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Lauter no Lance!: A centenária edição da São Silvestre, coalhada de recordes

Recorde de inscritos, recordes de concluintes e, disparado, recorde de reclamações!!

Fabio Jesus foi o melhor brasileiro da São Silvestre
imagem cameraSão Silvestre é disputada no último dia do ano (Foto: Peter Leone/Ofotografico/Gazeta Press)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 06/01/2026
18:57

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Definitivamente, nesta virada de ano, minhas palmas e admiração vão para o povo do "Fale conosco" da empresa responsável pela, vá lá, organização da centésima edição da Corrida de São Silvestre, deve ter tido um turno de trabalho indescritível, interminável! Afinal, já que era a corrida de número 100, eles resolveram por à prova a paciência desta centenária senhora!

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A escalada de erros começou, diferentemente das largadas em ondas no dia da prova, cedo, muito cedo, na infame pré-inscrição. Aconteceu de tudo, filas digitais quilométricas, vazamento de senhas, gente furando as tais filas digitais de espera e, horas, dias, de angústia. Se fizessem um obrigatório dever de casa, veriam que, quando se lida com um evento como os 100 anos de São Silvestre, tem que se pôr em prática o sorteio simples dos que irão se inscrever, de preferência com certificado de fidedignidade. Reservem 80% das inscrições, dedicados ao sorteio, e os restantes 20% para elite, sub elite, promocionais, os milhares de influencers (praga que cresce assustadoramente) e cotas de patrocinadores. E, quem sabe, algumas inscrições VIPs, custando um rim e meio, claro!


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Não foi o que aconteceu, e a gritaria da galera começou cedo, muito antes da semana da prova! Era gente que envelhecia e morria de velhice na fila de espera digital, outros que descobriam que existiam alguns links piratas "honestíssimos" e outras cyber trapaças. Enfim, o sistema de inscrições foi falho, para desespero de centenas, talvez milhares de incautos corredores.

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E na semana da prova? Mais uma escolha errada, o local da Expo (uma grande exposição de marcas e produtos à venda, numa robusta feira, e a danada da entrega de kits). E foi durante as lentas entregas dos kits, aliás, onde descobriram que faltavam milhares de camisas (sim, as camisas da marca patrocinadora, que deveriam ir nos kits de milhares de atletas, sumiram), com filas sem fim e reclamações idem! Sob inclementes dias de calor, num local que mais parecia um enorme forno de micro-ondas, infelizmente ligado no máximo. Era um pré-prova perfeito para os 55 mil incautos: horas de pé, suando em bicas, frustrados por terem recebidos kits incompletos! E tome conteúdo negativo nas redes sociais.

São Silvestre, o 33º Papa católico, que morreu em 31 de dezembro do ano 335, protetor dos atletas e desportistas, não merecia tamanho desrespeito. E seus protegidos também! Afinal, o desrespeito ao personagem principal dessa história, os 55 mil corredores, não para por aí:

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-- Alguém avisou aos organizadores que já era verão? E que as temperaturas nos dias anteriores à prova eram extremas? Por acaso pensaram em antecipar as tais largadas em ondas (que, por sinal deram supercerto, ufa!) que iriam, de forma insana, começar, para os quase 55 mil atletas amadores, apenas às 8:05 de um dia infernal de tórrido Sol de verão? Por que não anteciparam em 2 horas as largadas em ondas?

-- Por acaso, reforçaram o processo de hidratação? Aumentando o número de postos, para diminuir a distância entre eles? E, alguma alma bondosa pensou em aumentar a oferta de gelo, para que água e isotônicos se tornassem mais eficientes no processo de hidratação? Será que algum mandachuva (aliás, se existisse este posto na hierarquia da organização, seu nome deveria ser pensado para mudar o nome oficial da prova! Pois, usando seu poder, de mandar chuva, teria salvo muitos desistentes, muitos que chegaram passando, seriamente, mal e muitos que juraram, para São Silvestre nunca mais correr essa sua prova!) não pensou em aumentar o contingente de ambulâncias e profissionais de saúde no percurso e dispersão do evento?

