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Quem é Mancuso, ex-jogador acusado de dar golpe com licenças falsas de treinador?

Argentino já se envolveu em casos de estelionato e polêmicas com Maradona

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
07/10/2026 11:14
Mancuso com a camisa do Flamengo (década de 90)
Mancuso com a camisa do Flamengo na década de 90 (Foto: Reprodução)

Apontado como o responsável pelo golpe de venda de licenças falsas para treinadores, Alejandro Mancuso nasceu em Ciudadela, na Grande Buenos Aires, em 1968. O volante argentino passou por dois dos maiores clubes do futebol brasileiro, integrou a seleção argentina na Copa do Mundo de 1994 e foi auxiliar técnico de Diego Maradona no Mundial de 2010. Após a aposentadoria, se envolveu em uma série de episódios com a Justiça.

Trajetória de Mancuso nos gramados

Torcedor declarado do Vélez Sarsfield, Mancuso fez a formação na base do rival Ferro Carril Oeste, onde estreou profissionalmente em 1988. No mesmo ano, se transferiu para o Vélez, onde se firmou como titular absoluto ao lado de nomes como Diego Simeone.

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As boas atuações renderam a convocação para a seleção argentina em 1992. Pela Albiceleste, ficou na memória pelo gol no empate em 1 a 1 contra o Brasil no amistoso da reestreia de Maradona, disputado no Monumental de Nuñez em 1993. Naquele mesmo ano, integrou o grupo campeão da Copa América; seria o último título da Argentina antes de uma seca de 28 anos.

Em 1993, antes de rumar ao Brasil, passou pelo Boca Juniors por duas temporadas. No Palmeiras, a partir de 1995, assumiu a difícil missão de substituir Cesar Sampaio. Se destacou pela raça em jogos decisivos e ganhou o rótulo de jogador mais violento do país, título conferido em votação da revista Placar entre os próprios atletas. Colegas chegaram a chamá-lo de "doido" quando trocou o Alviverde pelo Flamengo.

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No clube da Gávea, em 1996, Mancuso jogou ao lado de Romário, foi titular e conquistou o Campeonato Carioca de forma invicta. Ficou no Rio até 1997, quando teve uma passagem sem brilho pelo Independiente. Encerrou a carreira em 2000, após passagens pelo Badajoz, da segunda divisão espanhola, pelo Santa Cruz, de Pernambuco, e pelo Bella Vista, do Uruguai.

Briga com Maradona e problemas com a Justiça

Depois de se aposentar, Mancuso atuou como empresário de atletas. Em 2010, o amigo Maradona o convidou para ser auxiliar técnico da seleção argentina na Copa da África do Sul. A relação entre os dois se rompeu definitivamente após o Mundial, quando Diego o acusou de fazer negócios em seu nome, falsificar sua assinatura para fechar um contrato publicitário na China e ficar com o dinheiro.

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Mancuso respondeu à acusação com uma provocação direta sobre o passado do ex-companheiro:

— Quando Maradona disse que a droga o afetou em todos os lados menos na memória, eu posso dizer que aí foi onde mais forte o afetou.

Em 2019, seis anos depois de Maradona entrar com recurso sobre o caso, a Suprema Corte da Argentina rejeitou a petição por unanimidade. Os membros do tribunal entenderam que o recurso era inadmissível porque a ação denunciada havia prescrito.

Mais recentemente, em 2025, Mancuso foi acusado de estelionato por supostamente entregar cheques falsos que somam 2.485.000 pesos; o equivalente a 28 mil dólares, conforme cálculos da imprensa argentina à época. O advogado das vítimas, Gustavo Marceillac, pediu que ele respondesse por "colocação em circulação de cheques falsificados em concurso ideal com estelionato".

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Segundo a investigação, em janeiro de 2021 as vítimas entregaram dinheiro em espécie a Mancuso em um "contrato verbal de mútuo", em troca de dois cheques pré-datados do Banco Comafi, no total de 715.000 pesos. Uma semana depois, repetiram a operação e receberam outros dois cheques, vinculados ao Instituto Nacional de Seguridade Social para Aposentados e Pensionistas, nos valores de 670.000 e 1.100.000 pesos. Nenhum deles foi pago.

O cheque do Banco Comafi voltou por "ordem de não pagamento com fundos disponíveis"; o outro foi recusado por "alteração". As perícias indicaram que os documentos eram ao portador e endossados pelo próprio Mancuso. O banco confirmou a autenticidade dos papéis, mas esclareceu que se tratavam de cheques comuns, o que impedia identificar conta ou agência. Para Marceillac, o ex-jogador se aproveitava da notoriedade pública para enganar as pessoas.

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Em novembro de 2025, segundo o diário La Capital, de Mar del Plata, a Justiça considerou comprovada a acusação e levou Mancuso a juízo. "Tenho que assumir a responsabilidade, porque ninguém tem culpa de eu ter sido contratado por uma pessoa que nos deu cheques como pagamento e nunca os honrou", disse ele ao jornal na ocasião.


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