Matheuzinho revela cobrança por mentalidade 'extraordinária' no Corinthians para Libertadores
Timão chega à Argentina com sete desfalques, mas lateral destaca obsessão do elenco e de Fernando Diniz pelo título continental

O Corinthians passa por certa instabilidade na temporada. Com quatro derrotas e apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, o Timão busca virar a chave para o duelo decisivo contra o Estudiantes, na Argentina, pela partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores, nesta quarta-feira (9), às 21h30 (de Brasília).
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Em entrevista coletiva nesta terça-feira (8), aniversariante do dia, o lateral-direito Matheuzinho detalhou os bastidores da preparação psicológica da equipe. Segundo o jogador, a obsessão pela taça tem mantido o grupo blindado, mesmo após as duras derrotas no Brasileirão para Cruzeiro, Coritiba, Santos e, no último domingo (6), para a lanterna Chapecoense.
— E uma coisa que eu coloco para mim, individualmente, que é algo que o Diniz fala para a gente, que é ser extraordinário. A gente tem que estar ali, trabalhando, sendo extraordinário todo dia, e é isso que eu vejo dessa equipe. A gente sabe que a gente acaba devendo um pouco, às vezes no Brasileirão, alguns deslizes desnecessários, mas nós sabemos que a competição da Libertadores é muito importante para nós, então, creio que essa palavra, o extraordinário, para nós nessa competição combina muito, porque a gente está focado, está fechado, para que no dia 28 (dia da final da libertadores, em novembro) a gente esteja lá — declarou o lateral.
Matheuzinho prega atenção contra expulsões e revela blindagem sobre crise financeira
Além de lidar com uma extensa lista de desfalques, o Corinthians precisa ligar o alerta para a disciplina na Argentina. Depois de o time sofrer duas expulsões na fase anterior diante do Rosario Central, o técnico Fernando Diniz cobrou inteligência e compostura nas divididas contra o Estudiantes para evitar novos cartões vermelhos.
— Ele (Diniz) falou: "Não tira o pé, chega junto, mas toma cuidado, porque, se for para um time terminar com 10, que seja o time deles". Então a gente está com isso na cabeça para tomar cuidado, mas com certeza não vamos tirar o pé em nenhuma dividida — explicou Matheuzinho.
Além disso, fora das quatro linhas, o elenco Alvinegro também enfrenta a pressão do extracampo com os atrasos salariais por parte da diretoria. Segundo o lateral-direito, no entanto, os líderes do vestiário assumiram a responsabilidade de negociar com os dirigentes para garantir que o grupo mantenha o foco exclusivo no desempenho esportivo.
— E sobre as questões financeiras, acho que, cara, é complicado falar, porque tem os capitães ali no time, eles que conversam diretamente com a diretoria, e acaba que eles deixam a gente bem tranquilos em questões ali para dentro do CT, porque essa questão acho que a gente deixa para o diretor, deixa para o Marcelo, no caso, para o presidente, e os capitães meio que dominam no peito, deixam essa questão para eles conversarem, para o restante da equipe pensar só no futebol. Então eu, como não faço parte dos capitães, eu acabo não sabendo de muita coisa, então eu confio neles 100% e sei do que eles estão fazendo, sei do que eles estão tratando, e deixamos para que eles consigam conversar com a diretoria, com o presidente, para que ache a melhor forma — disse o lateral sobre a questão financeira.
Outras partes da entrevista coletiva do Matheuzinho
Má fase no Brasileirão x Momento na Libertadores
— Creio que as críticas são bem-vindas, claro, as construtivas, né, sem tirar o respeito. De momento nenhum acredito que nós seremos os melhores times, o melhor time do Brasil ou o pior time do Brasil. Creio que estamos numa fase complicada, em que a gente consegue construir durante a partida, criar chance de gol, mas acaba finalizando a partida com uma derrota. Mas, para amanhã, isso não atrapalha nem um pouco, porque é uma competição diferente. Eu falei algumas vezes, já que é uma competição onde a gente sabe do senso de urgência, que a gente não pode dar mole. Então, o nosso foco desde o começo sempre foi o título e não mudou nada. Então a gente chega amanhã para encarar essa partida sabendo que é uma equipe argentina. Como a gente encarou o Rosário, sabemos que vai ser difícil, um embate muito físico. Mas estamos preparados para conseguir um excelente resultado, para que, na semana que vem, em casa também, a gente consiga fazer um excelente jogo para conseguir a classificação.
Mensagem para a torcida e oscilação do time
— Claro que a torcida vai olhar o resultado, mas nós, no dia a dia, sabemos o que estamos construindo, sabemos que precisamos mudar alguma coisa para fazer com que esse resultado negativo passe a ser positivo. Em todos os jogos que a gente acabou tendo resultado negativo no Brasileirão, se for olhar direitinho, a gente teve maior posse, maiores finalizações. Então nós temos que encontrar esse caminho para que a gente mude isso: mesmo tendo mais posse e mais finalizações, a gente consiga a vitória, que é o mais importante. A gente não está perdido, todo mundo está fechado, todo mundo sabe do potencial da nossa equipe. É um momento muito ruim, que incomoda todo mundo. Claro que a gente não pode perder, com todo respeito à Chapecoense e aos outros adversários, mas em casa a gente não pode perder, temos ciência disso. Mas a gente vai fazer de tudo para conseguir encontrar e consertar esses erros para voltar com as vitórias, dar moral para a equipe e trazer a torcida de novo para nós.
Pressão sobre Fernando Diniz e relação com o elenco
— Nosso dia a dia com o Diniz não muda nada. Nós sabemos que ele está fazendo um trabalho muito bom, muitos jogadores individualmente cresceram com a chegada dele. Todo trabalho precisa de um tempo, a gente cresceu muito, mas sempre tem uma instabilidade, isso é normal, e a gente está trabalhando para conseguir voltar ao eixo. A gente confia 100% nele, sabemos que ele é um cara muito capaz, já mostrou em outros clubes o que pode fazer por uma equipe. Estamos fechados com ele, todos os jogadores confiam na proposta de jogo. Sabemos que ele quer o melhor para o Corinthians e nós queremos o melhor para ele também. Não tem nenhuma dúvida entre os jogadores e o treinador.
Estilo de jogo brasileiro x argentino
— É muito difícil jogar contra um time argentino, é muito diferente do Brasil. O jeito que os brasileiros jogam é uma parte mais criativa, mais dribles, e eles são mais na marcação. Eu gosto de todos os jogos contra os times argentinos, é muito legal, combina mais com o meu estilo de jogo. Mas a gente tem que ficar atento, porque eles também têm jogadores de alta qualidade, que sabem fazer o que os brasileiros sabem: drible, finalizar bonito, improvisar. Temos que respeitar muito a equipe adversária, mas sabendo que desse lado também tem uma equipe muito competente, que vai lutar a cada bola para conseguir a vitória.

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