Artilheiro do Guangzhou, Muriqui exalta parceria com argentino Conca
Atacante disse que meia foi o melhor parceiro que teve no futebol chinês

Em 2010, a vida de Muriqui mudou da água para o vinho. Após passagens por clubes brasileiros como Vasco, Madureira e Avaí, o atacante chegou ao Atlético-MG. Depois de seis meses no Galo, foi se aventurar no Guangzhou Evergrande, da Segunda Divisão da China.
O jogador ficou quatro anos na equipe e alcançou marcas importantes. Ele ainda é o maior artilheiro da história do time, ao lado do também brasileiro Elkeson - que ainda está no elenco - com 78 gols. Esse reconhecimento ele tem até hoje, mesmo tendo saído em 2014 rumo ao Al-Sadd, do Qatar.
- Para mim é bacana, pois cheguei em um momento em que o time estava na Segunda Divisão. Talvez se fosse outro jogador não teria ido para lá naquele momento. Eu topei o desafio, e isso representa muito. Ver um time que subiu, trilhou todo um caminho, e eu fiz parte desse processo. Fico muito feliz de participado deste projeto, de o clube ter se transformado em uma potência na Ásia, respeitado no continente.
E na China, ele protagonizou várias duplas interesses. Com o próprio Elkeson e também com o argentino Conca, ex-Fluminense. Entre eles, Muriqui revela a preferência pelo estilo do meia, que se encaixa melhor com suas características.

- Acho que com o Conca. Ele é mais passador que o Elkeson, que é mais finalizador. Para mim era bom isso, estar bem posicionado para receber a bola dele e fazer os gols. O Conca favorecia mais o meu jogo. Não estou comparando a qualidade de cada um, mas características. Eu me encaixava melhor com o Conca. Não que eu não tivesse tido uma parceria boa com o Elkeson. Pelo contrário, tivemos bons momentos, mas o meu estilo de jogo se encaixa melhor com o do Conca.
CHEGADA NA CHINA FOI NO 'ESCURO'
Sair do país era o sonho do jogador, mas ele ficou ressabiado com a nova empreitada. O atacante revela que não pensava em atuar no futebol chinês. No entanto, ele admite que o dinheiro foi preponderante para o acerto com o Guangzhou.
- Sempre tive o sonho de jogar fora do Brasil. Confesso que a China não era a minha primeira opção. Aliás, a China nem sequer era cogitada por mim. Quando a proposta chegou, relutei um pouco para aceitá-la, principalmente porque jogava pelo Atlético-MG, que me oferecia uma estrutura fantástica, e ir para a Segunda Divisão da China, pesou um pouco. No início não queria ir, mas a questão financeira pesou, além do projeto do clube de ser ambicioso de querer se tornar uma potência no futebol asiático. As duas coisas juntas foram fundamentais para eu aceitar a proposta - disse Muriqui.
No entanto, Muriqui chegou à China sem informações sobre o país. Para piorar, não sabia o que poderia encontrar no futebol asiático e no Guangzhou.
- Quando fui, não tinha noção de nada. Não sabia sobre o país, sobre o clube, nada. Não sabia se tinha campo para treinar, quais eram os jogadores que atuavam por lá. Fui meio que no escuro. Fui acreditando no projeto que eles me apresentaram. Falaram: 'Esse é o nosso objetivo e vamos trabalhar forte para que isso aconteça'. Quando cheguei, foi um baque. Jogava no Atlético, que me oferecia uma estrutura fantástica, e fui para um time que não tinha centro de treinamento, eles treinavam atrás de uma fábrica de remédios. Mas me adaptei bem, procurei enxergar isso da melhor forma possível. O clube estava construindo um CT. Pude entender aquilo e acabei me adaptando muito bem. Acreditar e aceitar a estrutura que eles me ofereceram naquele momento.

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