Análise: Diniz terá que buscar no Corinthians equilíbrio entre base, estrelas e resultados imediatos
Diniz assume o Timão com missão de organizar o time e recuperar vitórias

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O Corinthians tem negociações encaminhadas com o técnico Fernando Diniz para comandar a equipe na sequência da temporada. O técnico chega com a missão de recolocar o time no caminho das vitórias, em um momento delicado: o clube não vence há nove jogos e vai estrear na Libertadores já na próxima quinta-feira (9), contra o Platense, da Argentina.
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Com passagens recentes por Vasco e Cruzeiro marcadas por resultados mistos, Diniz terá que superar números que refletem mais derrotas do que vitórias em campeonatos de pontos corridos. Ao mesmo tempo, contará com um elenco recheado de estrelas, como Memphis Depay, Yuri Alberto, Hugo Souza e Jesse Lingard, além de jovens talentos da base, como Breno Bidon e André Luiz.
O desafio envolve ajustar rapidamente a equipe, equilibrar eficiência ofensiva e defensiva e extrair o máximo de cada jogador, enquanto implementa sua filosofia de valorização da base e desenvolvimento pessoal.
Trabalhos recentes
Vasco da Gama
Apesar de momentos de expectativa, incluindo a possibilidade de um título nacional, Fernando Diniz acumulou números ruins no Vasco da Gama, que não sustentaram sua permanência. O aproveitamento de 40,7% reflete 17 vitórias, 15 empates e 22 derrotas durante sua passagem.
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Esses números negativos, repetidos em outros clubes, sinalizam a desconfiança de parte da torcida do Corinthians em relação à chegada do treinador.
Cruzeiro
Diniz assumiu o Cruzeiro em setembro de 2024, substituindo Fernando Seabra. A estreia foi com empate por 1 a 1 contra o Libertad, no Mineirão, resultado que classificou a equipe para a semifinal da Copa Sul-Americana. No entanto, a primeira vitória só veio na sétima partida, 1 a 0 sobre o Lanús, em Buenos Aires, garantindo vaga na final da Sul-Americana.
No contexto do Corinthians, que não vence há nove jogos, essa espera por resultados dificilmente seria aceita pela torcida.
A passagem pelo Cruzeiro durou apenas quatro meses e terminou com desempenho decepcionante: quatro vitórias, nove empates e sete derrotas em 20 jogos, aproveitamento de 35%. O próprio treinador admitiu que o desempenho foi ruim, enfrentou vaias da torcida nos últimos jogos, mas não concordou com a saída.
— As pessoas, no fundo, conversam com você, mas te ouvem pouco. No fundo o cara contrata e quer resultado, quase sempre resultado imediato. Às vezes muda de uma quarta-feira para outra, em dois jogos. No Cruzeiro aconteceu isso. Jogamos contra o Atlético-MG no sábado, jogamos bem, poderíamos ter vencido por uns 2 a 0. Viajamos, jogamos bem no domingo, time mexido, ganhamos de 1 a 0 do Tombense. E tivemos um jogo ruim contra o Athletic, que é um bom time. Um tropeço que todo mundo vai ter. Já contaminou ambiente e de uma semana para outra teve desligamento — disse o treinador após a saída.
— É uma coisa impregnada no futebol, de resultado imediato. E não tem. Olha na Europa. O Guardiola não vai ser mandado embora, provavelmente. O Arteta ficou um ano e meio tomando porrada. Copiamos da Europa o que não deveria: muito conceito tático, porque treina lá 40 minutos e tem que treinar 40 minutos... E não olhamos para o que precisamos fazer aqui dentro — seguiu.
E os números do treinador?
A principal missão de Fernando Diniz no Corinthians é fazer o time voltar a vencer, fator determinante para a demissão de Dorival Júnior. No momento, a equipe ocupa a primeira posição fora da zona de rebaixamento no Brasileirão e atravessa uma fase complicada na competição.
No torneio nacional, Diniz apresenta números modestos: em 218 jogos, somou 81 vitórias, 53 empates e 84 derrotas, com aproveitamento de 45,3%. Esses resultados reforçam o desafio de recolocar o Corinthians no caminho das vitórias rapidamente.
Na Copa do Brasil, tem 54 partidas, 23 vitórias e aproveitamento de 54,3%, enquanto na Libertadores, competição em que já foi campeão, registra 15 vitórias em 25 jogos, com 68% de aproveitamento, desempenho significativamente melhor.

