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Do Chelsea para Old Trafford: o que Andrey Santos resolve e o que não resolve

Veja como o brasileiro deve se encaixar no sistema do Manchester United

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
21/08/2026 14:24

Supervisionado porNathalia Gomes,
Andrey Santos em ação na pré-temporada no Manchester United
Andrey Santos em ação na pré-temporada no Manchester United (Foto: Reprodução/Instagram)

O Manchester United anunciou em julho, a contratação de Andrey Santos, do Chelsea, por 48 milhões de euros fixos mais 2 milhões em bônus. O brasileiro de 22 anos se torna a primeira contratação de Michael Carrick à frente do clube e chega para suprir uma das maiores carências do elenco: um meio-campista capaz de equilibrar a saída de bola com a recuperação de posse. A transferência, porém, não encerra o problema do United no setor – apenas começa a resolvê-lo.

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Andrey deixa o Chelsea depois de 43 partidas na temporada 2025/26, sendo 27 na Premier League. O caminho no clube londrino nunca foi simples: após empréstimos ao Nottingham Forest e Strasbourg – onde foi eleito para a seleção da Ligue 1 em 2024/25 e marcou dez gols –, voltou a Stamford Bridge e encontrou Caicedo recém-renovado até 2033 e Enzo Fernández como titulares fixos. Sem espaço garantido e diante de uma temporada do Chelsea sem competições europeias, a saída era a solução mais lógica para os dois lados.

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Andrey Santos atuando pelo Manchester United
Brasileiro Andrey Santos atuando pelo Manchester United em amistoso. (Foto: Instagram / Manchester United)

O sistema de Carrick e o encaixe natural de Andrey

Para entender o papel que Andrey Santos cumprirá no United, é preciso entender o que Carrick constrói. O técnico inglês, ex-jogador do clube e ídolo da torcida, foi efetivado no cargo no início de 2026 após a demissão de Ruben Amorim.

Sua referência tática é o 4-2-3-1, formação que utilizou em 112 dos 124 jogos do Middlesbrough no Championship. O sistema se apoia em dois volantes que dominam o centro do campo, num pivô que serve de saída para os zagueiros e num Bruno Fernandes com liberdade máxima para criar à frente.

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O DNA de Carrick como treinador remete diretamente ao que ele foi como jogador: discreto, inteligente, com passes curtos e precisos num ritmo que dita o tempo da partida. No Middlesbrough, o clube ficou entre os três primeiros em número de passes e taxa de passes por minuto em posse nas três temporadas sob seu comando.

Em seu primeiro jogo pelo United, em janeiro de 2026, a vitória por 2 a 0 sobre o Manchester City foi construída exatamente assim: controle de posse, progressão pelo centro e uso inteligente dos espaços. A ideia é gerar progressão central por combinações – mover a bola de lado a lado até encontrar uma abertura e então acelerar o jogo por dentro.

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Nesse contexto, Andrey se encaixa de forma quase cirúrgica. Sua habilidade mais marcante é a distribuição: na Premier League em 2025/26, completou 90,1% dos passes e foi o primeiro entre os meias do United em número de passes por 90 minutos (57,1). Mais do que isso, ele é um jogador que prioriza a progressão – e não apenas a retenção. De meias com ao menos 900 minutos na Premier League, o brasileiro registrou 80% de acerto nos passes para frente, ficando atrás de apenas três jogadores.

Sua taxa de passes que quebram ao menos uma linha defensiva foi de 14,2%, colocando-o entre os 15 melhores do campeonato na métrica. São números que sugerem um meio-campista capaz de conectar defesa e ataque com eficiência rara para sua idade.

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Infográfico sobre os passes progressivos de Andrey Santos
Infográfico sobre os passes progressivos de Andrey Santos (Arte: Lance!/NotebookLM)

Outra característica que se alinha diretamente ao que Carrick pede é a resistência à pressão. Quando adversários pressionam a saída de bola, Andrey Santos manteve 86,5% de acerto nos passes sob pressão — 21º entre 94 meias na Premier League.

O número contrasta com o de Casemiro, que completou 80,4% em situações similares. Isso é relevante porque o United de Carrick busca construir a partir da defesa: o zagueiro Lisandro Martínez foi o jogador com mais passes por 90 no clube na temporada passada (68,7), o que exige um meio-campista que aceite a bola perto da própria área sem titubeio.

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Infográfico sobre a precisão e controle de bola do Andrey Santos em comparação com outros meio-campistas do Manchester United
Infográfico sobre a precisão e controle de bola do Andrey Santos em comparação com outros meio-campistas do Manchester United (Foto: NotebookLM/Lance!)

