Faltam 136 dias para a Copa do Mundo: como surgiram os cartões amarelo e vermelho
Medida foi adotada após confusão entre Inglaterra e Argentina, em 1966

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A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 ganha um simbolismo especial nesta segunda-feira (26). Faltando 136 dias para o início do torneio que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá, a lembrança que entra em campo é de uma das mudanças mais marcantes na história das regras do futebol: a criação dos cartões amarelo e vermelho.
Até o fim da década de 1960, árbitros já podiam expulsar jogadores, mas não havia qualquer sinalização visual padronizada. As decisões eram tomadas e comunicadas apenas com apito, gritos e gestos, o que frequentemente gerava confusão entre atletas, comissões técnicas e torcedores. Esse cenário atingiu o limite na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. No duelo das quartas de final entre Argentina e Inglaterra, em Wembley, o alemão Rudolf Kreitlein expulsou o capitão argentino Antonio Rattín apenas apontando o dedo, sem cartão ou explicação clara em campo.
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Rattín, que havia reclamado de uma falta, não falava a mesma língua do árbitro, que por sua vez não entendia espanhol. Sem compreender a punição, o argentino resistiu a deixar o gramado. Revoltados, os jogadores da Argentina cercaram Kreitlein, que teve a camisa rasgada e precisou sair protegido por seguranças e policiais. O então responsável pela arbitragem do torneio, o inglês Ken Aston, auxiliou na tentativa de convencer o capitão a abandonar o jogo, testemunhando de perto a dificuldade de comunicação que colocava a autoridade do juiz em xeque.
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Aston já carregava essa preocupação desde a Copa de 1962, no Chile, quando apitou a partida que ficaria conhecida como "Batalha de Santiago", entre Chile e Itália, marcada por socos, nariz quebrado, expulsões e intervenção constante da polícia. Somando esses episódios, o ex-árbitro passou a refletir sobre a necessidade de um sistema claro, compreensível em qualquer idioma, que indicasse advertências e expulsões de forma imediata a todos no estádio.
A ideia ganhou forma em uma cena cotidiana. Dirigindo por Londres, Aston observou um semáforo alternar do amarelo para o vermelho. A lógica visual do trânsito — amarelo como alerta, vermelho como parada — virou o ponto de partida para sua solução no futebol. Nasciam os cartões amarelo e vermelho, concebidos como uma linguagem universal para decisões disciplinares. Quatro anos depois da confusão em 1966, a novidade foi finalmente implementada: a Copa do Mundo do México, em 1970, tornou-se a primeira da história a adotar oficialmente o uso dos cartões.
Mesmo com a introdução do novo sistema, os cartões levariam algum tempo para se tornarem protagonistas de lances emblemáticos. O primeiro jogador a receber um cartão vermelho físico em uma Copa foi o chileno Carlos Caszely, em 1974. Décadas mais tarde, a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, estabeleceria o recorde de expulsões: 28 cartões vermelhos ao longo do torneio, incluindo a partida que entrou para o folclore como "Batalha de Nuremberg", entre Portugal e Holanda, com quatro expulsos — dois de cada lado.
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Ao longo da história dos Mundiais, alguns nomes também se destacaram negativamente na estatística disciplinar: Rigobert Song, de Camarões, e Zinédine Zidane, da França, são os únicos jogadores expulsos em duas edições diferentes de Copa. Entre avanços tecnológicos, como o VAR, e mudanças táticas constantes, poucas inovações tiveram um impacto tão direto na relação entre árbitros, jogadores e torcedores quanto os cartões idealizados por Ken Aston — uma solução simples, nascida da observação de um semáforo, que se transformou em ferramenta universal de ordem no jogo.

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