horst Heldt, manifestou repúdio à postura de parte do público e reiterou a confiança no trabalho da técnica.
– Vi os comentários machista. Ao mesmo tempo, reluto em dar voz a essas pessoas. Para mim, trata-se unicamente da qualidade da liderança, e estamos plenamente convencidos de que Louise é capaz de desempenhar essa função. Acho ultrajante que ainda tenhamos que justificar isso em 2026 – afirmou Heldt.
Apoio institucional do Union Berlin e histórico de barreiras
Apesar das críticas externas, o ambiente interno no Union Berlin é de suporte total à nova comandante. Membros do clube reforçam que Marie-Louise está no cargo por méritos próprios e por seu profundo conhecimento do elenco, do qual já era auxiliar técnica desde 2023. Segundo fontes internas, a profissional não parece abalada pelos ataques, focando exclusivamente na preparação para o duelo decisivo contra o Wolfsburg, no próximo final de semana.
As barreiras enfrentadas por Eta, entretanto, não são novidade. Desde sua chegada ao futebol profissional masculino, ela convive com questionamentos que extrapolam a parte técnica. Em 2023, um ex-agente de futebol chegou a questionar publicamente se ela deveria ter permissão para entrar no vestiário dos jogadores, um debate que ignorava sua filosofia de jogo ou histórico vencedor para focar apenas em sua presença física em um espaço masculino.

A resposta da torcida presente no estádio, por outro lado, tem sido distinta daquela vista nos fóruns digitais. Tradicionalmente, o locutor do estádio anuncia os jogadores e a torcida responde com o grito de "Fussballgott" (Deus do futebol). Com a chegada de Eta, o cântico foi adaptado pelos torcedores para "Fussballgottin" (Deusa do futebol), sinalizando um apoio que o sindicato de jogadores e a diretoria esperam que prevaleça sobre os ataques.
– Estamos falando de um líder altamente competente. O sindicato apoia unanimemente esta decisão e fará todo o possível para garantir que não haja mais debates sobre este assunto no futuro. Tudo isso é simplesmente vergonhoso – completou o diretor da equipe.
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