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Maturidade rara: conheça Eduardo Pape, joia do Cruzeiro destacada por jornal inglês

O jogador foi destacado pelo The Guardian entre os jovens nascidos em 2009

PorEduardo Statuti•Belo Horizonte (MG)
07/10/2026 11:03
Eduardo Pape é destaque da Seleção Brasileira Sub-17 (Foto: Guilherme Drovas / Staff Images / CBF)
Eduardo Pape é destaque da Seleção Brasileira Sub-17 (Foto: Guilherme Drovas / Staff Images / CBF)

Fruto de uma ótima captação no passado, a Raposa tem colhido os frutos e vendo seus jovens serem destaque na mídia internacional. Uma das joias do Cruzeiro, Eduardo Pape, foi destaque do The Guardian na última terça-feira na lista dos 60 principais jovens talentos do futebol mundial nascidos em 2009.

Meio-campista nascido em 20 de março de 2009, ele é apontado pela publicação como um jogador de características pouco comuns no futebol brasileiro, especialmente pela capacidade de controlar o meio-campo e organizar o jogo.

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O Guardian compara seu estilo ao de Sergio Busquets e destaca a inteligência do brasileiro para antecipar as jogadas. Pape é capitão da seleção brasileira sub-17 que disputará o Mundial da categoria e também foi o artilheiro do último Sul-Americano Sub-17, no Paraguai.

Embora se sinta mais confortável como segundo volante, Eduardo Pape também pode atuar como meio-campista ou volante. Para conhecer melhor a vida dessa revelação do Cruzeiro, o Lance! ouviu membros da família, staff e um técnico do clube para entender a história do jovem que desperta o interesse do futebol europeu.

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Eduardo Pape renovando contrato
Eduardo Pape tem contrato com o Cruzeiro até 2028 (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Conheça Eduardo Pape, joia do Cruzeiro

As mudanças fizeram parte da vida de Eduardo Pape desde seu nascimento. Criado em São Miguel da Boa Vista (SC), cidade com menos de dois mil habitantes no oeste de Santa Catarina, o garoto nasceu em Maravilha, cidade vizinha, porque sua terra natal não tinha hospital.

Desde a infância, seu maior traço de personalidade apareceu: a paixão pelo futebol. Desde o início, mostrou não ser como os outros garotos de sua idade.

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– Eduardo sempre gostou de futebol, meu marido (Evandro) sempre jogou os regionais, e o Eduardo ia com ele. Quando era pequeno, ele não assistia desenho, apenas futebol, sabia tudo. Até hoje ele acompanha tudo – diz Mari, mãe do garoto ao Lance!, que ressaltou a inspiração do jogador em De Bruyne.

A carona que levou ao time que mudaria sua vida

Como outros jovens, Eduardo Pape iniciou sua trajetória no futsal, ainda aos cinco anos. Logo chamou atenção das equipes das cidades vizinhas, sempre jogando nas categorias acima da sua idade. Aos oito anos, foi artilheiro do estadual de futsal de Santa Catarina.

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Três anos depois, o meio-campista chamou atenção do Azuris. Porém, como seus pais trabalhavam, não tinham condições de fazer viagens de duas horas para levá-lo aos treinamentos. Mas uma amizade da família deu apoio ao sonho do garoto.

– No início, no primeiro ano, ele ia todo dia, um amigo nosso (Luis Carlos Tremeia) levava porque o filho (Breno) também treinava no Azuris – relembra Mari.

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Porém, quando os treinamentos passaram a ser diários, em Marmeleiro. Com isso, ainda aos 13 anos, ele teve que morar em uma pensão.

– Foi difícil porque ele sempre teve uma vida boa aqui no interior. Ele foi, aguentou [...] Sabia que aquele era o futuro. A gente apoia, incentiva, mas sofria em silêncio, já derramei muitas lágrimas – conta a mãe de Eduardo Pape.

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O torneio que mudou o rumo do garoto

Pelo Azuris, o meio-campista disputou duas edições da Copa Umbro, principal competição de base sub-14 do Brasil. Na competição, surgiram interesses de gigantes do futebol brasileiro, mais de dez clubes como Flamengo e Palmeiras, mas o Cruzeiro venceu a disputa pelo esforço.

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– Em 2023, o Cruzeiro fez algo muito legal, convidou ele para conhecer a Toca, o clube. Ele foi sozinho, primeira vez de avião, na época do Ronaldo ainda. O Cruzeiro pagou tudo e ele ficou 40 dias em experiência. Conheceu tudo, os garotos, treinou com eles, em meados de março. Na metade do ano ele foi mais uma vez, por 40 dias, ficando no alojamento da Toca, com os outros garotos. Ele adorava, sempre foi muito bem tratado, pelos garotos, os treinadores. Por isso, no fim do ano, quando teve que escolher o clube que ia, não pensou duas vezes. Tinham outros até mais perto de casa – explica Mari.

De camisa 10 a volante: a posição que o fez decolar

Empresário de Eduardo Pape desde os 13 anos, Erick Schenk ressalta ao Lance! que, desde adolescente, o jogador sempre demonstrou maturidade maior do que a dos seus pares.

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– Ele tem demonstrado em campo o potencial que víamos lá atrás. Ele conseguia ditar o jogo, consegue até hoje, fazer a diferença mesmo como segundo volante. Ele tem um vigor físico grande, mesmo sendo magrinho, dá pique os 90 minutos de jogo. Um jogador de Seleção fazer isso não é muito comum – diz o representante.

Multitarefas, Eduardo Pape pode atuar nas três posições do meio de campo, mas se sente mais confortável como segundo volante. A maturidade destacada por seu staff foi vista também nos treinamentos na Toca da Raposa.

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– O dia a dia dele é muito bom. Muito bom de treino, sempre disponível. Apesar de calado, cumpre com todas as demandas do processo. O extracampo é excepcional. O índice de trabalho dele é muito alto, dificilmente fica de fora dos treinos – avalia Mairon César, ex-técnico do Sub-20 do Cruzeiro que foi campeão da Copinha com o garoto.

Cruzeiro campeão da Copinha 2026
Cruzeiro campeão da Copinha 2026 (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

– É um jogador inteligente, tem a capacidade de gerir o ritmo do jogo com passes. Joga em poucos toques, sempre antecipando o adversário em suas ações ofensivas e defensivas – desataca o treinador ao Lance!.

Capitão calado: a liderança discreta de Eduardo Pape

Escolhido como capitão em algumas ocasiões de sua carreira, Eduardo Pape, diferente do estereótipo do jogador de futebol, é mais reservado, mas não deixa de ser uma liderança, principalmente pelo exemplo.

– O Eduardo não é tímido, mas não é de falar muito. Ele fala o necessário. Ele se abre se ele conhece a pessoa. Ele é mais na dele, mais quietinho. Na seleção ele é capitão, mesmo mais caladinho. Ele é um exemplo de foco, responsabilidade, sempre vai bem na escola, vai atrás dos conteúdos. Trata todo mundo com respeito. Ele sempre orienta os companheiros, faz sinais – diz a mãe.

Ele me parece muito mais maduro que os meninos da idade dele, a postura dentro e fora de campo. É caseiro, é um cara muito diferente. Essa base familiar dele ajuda muito também

Eduardo Pape com a medalha da Copinha (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Eduardo Pape com a medalha da Copinha (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Apesar da maturidade, Eduardo Pape sequer concluiu o ensino médio, o que deve ser feito neste ano. De olho nos próximos passos, ele segue fazendo o possível para seguir com os estudos e também estuda inglês nas horas vagas.

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