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Abuso, pressão e saúde mental: por que o esporte precisa rever sua forma de proteção aos atletas

À medida que o esporte se aproxima de um novo ciclo de grandes eventos, cresce a exposição de atletas

coluna Felippe Marchetti - SportsRadar
imagem cameraFoto: Imagem gerada por IA
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 08/05/2026
07:00

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À medida que o esporte internacional se aproxima de um novo ciclo de grandes eventos, como a Copa do Mundo Fifa 2026, cresce a exposição de atletas, árbitros e seleções a ambientes de pressão intensa, não apenas dentro de campo, mas também fora dele. Em períodos como esse, a cobrança pública se intensifica e, nas redes sociais, muitas vezes se perde a noção de que há um ser humano do outro lado da tela, abrindo espaço para episódios de abuso, assédio e ataques direcionados.

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Esse cenário ficou evidente durante os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Diferentes modalidades registraram casos recorrentes de bullying e violência verbal no ambiente digital, revelando um padrão que vai além de reações isoladas de torcedores. No Brasil, a dimensão do problema é clara: um estudo conduzido em parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) apontou que 93% dos atletas brasileiros já sofreram algum tipo de abuso ou violência ao longo da carreira, incluindo violência psicológica e verbal.

A pressão associada à alta exposição também ajuda a contextualizar decisões recentes de atletas de alto rendimento. Em 2025, a tenista brasileira Bia Haddad Maia anunciou o encerramento antecipado de sua temporada para descansar o corpo e a mente. Episódios como esse reforçam que o impacto da exposição contínua não é apenas esportivo, mas também emocional e psicológico, especialmente em ciclos marcados por grandes eventos globais.

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Grandes competições funcionam como catalisadores de atenção internacional. Erros técnicos, derrotas ou decisões controversas rapidamente se transformam em gatilhos para campanhas de ataques coordenados, muitas vezes anônimos, que extrapolam o debate esportivo e atingem a esfera pessoal de atletas e árbitros.

Diante desse contexto, tornou-se evidente que respostas pontuais não são suficientes. A simples exclusão manual de comentários ofensivos, após a exposição do atleta, já se mostrou limitada diante do volume, da velocidade e da agressividade do ambiente digital. O esporte passou a demandar políticas permanentes de prevenção, detecção e resposta, capazes de lidar com riscos que se manifestam fora das arenas, mas produzem efeitos concretos dentro delas. Nesse debate, iniciativas como o Safe Sport
ajudam a ilustrar uma mudança de abordagem, ao integrar prevenção, educação e resposta a abusos no ambiente esportivo.

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Debate sobre saúde mental deixou de ser periférico no esporte

Ferramentas tecnológicas passaram a ocupar um papel relevante ao permitir a identificação de padrões de linguagem abusiva e a redução da exposição direta de atletas a conteúdos ofensivos em tempo real. Ainda assim, tecnologia sem educação e sem mecanismos claros de responsabilização institucional é insuficiente. A experiência prática demonstra que ações educativas são essenciais para preparar atletas e
profissionais do esporte a compreender riscos digitais, reconhecer abordagens abusivas e adotar estratégias mais seguras nas redes sociais. Da mesma forma, a capacidade investigativa torna-se indispensável quando o abuso ultrapassa o campo simbólico e passa a representar ameaça concreta à integridade física e psicológica.

O debate sobre saúde mental deixou de ser periférico no esporte. Ambientes hostis, físicos ou digitais, aumentam riscos de ansiedade, depressão e esgotamento, comprometendo não apenas resultados imediatos, mas também a longevidade das carreiras. O enfrentamento do abuso no esporte exige cooperação entre entidades esportivas, atletas, plataformas digitais e autoridades públicas.

À medida que o esporte se prepara para um dos maiores eventos de sua história recente, rever a forma como lida com abuso, pressão e saúde mental não é apenas uma demanda ética, mas uma condição essencial para preservar a credibilidade, os valores e o futuro das competições.

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Felippe Marchetti, Doutor em integridade e medidas anticorrupção no esporte. Atua como Diretor de Integridade da Sportradar na América Latina.

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Felippe Marchetti, Doutor em integridade e medidas anticorrupção no esporte. Atua como Diretor de Integridade da Sportradar na América Latina.

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