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Seedorf usa Real Madrid e Barcelona como exemplos para tirar Corinthians da crise

Treinador holandês destaca importância de recuperar a confiança do elenco

PorGuilherme Lesnok•São Paulo (SP)
15/10/2026 04:00
Clarence Seedorf sorri em foto
Clarence Seedorf durante apresentação no Corinthians (Foto: Agência Corinthians)

O técnico Clarence Seedorf utilizou as experiências vividas no Real Madrid e os problemas políticos enfrentados pelo Barcelona como exemplos para explicar como pretende tirar o Corinthians da crise no Campeonato Brasileiro. Apresentado oficialmente nesta quarta-feira (14), no CT Dr. Joaquim Grava, o holandês destacou a importância de recuperar a confiança dos jogadores e manter o elenco concentrado no trabalho dentro de campo.

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Ao analisar o momento do Corinthians, Seedorf relembrou a pressão e a sequência de resultados negativos que enfrentou durante sua passagem pelo Real Madrid. O treinador também citou Barcelona e o próprio clube madrilenho como exemplos de equipes que passaram por turbulências políticas sem interromper o trabalho no futebol. Para o holandês, a recuperação do Timão depende da união do elenco, da confiança dos jogadores e da capacidade de separar os problemas administrativos das questões técnicas.

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— Alguns fatores. Um: eu não amo falar de problemas. Eu acho que não temos tempo para isso. Eu falo isso sempre com muito respeito a vocês, que precisam analisar. Eu tenho que olhar para as soluções. Segundo, tenho que olhar para as coisas que eu controlo. Quando as coisas não funcionam, e todos passam por isso, se você pensa em coisas negativas, elas só crescem. Aprendi como jogador a virar a página e olhar para a frente. Isso é uma maneira prática de controlar as coisas. Esse grupo sabe jogar e atuar muito melhor do que vem acontecendo. Temos que construir essa consciência — disse.

— Passei por isso no Real Madrid também, uma série de resultados negativos e uma pressão parecida com a daqui. Meu trabalho, principalmente no começo, vai ser para a gente limpar aquilo que não controlamos. Esse grupo vai ser capaz. Já vi coisas que me deixam com esperança — seguiu.

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Questionado sobre os problemas políticos e administrativos enfrentados pelo Corinthians, Seedorf evitou comentar diretamente as questões internas do clube. O treinador reforçou que pretende concentrar seus esforços na recuperação da equipe e destacou a necessidade de proteger o ambiente de trabalho das turbulências institucionais, utilizando novamente os dois gigantes espanhóis como referência.

— Eu não vim aqui para falar sobre política. Eu vim aqui com um projeto e uma visão. Uma visão que está relacionada ao campo. Eu passei várias vezes por esses momentos, com os maiores clubes do mundo, e a solução é só uma. Fechar o grupo e ir para o campo e trabalhar. E deixar vocês falarem com as pessoas que estão ligadas ao assunto. Temos que nos ocupar com coisas que controlamos e não com coisas inúteis. Vários clubes do mundo passam por momentos complicados na política, como Barcelona e Real Madrid, mas o dia a dia continua. Temos que separar essas coisas. Temos que focar só no trabalho técnico e tático — seguiu.

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Seedorf exibe a camisa do Corinthians ao lado do dirigente Marcelo Paz
Seedorf exibe a camisa do Corinthians ao lado do dirigente Marcelo Paz (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Seedorf comenta críticas de Gabriel Paulista à diretoria do Corinthians

Após a goleada no clássico, Gabriel Paulista fez duras críticas à situação interna do Corinthians, denunciou atrasos salariais e cobrou maior proteção aos atletas por parte da diretoria. O defensor também afirmou que pessoas estariam atrapalhando a equipe e revelou nunca ter enfrentado um momento semelhante ao longo de sua carreira profissional. Apesar das críticas, evitou citar nomes e garantiu que continuará lutando pelos companheiros até o final da temporada.

Questionado sobre as declarações do zagueiro e os problemas financeiros enfrentados pelo clube, Seedorf evitou avaliar acontecimentos anteriores à sua chegada. O treinador afirmou que pretende concentrar seus esforços no futuro da equipe e destacou a necessidade de reconstruir o ambiente interno por meio do trabalho e da união do elenco.

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— Eu não estava aqui antes. Então, aconteceu. Mas eu quero ver para frente. Para mim, tudo o que aconteceu até agora é importante, mas não tanto. É muito mais importante o que vai ter amanhã e o que vamos construir juntos. Não vamos falar sobre coisas que a gente não controla. Esse clube é maior do que todos nós. Daqui a cem anos ainda terá torcedores. Temos que nos concentrar para deixar um legado, profissionalmente tudo o que a gente pode para respeitar esse clube. Eu senti que é um leão ferido, os jogadores querem, mas às vezes não podem — comenta.

Ao abordar novamente as críticas de Gabriel Paulista, Seedorf reconheceu que o momento de dificuldade pode levar os jogadores a fazer declarações motivadas pela emoção. O holandês evitou responsabilizar diretamente a diretoria e afirmou que sua prioridade será fortalecer a união do grupo, para que os atletas não se sintam sozinhos diante da crise.

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— Sempre protegi os jogadores quando era jogador. Sempre falei que tinham que se concentrar nas coisas principais, que era o campo. Eu não acho que preciso falar de proteção de diretoria. Tem momentos que acontecem também na vida de vocês, que alguém fala coisas que não pensa. Mais porque está ferido, triste e fala uma coisa. Eu não quero dar importância porque acho que o ambiente interno é unido e vamos trabalhar para criar mais união ainda. Vários atletas que eu sei que deram declarações que normalmente não faria, temos que pensar o porque. E nós sabemos o motivo. Um grupo não pode se sentir sozinho. Não é a realidade. A realidade é que tem muita emoção, estamos no futebol e em um clube enorme, com uma torcida enorme e muitos de vocês que estão aqui e querem o bem do Corinthians — conclui.

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