Integridade no Esporte: Por que a educação é prioridade

Diretor de integridade da Sportradar traz reflexões sobre o mercado de apostas

PorFelippe Marchetti
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
20/10/2025 17:18
Atualizado em 18/11/2025 14:57

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Mercado de apostas esportivas cresceu de forma impressionante no Brasil
Mercado de apostas esportivas cresceu de forma impressionante no Brasil

Para quem ainda não me conhece, sou Felippe Marchetti, diretor de integridade da Sportradar na América Latina. A partir de agora, estarei aqui uma vez por mês para trocar reflexões sobre temas que impactam diretamente o esporte. E nada melhor do que começar falando sobre algo que sempre fez parte da minha trajetória, tanto acadêmica quanto profissional: a educação.

O futuro do esporte depende da educação em integridade

O mercado de apostas esportivas cresceu de forma impressionante no Brasil. O futebol, paixão nacional, ganhou uma conexão ainda mais forte com esse setor — e, junto com as oportunidades, surgiram riscos sérios. A manipulação de resultados deixou de ser um problema distante e virou uma ameaça real.

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Quem mais sente os impactos são os atletas. Muitos ainda jovens e sem preparo financeiro ou emocional ficam expostos a pressões externas e se tornam alvos preferenciais de quem tenta corromper o jogo. Por isso, a educação em integridade não é detalhe — é prioridade. Sem ela, não há futuro sustentável para o esporte.

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Prevenção começa com educação

Quando se fala em integridade, o debate costuma girar em torno de punição e investigação. São etapas importantes, mas não bastam. O combate precisa começar antes, com prevenção — e prevenção só existe com educação.

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É esse o foco do trabalho da Sportradar. Entramos nos clubes, conversamos com atletas e comissões técnicas, mostramos exemplos reais e explicamos, de forma prática, como agir diante de uma abordagem suspeita.

Nos últimos meses, essa frente ganhou força e se espalhou pelo país. Realizamos workshops de integridade com atletas do futebol masculino, feminino e sub-20, em parceria com as casas de apostas patrocinadoras dos clubes. America-RJ, Bangu, Ceará, Corinthians, Criciúma, CRB, CSA, Grêmio, Internacional, Juventude, Mirassol, Náutico, São Paulo e Vitória estão entre os participantes.

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O trabalho também se estendeu ao projeto educacional da Sportradar com a CONMEBOL, que leva o tema da integridade às dez Associações Membro da América do Sul. No Brasil, a edição aconteceu em outubro, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), reunindo autoridades, atletas e árbitros.

Felippe Marchetti (de branco), da Sportradar, falou sobre manipulação de apostas
Felippe Marchetti (de branco), da Sportradar, falou sobre manipulação de apostas (Foto: Marcio Dolzan/Lance!)

Além do futebol

A educação em integridade já alcança outras modalidades. Em parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), conversamos com todos os atletas de vôlei de praia durante a etapa de Brasília. Nos e-sports, treinamos a equipe da Vivo Keyd.

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Também ampliamos o foco para outros protagonistas: realizamos workshops exclusivos para árbitros em Minas Gerais e lançamos uma plataforma online com as federações do Sul, ampliando o acesso ao conteúdo. A Federação Paranaense de Futebol, por exemplo, já treinou mais de 5 mil pessoas em 2025.

Parcerias que fazem a diferença

Ninguém vence essa batalha sozinho. As parcerias com o Ministério do Esporte, Ministério da Fazenda, Polícia Federal, Ministério Público de Goiás, CBF e CBV têm sido decisivas. Unimos tecnologia, experiência prática e legitimidade institucional para monitorar competições e agir rapidamente.

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Os resultados são concretos: em 2024, o Brasil registrou 48% menos partidas suspeitas de manipulação do que em 2023 — um sinal de que o trabalho conjunto está funcionando.

Foco nas pessoas

No fim, tudo se resume a pessoas. Meninos e meninas que sonham em viver do esporte e muitas vezes não estão preparados para lidar com as pressões do entorno. Eles precisam estar no centro das ações.

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Se queremos um esporte limpo e confiável, precisamos oferecer informação, segurança e voz a esses jovens. Educação em integridade não é custo — é investimento no futuro dos atletas, na credibilidade das competições e na confiança do torcedor.

Criar uma cultura sólida de integridade é um processo de longo prazo, mas indispensável para que o crescimento das apostas no Brasil aconteça de forma responsável — e para que o esporte continue sendo motivo de orgulho e paixão.

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Integridade no Esporte, com Felippe Marchetti

Felippe Marchetti, Doutor em integridade e medidas anticorrupção no esporte. Atua como Diretor de Integridade da Sportradar na América Latina.

*Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!

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