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Análise: Flamengo tem noite desanimadora para quem sonha com o Brasileirão

Empate desperdiça chance de diminuir a distância para o Palmeiras e evidencia problemas

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
27/07/2026 07:01

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O empate por 1 a 1 com o São Paulo, neste domingo (26), deixou um gosto amargo para o Flamengo. Além dos dois pontos desperdiçados no Maracanã, o resultado representa uma oportunidade perdida na luta pelo título do Brasileirão. Com a derrota do líder Palmeiras para o Atlético-MG, o Rubro-Negro tinha a chance de diminuir a diferença na tabela, mas desperdiçou a oportunidade ao deixar escapar a vitória após sair na frente.

O sentimento de frustração do torcedor vai além da classificação. Em campo, o Flamengo voltou a apresentar problemas que já haviam aparecido em outros momentos da temporada. Faltou criatividade, intensidade e agressividade para transformar o domínio da posse de bola em chances reais de gol.

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O principal retrato disso foi o primeiro tempo. A equipe teve dificuldades para acelerar a circulação da bola, pouco incomodou a defesa são-paulina e praticamente não criou oportunidades. A ausência de Arrascaeta ficou evidente desde os primeiros minutos. Sem o camisa 10, que entrou na segunda etapa, o meio-campo perdeu capacidade de organização, criatividade e infiltração, tornando o ataque previsível.

Nem mesmo Leonardo Jardim escondeu a insatisfação com o desempenho da equipe antes do intervalo.

"Acho que, na primeira parte, foi pouco dinâmica, lenta na construção. Permitimos que o adversário ocupe os espaços. Precisávamos mudar a nossa atitude e sermos mais rápidos. Na segunda parte, isso aconteceu."

Flamengo x São Paulo no Maracanã pelo Brasileirão
Flamengo x São Paulo no Maracanã pelo Brasileirão (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

A entrada de Arrascaeta mudou o cenário. O uruguaio deu mais velocidade à circulação da bola, aproximou os jogadores de frente e fez o Flamengo crescer na partida. A diferença de rendimento reforça a dependência técnica do elenco em relação ao camisa 10 e, ao mesmo tempo, ajuda a explicar por que a diretoria trata a contratação de Thiago Almada como prioridade nesta janela.

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Flamengo precisa de um Almada

Jardim já deixou claro que sente falta de um jogador com esse perfil para dividir a responsabilidade criativa da equipe. A busca por Almada passa justamente pela necessidade de oferecer mais alternativas quando Arrascaeta não está em campo ou precisa ser preservado. Ou até mesmo se precisar dividir esse protagonismo.

Problemas na defesa

Se com a bola o Flamengo demorou a jogar, sem ela também deixou a desejar. O time foi apático na pressão, permitiu que o São Paulo saísse jogando com relativa tranquilidade e não conseguiu sustentar a intensidade após abrir o placar. A marcação alta, que deveria começar pelos atacantes, funcionou apenas em momentos isolados.

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A falta de atenção custou caro. O gol de empate nasceu de uma jogada em que Calleri, atacante do São Paulo, apareceu completamente livre entre os dois zagueiros rubro-negros para finalizar. Um detalhe que chama ainda mais atenção pelo momento do adversário: ele não balançava as redes havia cerca de três meses.

Outro ponto que gerou incômodo foi a postura adotada em alguns momentos da partida. Mesmo atuando em casa e precisando da vitória, o Flamengo voltou a alternar períodos de um jogo mais reativo, cedendo iniciativa ao adversário. A estratégia de Jardim deixou parte da torcida na bronca, já que a expectativa é ver uma equipe capaz de controlar as ações e impor seu ritmo, principalmente no Maracanã.

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No intervalo, o treinador resumiu exatamente o que faltava ao Flamengo.

"Quando cheguei ao intervalo, escrevi uma palavra no quadro que temos dentro da nossa cabine: agressividade. Agressividade com a bola. (…) Durante grande parte do primeiro tempo, o que aconteceu? Circulávamos a bola, mas apenas passávamos de um jogador para o outro. A bola ia para a direita, voltava novamente para trás e, muitas vezes, acabávamos até facilitando a pressão do São Paulo. A partir do momento em que começamos a ter essa agressividade e a conduzir a bola para a frente, o São Paulo, mesmo pressionando de um lado, já não conseguia se equilibrar do outro. Foi aí que começamos a ter um poder ofensivo maior. Mais do que uma questão de estratégia, faltou dinâmica, velocidade na circulação e agressividade com a bola no primeiro tempo."

O diagnóstico do treinador coincide com a sensação deixada pela partida. O Flamengo voltou a ser um time de muita posse, mas pouca profundidade. Trocou passes sem machucar o adversário, demorou a acelerar o jogo e pagou caro pela falta de concentração em um lance defensivo.

No fim das contas, o empate pesa muito mais do que um simples resultado. Em um campeonato de margem pequena para erros, desperdiçar a chance de se aproximar do líder pode fazer diferença na reta final. O Flamengo sai da rodada com questionamentos sobre seu desempenho coletivo e com a certeza de que ainda precisa evoluir para transformar volume de jogo em um futebol dominante.

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