O que Andrey faz na marcação – e onde ainda tem limites

Além da característica de distribuição, há também um estilo defensivo no seu jogo que passou despercebida por quem o acompanhou apenas de longe no Chelsea. Na Premier League 2025/26, seu índice de sucesso em duelos terrestres foi o maior entre todos os meias com ao menos 1.000 minutos disputados – 67,8%, à frente de nomes como Bentancur (62,7%), Amadou Onana (62,6%) e do próprio Rodri (62,2%). E ele faz isso sem cometer faltas desnecessárias: registrou apenas 0,6 faltas por disputa de bola por 90 minutos, contra 2,1 de Ugarte e 1,3 de Casemiro.

Infográfico sobre as boas médias de Andrey Santos em duelos terrestres
Infográfico sobre as boas médias de Andrey Santos em duelos terrestres (Foto: NotebookLM/Lance!)

Há, no entanto, limitações reais que o material sobre Andrey deixa claras. Ele não é um meio-campista de alta intensidade em termos de volume de pressão: registrou 53,7 pressões por 90 minutos na Premier League, número que o deixa atrás de 63 concorrentes diretos. Não é um corredor de longa distância capaz de fazer os 30 metros de volta para travar um contra-ataque quando o jogo fica esticado – e o United, que joga sem uma linha de pressão muito alta sob Carrick, pode se expor a situações assim, especialmente no início do ciclo.

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A herança de Casemiro e o que Andrey Santos pode replicar

Casemiro foi, na última temporada, o jogador com mais desarmes pelo United – 90 no total. Marcou nove gols na Premier League, seis deles assistidos por Fernandes, formando a melhor dupla de assistência-goleador do campeonato. Substituir esse rendimento seria pedir demais de qualquer um. Mas há aspectos específicos do legado de Casemiro que Andrey Santos pode, e deve, replicar – especialmente a capacidade de progredir com a bola a partir de posições recuadas.

Casemiro era conhecido pela dimensão destrutiva, mas sua habilidade de passe era subestimada: 19,7 passes progressivos por 90, mais do que Mainoo (13,5) e Ugarte (13,0). Andrey fica em 14,4 na mesma métrica – abaixo de Casemiro, mas acima dos outros dois. Há, portanto, continuidade nesse aspecto do jogo. O que o jogador não entrega, ao menos por enquanto, é o mesmo volume de gol. Na Premier League em 2025/26, marcou três vezes em 43 partidas totais. Para chegar perto dos nove de Casemiro, precisaria evoluir muito na movimentação para a área.

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Na Ligue 1 pelo Strasbourg, Andrey Santos marcou dez gols na temporada 2024/25, em parte explorando posicionamento em bolas paradas. Há potencial ofensivo que o nível do Chelsea não deixou emergir. No United, com mais minutos e uma função mais definida, esse lado do jogo pode aparecer com mais frequência.

O benefício para Mainoo – e a dúvida que persiste

Uma das questões centrais da chegada de Andrey Santos é o impacto sobre Kobbie Mainoo. Sob Amorim, o jovem inglês foi sistematicamente preterido. Carrick recolocou Mainoo em seu lugar: entre fevereiro e junho de 2026, apenas Fernandes e Luke Shaw acumularam mais minutos entre os jogadores de linha do United. A chegada do ex-Vasco, longe de ameaçar Mainoo, parece projetada para libertá-lo.

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Mainoo é, antes de tudo, um jogador de progressão com a bola – seu maior número entre os jogadores de linha do clube na temporada foram os 19 dribles bem-sucedidos concluídos, apesar de ter chegado ao time titular apenas na segunda metade da temporada. Para que esse atributo apareça, ele precisa de um parceiro que proteja a defesa e cuide da saída curta. Andrey Santos é exatamente esse parceiro. A dupla Mainoo-Andrey no dois-volantes do 4-2-3-1 de Carrick tem lógica clara: um quebra linhas com a bola, o outro garante a base quando ela se perde.

Há um dado que resume bem o que Andrey Santos representa neste momento: na melhor sequência do Chelsea na temporada – oito vitórias consecutivas – ele estava no time ao lado de Caicedo e Enzo Fernández. Não foi o protagonista dessas partidas, mas foi a peça que deu equilíbrio para que os outros dois brilhassem. No United, a lógica pode ser semelhante: Andrey é o meio-campista que organiza o espaço para Fernandes criar e para Mainoo ou Tielemans progredir.

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