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Peça coringa do São Paulo, Serrana já trabalhou em fábrica e relembra caminho até o melhor momento da carreira

Meia de origem, ela já atuou como ala e ponta com Thiago Viana

Dia 19/04/2026
11:39
Serrana com a taça da Supercopa do Brasil, conquistada pelo São Paulo em 2025. (SPFC/Divulgação)
imagem cameraSerrana com a taça da Supercopa do Brasil, conquistada pelo São Paulo em 2025. (SPFC/Divulgação)

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Antes de se firmar como jogadora de futebol profissional, a meio-campista Serrana, do São Paulo, conciliava treinos em Belo Horizonte com uma rotina que incluía horas de estrada e escola no dia seguinte.

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Natural de Nova Serrana, interior de Minas Gerais, a jogadora começou no futsal ainda criança, em um projeto escolar que serviu como porta de entrada para competições regionais. A oportunidade no futebol de alto rendimento surgiu em 2019, com a base do Atlético-MG. O cenário, no entanto, ainda refletia as limitações da modalidade naquele momento: poucos treinos semanais, deslocamentos longos e pouco retorno financeiro.

— Eu pegava ônibus à tarde, treinava e voltava no mesmo dia, chegando quase meia-noite. No dia seguinte tinha escola. Era puxado, mas era o que eu queria — recordou.

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Entre a pausa e o recomeço

A saída do clube mineiro coincidiu com o início da pandemia, interrompendo o processo de transição ao profissional. Sem contrato, Serrana voltou para a cidade natal e passou a trabalhar fora do futebol, inclusive em fábrica, enquanto mantinha treinos individuais para não perder condicionamento.

— Eu sabia que não era aquilo que eu queria, mas continuei me preparando com o que tinha. Corria, treinava, jogava quando dava. Não parei esperando oportunidade — afirmou.

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O retorno veio meses depois, já no América-MG, onde conquistou espaço e assinou o primeiro contrato profissional. A sequência abriu caminho para a transferência ao São Paulo, em 2022.

Serrana em campo pelo São Paulo. (Foto: CBF/Divulgação)
Serrana em campo pelo São Paulo. (Foto: CBF/Divulgação)

Versatilidade como ativo e adaptação tática

No clube paulista, Serrana chegou em um contexto de forte concorrência e inicialmente projetava poucos minutos. O cenário mudou rapidamente. Utilizada em diferentes funções — da meia central às pontas e até como ala —, passou a ser titular no time de Thiago Viana.

— Minha posição de origem é meia, mas hoje eu entendo o jogo de outra forma. Onde precisar, eu vou. O importante é estar pronta — explicou.

— Minha namorada e a mãe dela falam a mesma coisa, que eu estou em todo canto do campo — diz ela, com bom humor.

A lesão em 2022 interrompeu a temporada, mas também impulsionou seu amadurecimento. O retorno gradual em 2023 evoluiu para maior participação em 2024 e culminou em bom desempenho na temporada seguinte.

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Libertadores e leitura de competitividade

A primeira participação do São Paulo na Libertadores, em 2025, também deixou lições. Apesar da eliminação nas quartas, Serrana identifica o torneio como aprendizado sobre margem de erro reduzida em jogos eliminatórios.

— A Libertadores tem um perfil diferente. É muito mais físico, muito mais disputado. Tem jogo que não vai ser bonito, e você precisa saber competir mesmo assim.

— Ao mesmo tempo, foi importante viver isso. Dá uma bagagem diferente e muda a forma como você encara esse tipo de jogo depois.

— É diferente. Você não pode dar espaço. A gente tinha condição de avançar mais, mas não aproveitou — avaliou.

Metas e conexão com a origem

Entre os objetivos, a convocação para a Seleção Brasileira aparece como consequência de um processo em andamento, não como ponto de chegada. A jogadora também deseja atuar no exterior, especialmente na liga dos Estados Unidos ou no futebol espanhol.

— Eu me preparo para quando a oportunidade vier. Não é só chegar, é se manter — destacou.

— Eu quero chegar na Seleção preparada, para honrar minha família, minha namorada, a família dela e todas as pessoas que fazem parte da minha trajetória.

O vínculo com a origem segue presente. Serrana mantém visitas frequentes a Nova Serrana e reconhece o papel da família na sustentação da carreira. O apelido que carrega, inclusive, nasceu como referência direta à cidade.

— Virou quem eu sou no futebol — resumiu.

Serrana comemora gol pelo São Paulo. (Rebeca Reis/Agência Paulistão)
Serrana comemora gol pelo São Paulo. (Rebeca Reis/Agência Paulistão)
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