Em jogo com denúncia de racismo, Corinthians faz 8 a 0 no Nacional e buscará tri da Libertadores Feminina

Em confronto marcado por caso de injúria racial contra a corintiana Adriana, apontado pelo clube, o Alvinegro massacrou uruguaias e luta no domingo pela sua terceira taça do torneio

PorLance!São Paulo (SP)
16/11/2021 18:58
Atualizado em 16/11/2021 21:01
Corinthians x Nacional-URU - comemoração - 16-11
Jogadoras e membros da comissão técnica comemoram com gesto antirracista (Foto: Staff images woman/Conmebol)

Em um confronto que acabou ficando lamentavelmente marcado por um caso de injúria racial contra a corintiana Adriana, o Corinthians massacrou o Nacional-URU por 8 a 0, nesta terça-feira, no estádio Manuel Ferreira, em Assunção, no Paraguai, e avançou com facilidade à final da Copa Libertadores Feminina. Campeão em 2017 e 2019, o Alvinegro buscará o tricampeonato no domingo, contra o Santa Fé, da Colômbia, em Montevidéu, no Uruguai.

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O alegado ato racista contra Adriana, apontado pelo Corinthians, ocorreu depois que ela marcou, cobrando pênalti, o sexto gol da vitória alvinegra. Outras jogadoras do Timão disseram que ouviram uma atleta da equipe uruguaia chamar a jogadora do Alvinegro de "macaca".

Durante a cobertura ao vivo do jogo por meio de sua página no Facebook, o clube escreveu: "Depois do gol, a Adriana foi chamada de "macaca" pela adversária. LAMENTÁVEL"! E logo após Grazi fechar o placar com o oitavo gol corintiano, ela comemorou com o punho cerrado, em protesto acompanhado por todo resto do elenco corintiano em uma manifestação antirracista.

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CAPITÃ URUGUAIA PEDE DESCULPAS

Logo depois do confronto, na entrevista que deu na beira do gramado, a jogadora Valeria Colman, capitã do Nacional, que não foi a acusada de praticar o ato de injúria racial, chegou a se desculpar pelo ocorrido em nome do time.

– Quero publicamente pedir desculpas se alguém se sentiu ofendida por uma de nós, não era a nossa intenção - afirmou a atleta, se referindo ao ato que, logo após ocorrido, foi motivo de revolta da sua companheira Vic Albuquerque, que denunciou o alegado ato de injúria racial para a arbitragem.

ADRIANA FESTEJA VAGA NA FINAL, MAS LAMENTA EPISÓDIO RACISTA

Depois do confronto, também em entrevista no campo, Adriana comemorou a conquista da vaga na decisão da Libertadores, mas não escondeu a decepção por ter sido alvo de um ato racista por parte de uma adversária.

- Estou bem feliz primeiramente pelo resultado, buscávamos tanto chegar à final. Feliz por fazer o que eu amo dentro de campo e ajudar a equipe. A gente trabalha para isso, jogar futebol, independentemente de qualquer coisa - ressaltou a jogadora, para em seguida revelar que ela mesmo não ouviu o xingamento de teor racista, mas revelou que suas companheiras ouviram.

– Queria falar sobre o lance do pênalti, uma causa que a gente trabalha tanto para que não aconteça. Não vi o que ela falou, mas vi que quem escutou se sentiu mal, depois que as meninas me contaram, me senti mal, nunca passei por uma situação dessas - ressaltou Adriana.

- A gente trabalha para que não aconteça, numa competição assim ainda pior. Espero que ela respeite o nosso trabalho, que não aconteça com ninguém, é uma sensação horrível. Espero que ela respeite e que isso não aconteça com ninguém - completou a jogadora.

CLUBE DIVULGA NOTA REPÚDIO AO ATO RACISTA 

Cerca de uma hora depois do jogo, o Corinthians divulgou uma nota oficial para lamentar o ato racista e prometeu que vai acionar o seu corpo jurídico para analisar o caso e tomar as medidas necessárias para defender as suas atletas. 

- O Sport Club Corinthians Paulista tomou conhecimento do relato das atletas do futebol feminino a respeito de injúria racial ocorrida na semifinal da Libertadores, a qual repudia veementemente. O clube se solidariza com Adriana e as demais jogadoras e, de imediato, presta a elas todo o apoio necessário - escreveu o clube na nota oficial.

- A delegação feminina contará com todo suporte jurídico cabível para a apuração necessária e a punição contundente desse ato inaceitável - encerrou.

MAIS UM BAILE CONTRA O TIME URUGUAIO


As Brabas, como são conhecidas as corintianas, já haviam goleado o mesmo Nacional por 5 a 1 na fase inicial desta edição da competição continental. E agora apenas voltaram a confirmar o seu amplo favoritismo diante das adversárias uruguaias. Depois de abrirem o placar com um gol de Giovana Campiolo no primeiro tempo, balançaram as redes mais sete vezes com Diany, Vic Albuquerque, Gabi Portilho, Jheniffer, Adriana, Juliete e Grazi.

Com o novo massacre, as corintianas agora contabilizam 22 gols marcados e apenas dois sofridos em cinco partidas no torneio. Nas quartas de final, o Alvinegro já havia derrotado o Alianza Lima por 3 a 1, no último sábado, quando se manteve com 100% de aproveitamento na competição, na qual o time brasileiro soma cinco vitórias em cinco confrontos. 

Nesta semifinal diante do Nacional, o Corinthians mais uma vez não pôde contar com a zagueira Erika, um dos expoentes da forte equipe feminina do clube, que sofreu uma grave lesão na véspera da partida contra o Deportivo Capiatá, do Paraguai, pela rodada final da primeira fase desta Libertadores. No último treinamento de preparação para aquele confronto, em Assunção, a jogadora rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito.

E essa vitória sobre o Nacional também servirá para as corintianas superarem o trauma da eliminação sofrida na semifinal da Libertadores do ano passado, na Argentina, onde foram derrotadas pelo América de Cali, da Colômbia, nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal.

Antes deste revés, na edição de 2019 do torneio o Corinthians faturou o bicampeonato continental ao superar a Ferroviária por 2 a 0 em uma decisão realizada no Equador. Em 2017, quando formou uma equipe em parceria com o Audax, de Osasco, o Alvinegro levou o seu primeiro título da competição com uma vitória nos pênaltis sobre o Colo Colo, do Chile, após igualdade por 0 a 0 no tempo normal em um confronto disputado em solo paraguaio.

O colombiano Santa Fé, adversário do Timão na decisão de domingo, avançou à luta pelo título na última segunda-feira, quando eliminou a Ferroviária, atual campeã, na disputa por pênaltis depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal em outro duelo que também foi realizado no estádio Manuel Ferreira.

A decisão desta edição da Libertadores está marcada para ocorrer no próximo domingo, no estádio Gran Parque Central, em Montevidéu, no Uruguai.

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