Copa do Brasil
- 54 jogos
- 23V - 19E - 12D
- 54.3% aproveitamento
- 81 gols
- 50 gols sofridos
Brasileirão
- 218 jogos
- 81V - 53E - 84D
- 45.3% aproveitamento
- 290 gols
- 280 gols sofridos
Libertadores
- 25 jogos
- 15V - 6E - 4D
- 68.0% aproveitamento
- 47 gols
- 26 gols sofridos
Fernando Diniz como treinador
- 721 jogos
- 301V | 188E | 232D
- 50.4% de aproveitamento
- 1066 gols marcados (1.5 por jogo)
- 861 gols sofridos (1.2 por jogo)
Títulos de Fernando Diniz como treinador
- Libertadores 2023
- Recopa Sul-Americana 2024
- Carioca 2023
- Paulista A3 2009
- Copa Paulista 2009 e 2010
Polêmicas na carreira
Em 2021, um episódio ficou marcado entre Tchê Tchê e Fernando Diniz. No confronto entre Bragantino e São Paulo, em Bragança Paulista, enquanto o Tricolor já perdia por três gols, a transmissão captou uma bronca do técnico em Tchê Tchê.
— Seu ingrato do c..., seu perninha do c..., seu mascaradinho. Vai se f... — gritou Diniz. O volante nunca escondeu a chateação com o episódio.
Apesar do desentendimento, Tchê Tchê marcou o primeiro gol do São Paulo na primeira etapa. Na segunda, porém, foi expulso após agredir Cuello. O episódio causou repercussão no CT da Barra Funda e coincidiu com uma queda de rendimento do time, que perdeu a liderança do Brasileirão e se classificou para a fase de grupos da Libertadores apenas na última rodada.
Outro caso ocorreu durante a passagem de Diniz pelo Vasco. Em um duelo contra o Corinthians, o técnico foi flagrado discutindo de forma acalorada com o atacante Rayan durante a partida.
Apesar de ter repercutido negativamente, o caso parece ter sido um dos ingredientes para que o atacante começasse a evoluir. Os números do jovem, de fato, melhoraram após o episódio. O cria chegou a afirmar que o treinador era como um pai para ele, botando panos quentes na situação.

Corinthians com estrelas e uso da base
O Corinthians conta com um elenco de nomes importantes. Memphis Depay é a principal estrela da equipe, que ainda inclui Yuri Alberto, Hugo Souza e, mais recentemente, Jesse Lingard. Apesar do talento individual, internamente o grupo não é visto como "vaidoso", o que pode facilitar a implementação de um novo comando técnico.
O novo treinador terá a missão de dominar esse elenco e extrair o máximo de cada jogador. Em passagens recentes, Diniz já trabalhou com atletas de alto nível, como Marcelo no Fluminense e Coutinho no Vasco, experiências que servem de base para ajustar rapidamente o Corinthians, tanto taticamente quanto emocionalmente.
Fernando Diniz sempre defendeu o uso da base, postura que se repetiu em passagens recentes pelo Vasco e Fluminense. No Corinthians, o treinador encontrará Breno Bidon e André Luiz, jovens em alta no clube, com potencial para se firmar no time principal.

Além disso, o comando técnico terá que lidar com atletas que ainda buscam mais espaço, como Gui Negão, Kayke e Dieguinho. Um dos discursos de Diniz reforça a importância de transformar a vida dos jogadores não apenas por meio de títulos, mas também no desenvolvimento pessoal, valorizando o crescimento dentro e fora de campo.
— A minha meta é mudar a vida de um John Kennedy, de um Rayan, de gente desse tipo, que precisa de ajuda. Do Coutinho, que também precisa de ajuda… Tem dinheiro, passou por grandes clubes, jogou Copa do Mundo, mas queria parar de jogar. E agora não quer mais parar de jogar — disse Diniz recentemente no Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol.
— A gente tem o poder de transformar muitas vidas, eu sou treinador por causa disso. Não sou treinador principalmente para ganhar títulos e levantar taças, eu acho que isso é uma consequência do trabalho que eu desenvolvo para poder melhorar a vida dos jogadores e das pessoas que assistem — completou.
Os primeiros desafios no Corinthians
No Corinthians, o desafio será ajustar o time rapidamente, melhorar a eficiência ofensiva e defensiva e transformar essa experiência em vitórias, sobretudo na estreia pela Libertadores, na próxima quinta-feira (9) contra o Platense, da Argentina.
O calendário, inclusive, é uma missão importante: após a estreia da Libertadores, Fernando Diniz já terá que virar a chave para o clássico diante do Palmeiras, no domingo (12), na Neo Química Arena. Em seguida, o Timão entra em campo novamente pela Libertadores, dessa vez contra o Santa Fé em casa.
Cabe ressaltar que o Corinthians acumula nove jogos sem vencer: Portuguesa, Cruzeiro, Novorizontino, Coritiba, Santos, Chapecoense, Flamengo, Fluminense e Internacional, números que fizeram o Dorival Júnior ser demitido.
O que o torcedor pode esperar?
As equipes de Fernando Diniz têm um estilo de trabalho focado na posse de bola, no desenvolvimento dos jogadores e no aproveitamento da base, aliado à experiência com atletas de alto nível. Apesar de números mistos em campeonatos nacionais, o treinador apresenta desempenho consistente em torneios eliminatórios, como Libertadores e Copa do Brasil.
No Timão, como já foi dito acima, o desafio será encerrar a sequência de jogos sem vitórias, ajustar rapidamente o time e equilibrar ataque e defesa, ao mesmo tempo em que busca transformar a performance em resultados e dar protagonismo a jovens promessas.
Em resumo, a expectativa é de um Corinthians mais organizado, com identidade de jogo definida e oportunidades para talentos emergentes, mas, como já ocorreu em outras passagens da carreira do treinador, o processo exigirá paciência e adaptação enquanto o trabalho ganha forma.
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