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Diferente da Rússia, ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela não terá reflexo na Copa do Mundo

Há quatro anos, Fifa excluiu russos das Eliminatórias após pressão de filiados

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Marcio Dolzan
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 03/01/2026
17:34
Atualizado em 15/01/2026
22:30
Mulher exibe a bandeira da Venezuela em frente à Casa Branca
imagem cameraMulher exibe a bandeira da Venezuela em frente à Casa Branca (Foto: Mandel Ngan/AFP)

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A operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, deflagrada nas primeiras horas deste sábado (3) e que culminou com a prisão do venezuelano Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores, não deverá ter qualquer reflexo na Copa do Mundo de 2026, que começará em pouco mais de cinco meses e será organizada em conjunto por EUA, México e Canadá.

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➡️Veja como estão os preparativos para a Copa do Mundo

Tão logo as notícias da operação começaram a correr o mundo, as redes sociais e mesmo analistas de diversos países lembraram que a Rússia foi punida pela invasão à Ucrânia no início de 2022. A federação russa acabou excluída das Eliminatórias Europeias e, consequentemente, ficou de fora da Copa do Mundo do Catar, realizada no fim daquele ano. O mesmo aconteceu com o país europeu para o Mundial deste ano.

Mas alguns pontos tornam o caso da Rússia em 2022 diferente daquele que é visto agora com os Estados Unidos e a Venezuela. 

Donald Trump fez pronunciamento sobre ação dos Estados Unidos contra a Venezuela
Donald Trump fez pronunciamento sobre ação dos Estados Unidos contra a Venezuela (Foto: Jim Watson/AFP)

Há pouco menos de quatro anos, as seleções europeias ainda estavam em meio à disputa das Eliminatórias para a Copa do Catar. À época, a Rússia se preparava para encarar a Polônia no primeiro jogo da repescagem, e quem vencesse enfrentaria o vencedor de Suécia x Tchéquia por uma vaga no Mundial.

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Assim, em protesto contra a invasão à Ucrânia, a Polônia informou à Fifa que não entraria em campo contra os russos. Suecos e tchecos também declararam que se negariam a enfrentar a Rússia num eventual jogo decisivo.

Fifa e Uefa, então, se viram em uma situação delicada: esperar pela data dos jogos para aplicar sumariamente um WO, que classificaria de forma automática à Copa do Mundo um país que invadira outro; ou excluir a Rússia das Eliminatórias.

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Assim, em 28 de fevereiro de 2022, o Conselho da Fifa e o Comitê Executivo da Uefa anunciaram de forma conjunta que "todas as equipes russas, sejam elas seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso". 

Ou seja, em 2022 a Fifa excluiu a Rússia do torneio que classificava para o Mundial, e não da Copa do Mundo.

Além disso, a entidade que comanda o futebol do planeta agiu naquele ano a partir da manifestação conjunta de três de suas federações filiadas, além da Uefa. E, até o momento, não se tem nenhuma manifestação formal de países classificados à Copa do Mundo de 2026 informando recusa em disputar o Mundial em protesto pela ação dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Venezuelanos que vivem na Espanha acompanham discurso de Trump após ação militar
Venezuelanos que vivem na Espanha acompanham discurso de Trump após ação militar (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Vale lembrar que nem mesmo países que não mantêm boas relações diplomáticas com os Estados Unidos, e cujas seleções já estão classificadas à Copa do Mundo, indicaram desejo de não disputar o Mundial. Um deles é o Irã, que se negou a enviar delegação para o sorteio dos grupos, no início do mês passado, mas vai disputar normalmente o torneio que começa em junho.

Copa do Mundo de 2026 depende dos Estados Unidos

Mas o fator crucial, que torna praticamente nula qualquer chance de ação da Fifa contra os Estados Unidos, é outro: a realização da Copa do Mundo de 2026 depende daquele país. Em 2022, a ausência da Rússia não teria qualquer impacto.

Os EUA irão sediar 78 dos 104 jogos da Copa deste ano, incluindo todas as partidas a partir das quartas de final. Além disso, bilhões de dólares em contratos já firmados com empresas e patrocinadores inviabilizam mudança de sede, principalmente restando poucos meses para o início da competição. E, como manda a tradição e os regulamentos da Fifa, o país que recebe o torneio tem vaga garantida.

A ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, no entanto, não exime a Fifa de um constrangimento: no mês passado, o presidente da entidade, Gianni Infantino, entregou ao presidente americano, Donald Trump, o primeiro Prêmio da Paz da Fifa.

— O senhor sempre poderá contar, Sr. Presidente (Trump), com o meu apoio, com o apoio de toda a comunidade do futebol, para ajudá-lo a fazer a paz e a prosperar no mundo inteiro — disse Infantino na ocasião.

Neste sábado, líderes de diferentes nações consideraram a operação que prendeu Nicolás Maduro como uma "agressão", enquanto outros a apoiaram.

O Lance! pediu manifestação à Fifa, mas não houve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Ao lado de Infantino, Donald Trump recebe Prêmio Fifa da Paz
Infantino entregou Prêmio da Paz da Fifa a Donald Trump (Foto: Stephanie Scarbrough/AFP)
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