Um sonoro NÃO para TODAS as perguntas!

Numa prova com este altíssimo grau de periculosidade, de risco de vida (sim, já ouviram falar de "Morte Súbita em Esportes"?), onde muitos, um percentual muito grande de "atletas", totalmente despreparados para participar, sem se expor a danos físicos seríssimos, por conta da negligência dos organizadores, que, deveriam ter sido, no mínimo, questionados pela prefeitura, que acabou se tornando conivente com a situação crítica.

Os dias que antecederam a prova, mostraram o potencial destruidor do evento. Muitos, mas muitos atletas mesmo, reclamaram ao completarem o percurso, da temperatura absurdamente quente, da água oferecida durante a prova (pois ficou, além de sem gelo para resfriamento, totalmente exposta ao inclemente Sol daquele dia de, ora, verão. Mas uma grande maioria reclamava por descaso pior, a total ausência de água (gelada, morna ou quente mesmo) durante o percurso, nos postos de, pasmem, hidratação! Outros, é, amigos, foram muitos os atletas prejudicados, reclamavam, e incrédulos postavam fotos de postos sem água sendo oferecida, mas com centenas de caixas de água mineral lacradas, ao lado destes postos!

Organização da São Silvestre deixou a desejar

A organização (desculpem a ironia) fez com que milhares de pessoas, percorressem a distância de 15 quilômetros, com sol a pino, com postos de hidratação, muitos sem água, outros com água pronta para receber o saquinho de chá a ser servido aos incautos, e, ao final desta odisseia de horrores, NÃO receberem suas medalhas de concluintes. Afinal, segundo eles, as medalhas que seriam entregues aos orgulhosos e resistentes concluintes, na dispersão da prova, haviam sumido! Essas mesmas medalhas, eram encontradas à venda, em ruas próximas à Avenida Paulista, por pessoas vestidas ainda com a camisa dos staff que trabalhavam na São Silvestre.

Competidores disputam a São Silvestre (Foto: Felipe Marques/Zimel Press/Gazeta Press) <br><br>
Competidores disputam a São Silvestre (Foto: Felipe Marques/Zimel Press/Gazeta Press) <br><br>

Em números, a São Silvestre número 100, sim, foi um sucesso: 55 mil inscritos, 52,500 concluintes, tornando-se a maior prova da América do Sul, mas deixou a desejar no cuidado com o atleta, em seu conforto, sua segurança. De que adianta um sistema de largadas em ondas eficiente, se boa parte dos atletas, só conseguiu começar a correr de verdade, após o quinto quilômetro de prova.

Se analisarmos friamente (impossível naquela manhã, pelo calor senegalês) foi até bom, que o terço inicial de prova tenha sido de caminhada para os corredores mais lentos e menos treinados, pois seria calamitoso se começassem a correr desde a largada! Apesar da maior exposição ao sol inclemente daquela abafada manhã.


O brilho incessante do Sol, não foi refletido no pelotão de Elite na prova deste ano. Um "elite field" pobre de grandes nomes, num cenário diferente das últimas edições, onde, como de hábito, desfilavam muitos dos melhores fundistas da atualidade. Mais uma tradição negligenciada nesta edição, a centésima, de uma das provas de rua mais tradicionais do mundo.

Espero, triste e desapontado, que a minha (afinal foram 25 edições trabalhando nela, comentando) São Silvestre volte a ter a qualidade de outrora, e que continue a fazer parte importante de nosso último dia de cada ano, ano após ano, cuidando de todos seus participantes, para que, daqui a 100 anos, meus bisnetos se lembrem das histórias que seu velho bi-vô contava, décadas atrás, com um leve sorriso, entre furtivas lágrimas.

Mais uma São Silvestre se esvai, que venha a próxima, que se corrija o rumo, que volte o brilho de uma prova inesquecível, que respeitemos os 55 mil artistas principais dessa festa!

Lauter Nogueira

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