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Ativista afegã, Khalida Popal conhece o Vasco e revela paixão por Marta

Ativista afegã transformou o futebol em ferramenta de luta pelos direitos das mulheres

PorIgor ReisRio de Janeiro (RJ)
20/08/2026 14:30

Supervisionado porAlessandra Ferreira,

Khalida Popal, uma das principais vozes do futebol feminino no mundo, esteve em São Januário nesta quinta-feira (20) para conhecer o Vasco. Ex-capitã e uma das fundadoras da seleção feminina do Afeganistão, a ativista aproveitou a passagem pelo Brasil para visitar o clube e se aproximar de uma história que também tem Marta como protagonista.

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Khalida foi apresentada ao clube e conversou com a imprensa presente em São Januário. A visita aconteceu minutos após a coletiva com duas jogadoras do elenco feminino (Juh Morais e Vilmara) e o técnico Rubens Franco, que projetaram o duelo decisivo contra o Taubaté, neste sábado (22), pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A2. Com a vitória por 2 a 0 no jogo de ida, o Vasco chega à partida com uma importante vantagem e pode confirmar o acesso ao Brasileiro A1 em caso de classificação para a semifinal.

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A relação de Popal com o futebol começou ainda na infância, em meio a um cenário bastante difícil para as mulheres no Afeganistão. O esporte, que inicialmente era uma paixão, acabou se transformando em uma ferramenta de luta por liberdade, igualdade e direitos das mulheres.

Antes de se tornar uma das principais referências do futebol feminino afegão, Popal conta que se apaixonou pelo esporte ao acompanhar Ronaldinho. O brasileiro foi uma das referências que despertaram seu interesse pelo futebol quando ainda era jovem.

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— Quando comecei, eu não tinha uma referência feminina. O Ronaldinho era a única pessoa que eu admirava e tinha um grande pôster dele na parede. Depois conheci a Marta, e ela se tornou minha referência não apenas pelo talento que tem, mas pela forma como transformou o futebol em uma ferramenta de ativismo.

Marta foi o motivo para conhecer o Vasco

Khalida Popal veio ao Brasil também com o objetivo de se conectar com a comunidade e aproximar do país o trabalho desenvolvido pela Girl Power Organization, projeto criado por ela para utilizar o futebol como ferramenta de empoderamento e transformação para meninas e mulheres.

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A ligação de Popal com o Brasil também passa por Marta. Admiradora do talento da camisa 10, a ativista também encontrou inspiração na luta da brasileira por mais espaço para as mulheres no esporte e no impacto que teve ao abrir caminho para uma nova geração de jogadoras.

— Toda vez que vejo a Marta, principalmente quando ela está diante de uma câmera, ela fala sobre a sociedade, sobre os desafios enfrentados pelas mulheres. Ela inspira. Foi com a Marta que aprendi sobre o ativismo de atletas. O futebol feminino está crescendo e criando uma nova história — afirmou Khalida sobre Marta.

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Ao pesquisar essa trajetória, descobriu a passagem de Marta pelo Vasco, clube onde iniciou sua formação, e decidiu incluir São Januário no roteiro da sua passagem pelo Brasil.

— Eu queria ir a um clube do qual a Marta fez parte, e esse clube é especial, ela fez sua estreia aqui, e essa é uma das razões de eu estar aqui — disse Khalida.

A visita a São Januário, portanto, ganhou um significado especial para a ativista. Além de conhecer um dos estádios mais tradicionais do futebol brasileiro, Popal pôde se aproximar de um clube ligado à trajetória de uma jogadora que se tornou referência mundial para meninas e mulheres dentro do esporte.

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Khalida Popal na frente de um background com marcas parceiras do Vasco segurando uma camisa do clube
Khalida Popal recebeu uma camisa do Vasco (Foto: Igor Reis/Lance!)

Uma vida dedicada ao futebol feminino

Nascida em Cabul, em 1987, Khalida Popal foi uma das pioneiras na construção do futebol feminino no Afeganistão. A relação com o esporte começou ainda na infância, quando jogava futebol nas ruas com meninos. A experiência, porém, também revelou as barreiras que enfrentaria por ser mulher em uma sociedade marcada por restrições ao futebol feminino.

— Eu comecei a jogar com os meninos, como tantas atletas e jogadoras de futebol ao redor do mundo. Eu gostava e amava o jogo, mas me disseram que o meu lugar era na cozinha, que eu deveria lavar e limpar. Isso acontece em tantos países e o Afeganistão não era uma exceção. Fui obrigada a parar de jogar com os meninos porque era uma menina. Disseram que eu pertencia à cozinha, e eu queria mudar essa narrativa — contou Popal.

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A experiência foi determinante para que ela decidisse transformar o futebol em uma ferramenta de mudança. Em 2007, Popal participou da criação da seleção feminina do Afeganistão, equipe pela qual também foi capitã. Além disso, ocupou diferentes funções na Federação Afegã de Futebol e trabalhou na formação de novas jogadoras.

— Eu queria iniciar um movimento por meio do futebol no Afeganistão. Foi assim que comecei a reunir meninas nas escolas, com a ajuda da minha mãe e de professores. Era um movimento de mulheres para criar uma plataforma e dar voz às nossas irmãs no Afeganistão, que muitas vezes tinham suas vozes silenciadas e enfrentavam violência e tantos outros desafios. O futebol se tornou a nossa plataforma e a nossa voz — explicou.

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Sua atuação, porém, ultrapassou as quatro linhas. Popal passou a utilizar o futebol como instrumento de transformação social e defesa dos direitos das mulheres. Atualmente, é fundadora da Girl Power Organization, iniciativa voltada ao empoderamento de mulheres e meninas por meio do esporte.

A trajetória também a obrigou a deixar o Afeganistão. Após sofrer ameaças por sua atuação em defesa do futebol feminino, Popal deixou o país e passou a viver como refugiada na Europa. Mesmo longe de sua terra natal, continuou trabalhando pela inclusão de mulheres no esporte.

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A ativista também teve papel importante na retirada de jogadoras afegãs e de seus familiares do país após o retorno do Talibã ao poder, em 2021. Segundo a Organização das Nações Unidas, ela ajudou a coordenar a evacuação de mais de 600 pessoas ligadas às seleções femininas do Afeganistão.

Hoje, Popal segue como uma das principais vozes internacionais na defesa da igualdade de gênero e dos direitos de mulheres e refugiadas no esporte.

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Popal mira a Copa do Mundo Feminina de 2027

Durante a visita ao Vasco, Khalida Popal também demonstrou entusiasmo com a possibilidade de retornar ao Brasil. A ativista revelou que pensa em voltar ao país em 2027 durante a Copa do Mundo Feminina.

— Espero que esta Copa do Mundo se torne uma plataforma não apenas para mostrar os grandes talentos e dar às mulheres a atenção e a visibilidade que elas merecem, mas também para inspirar meninas ao redor do mundo, da mesma forma que a Marta me inspirou. Que elas possam devolver isso às suas comunidades, se tornar líderes e usar o futebol como uma plataforma para defender os direitos humanos — completou.

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A eventual presença de Popal na Copa do Mundo Feminina reforçaria uma relação que vai além do futebol. Para a ativista, o esporte representa uma ferramenta de transformação, especialmente para mulheres que ainda enfrentam barreiras para praticá-lo.

Khalida Popal na frente de um background com marcas parceiras do Vasco
Khalida Popal em São Januário (Foto: Igor Reis/Lance!)

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