Flamengo publica nota oficial e faz duras críticas à arbitragem no Brasil
Clube cita dados do VAR e cobra critérios mais rígidos dos árbitros

O Flamengo divulgou neste sábado (1º) uma nota oficial em que faz críticas à arbitragem do futebol brasileiro e defende mudanças na postura dos árbitros durante as partidas. No texto, o clube afirma que o tema voltou ao centro das discussões após o retorno da Copa do Mundo e sustenta que é necessário adotar critérios mais claros para garantir maior credibilidade às competições.
Ao longo do comunicado, o Rubro-Negro cita estatísticas para justificar o debate sobre a arbitragem. Segundo o clube, um levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que o Palmeiras lidera o saldo positivo de decisões alteradas pelo VAR desde a implantação do ranking, em 2020, até o Brasileirão de 2026.
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De acordo com os números mencionados na nota, a equipe paulista acumula 65 decisões modificadas a seu favor, 47 contrárias e saldo positivo de 18 intervenções, além de ser o clube com maior número de participações do árbitro de vídeo no período.
Apesar de apresentar os dados, o Flamengo afirma que nenhuma estatística, isoladamente, comprova favorecimento. Ainda assim, argumenta que o histórico das últimas temporadas ajuda a explicar por que a arbitragem permanece como um dos principais assuntos do futebol nacional.
Flamengo critica pressão sobre árbitros
Outro ponto abordado pelo clube é o comportamento de jogadores e integrantes das comissões técnicas durante as partidas. O Flamengo afirma que se tornou comum a pressão exercida sobre os árbitros, com reclamações constantes e cercos à equipe de arbitragem, classificando essa postura como uma estratégia recorrente.
Na avaliação do clube, cabe aos árbitros impedir esse tipo de conduta e aplicar as regras de forma uniforme, independentemente da equipe envolvida.
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Clube reconhece avanços da CBF, mas cobra responsabilização
A nota também reconhece iniciativas promovidas pela Comissão de Arbitragem da CBF, como treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e utilização de novas tecnologias. No entanto, o Flamengo ressalta que as decisões finais continuam sendo tomadas pelos árbitros em campo e pelos responsáveis pelo vídeo.
Como exemplo, o comunicado cita a partida entre Vitória e Palmeiras, destacando que as decisões ficaram sob responsabilidade do árbitro Alex Gomes Stefano e de Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, responsável pelo VAR.
Segundo o clube, erros graves e a falta de punição diante da pressão exercida sobre a arbitragem precisam gerar responsabilização, já que as decisões influenciam diretamente a disputa por títulos, vagas em competições e a luta contra o rebaixamento.
Flamengo cita Copa do Mundo e pede critérios mais rígidos
Na parte final do texto, o Flamengo afirma que a Copa do Mundo serviu como exemplo de uma arbitragem baseada no cumprimento das regras e no conceito de "jogo limpo". Para o clube, o mesmo padrão deve ser adotado no futebol brasileiro.
O comunicado é encerrado com a defesa de que o debate volte a ser centrado no futebol dentro de campo, e não na arbitragem. O Flamengo afirma que isso depende da aplicação uniforme das regras e da atuação firme dos árbitros para preservar a credibilidade das competições.
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Confira nota na íntegra
Após o retorno da Copa do Mundo, o debate sobre arbitragem voltou a ocupar o centro do futebol brasileiro. E isso não acontece por acaso.
Nos últimos anos, consolidou-se entre torcedores, profissionais do futebol e parte significativa da opinião pública a percepção de que um determinado clube vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem. Essa percepção não nasce apenas da rivalidade esportiva. Também encontra respaldo em números.
Levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor (65), o menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47) e o maior saldo positivo do futebol brasileiro (+18). Também lidera o número total de intervenções do VAR.
Os números desta edição do Brasileirão seguem na mesma direção. O Palmeiras é a 5ª equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo (6,72 faltas por advertência), enquanto seus adversários figuram entre os que mais recebem cartões amarelos e vermelhos ao enfrentá-lo.
Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.
Também merece reflexão o comportamento adotado dentro e fora de campo. Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada.
É importante reconhecer os investimentos realizados pela CBF e os avanços promovidos pela Comissão de Arbitragem, com treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e implementação de novas tecnologias. No entanto, não são elas que executam as regras que, eventualmente, acabam decidindo jogos.
Na partida entre Vitória e Palmeiras, por exemplo, as decisões foram tomadas por Alex Gomes Stefano, em campo, e Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, no VAR.
São os árbitros que interpretam os lances, aplicam as regras e tomam decisões capazes de alterar tabelas, influenciar disputas por títulos, vagas e rebaixamentos. Por isso, também precisam ser responsabilizados quando cometem erros graves, quando são passivos em relação à pressão até mesmo em cobranças de lateral, e quando não coíbem o mau comportamento sistemático, como determinam as regras. A Copa do Mundo, recentemente, mostrou o caminho; árbitros e atletas que lá estiveram, muitos deles jogando no Brasil, lá, atuaram de acordo com a regra do "jogo limpo", e deveriam fazer o mesmo aqui.
O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros.
O futebol é paixão e um grande negócio. Por isso, precisa de confiabilidade por quem é incumbido de cumprir as regras do jogo.

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