Entre ônibus, fábrica e futebol: a história de Serrana, peça-coringa do São Paulo
Meia de origem, ela já atuou como ala e ponta com Thiago Viana

Antes de se firmar como jogadora de futebol profissional, a meio-campista Serrana, do São Paulo, conciliava treinos em Belo Horizonte com uma rotina que incluía horas de estrada e escola no dia seguinte.
Antes de se firmar como jogadora profissional, a meio-campista Serrana, do São Paulo, conciliava treinos em Belo Horizonte com uma rotina que incluía horas na estrada e escola no dia seguinte.
Natural de Nova Serrana, interior de Minas Gerais, a jogadora começou no futsal ainda criança, em um projeto escolar que serviu como porta de entrada para competições regionais. A oportunidade no futebol de alto rendimento surgiu em 2019, com a base do Atlético-MG. O cenário, no entanto, ainda refletia as limitações da modalidade naquele momento: poucos treinos semanais, deslocamentos longos e pouco retorno financeiro.
— Eu pegava ônibus à tarde, treinava e voltava no mesmo dia, chegando quase meia-noite. No dia seguinte tinha escola. Era puxado, mas era o que eu queria — recordou.
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Entre a pausa e o recomeço
A saída do clube mineiro coincidiu com o início da pandemia, interrompendo o processo de transição ao profissional. Sem contrato, Serrana voltou para a cidade natal e passou a trabalhar fora do futebol, inclusive em fábrica, enquanto mantinha treinos individuais para não perder condicionamento.
— Eu sabia que não era aquilo que eu queria, mas continuei me preparando com o que tinha. Corria, treinava, jogava quando dava. Não parei esperando oportunidade — afirmou.
O retorno veio meses depois, já no América-MG, onde conquistou espaço e assinou o primeiro contrato profissional. A sequência abriu caminho para a transferência ao São Paulo, em 2022.

Versatilidade como ativo e adaptação tática
No clube paulista, Serrana chegou em um contexto de forte concorrência e inicialmente projetava poucos minutos. O cenário mudou rapidamente. Utilizada em diferentes funções — da meia central às pontas e até como ala —, passou a ser titular no time de Thiago Viana.
— Minha posição de origem é meia, mas hoje eu entendo o jogo de outra forma. Onde precisar, eu vou. O importante é estar pronta — explicou.
— Minha namorada e a mãe dela falam a mesma coisa, que eu estou em todo canto do campo — diz ela, com bom humor.
A lesão em 2022 interrompeu a temporada, mas também impulsionou seu amadurecimento. O retorno gradual em 2023 evoluiu para maior participação em 2024 e culminou em bom desempenho na temporada seguinte.
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Libertadores e leitura de competitividade
A primeira participação do São Paulo na Libertadores, em 2025, também deixou lições. Apesar da eliminação nas quartas, Serrana identifica o torneio como aprendizado sobre margem de erro reduzida em jogos eliminatórios.
— A Libertadores tem um perfil diferente. É muito mais físico, muito mais disputado. Tem jogo que não vai ser bonito, e você precisa saber competir mesmo assim.
— Ao mesmo tempo, foi importante viver isso. Dá uma bagagem diferente e muda a forma como você encara esse tipo de jogo depois.
— É diferente. Você não pode dar espaço. A gente tinha condição de avançar mais, mas não aproveitou — avaliou.
Metas e conexão com a origem
Entre os objetivos, a convocação para a Seleção Brasileira aparece como consequência de um processo em andamento, não como ponto de chegada. A jogadora também deseja atuar no exterior, especialmente na liga dos Estados Unidos ou no futebol espanhol.
— Eu me preparo para quando a oportunidade vier. Não é só chegar, é se manter — destacou.
— Eu quero chegar na Seleção preparada, para honrar minha família, minha namorada, a família dela e todas as pessoas que fazem parte da minha trajetória.
O vínculo com a origem segue presente. Serrana mantém visitas frequentes a Nova Serrana e reconhece o papel da família na sustentação da carreira. O apelido que carrega, inclusive, nasceu como referência direta à cidade.
— Virou quem eu sou no futebol — resumiu.


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