Gustavo Oliveira - São Paulo

Gustavo Oliveira retornou ao clube como diretor-executivo de futebol (Foto: Ale Cabral/LANCEPRESS!)

Marcio Porto
29/12/2015
07:25
São Paulo (SP)

Desde que Carlos Augusto de Barros e Silva sentou na cadeira da presidência do São Paulo, quem conduz o futebol do clube é Gustavo Vieira de Oliveira. O poder do diretor-executivo vai desde seu campo de atuação à remuneração, que o coloca no mesmo patamar dos grandes executivos do futebol brasileiro atualmente.

Em entrevista ao LANCE!, Leco confirmou que, além de uma remuneração fixa (R$ 80 mil), Gustavo terá uma participação no lucro das vendas de jogadores que ele contratar. É um bônus de 3%. Pedindo transparência, o presidente explicou como fez o modelo de contrato.

– No momento em que discuti com ele a contratação, ele apresentou uma pretensão salarial que se baseava numa proposta de outro clube (Cruzeiro). Pegamos três grandes exemplos de profissionais de outros clubes e conclui que a pedida era justa. Mas que o São Paulo num primeiro momento precisava ter um certo fôlego, aí eu pechinchei. E estabeleci com ele que o ganho seria dois terços menor do que ele queria, e que daqui seis meses, chegaríamos lá. Aí estabeleci um ganho de produtividade. Os jogadores que o São Paulo contratasse por ação dele e vendesse, porque não é ele que compra nem que vende, é o São Paulo, ele teria essa participação. Estou incentivando o cara. É merecimento – disse.

Assim, daqui três meses o salário de Gustavo chegará a R$ 100 mil e, em seis, R$ 120 mil. Leco também tratou do assunto na última reunião de Conselho Deliberativo do ano, no último dia 15 de dezembro.

Gustavo voltou ao futebol do São Paulo no fim de outubro, cinco meses após deixar o cargo por divergências com o ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Nesse período, visitou clubes europeus, cogitou uma parceria para gerir um clube em Portugal, e recebeu propostas de Coritiba e Cruzeiro. Estava valorizado.

Com carta branca de Leco e do vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro, Gustavo começou a implantar o departamento de scout, cuida de todas as negociações de jogadores e conduziu o processo de escolha do novo técnico, acertando tudo com o argentino Edgardo Bauza. Tem sido muito elogiado.

Nos bastidores, Gustavo é visto como um dirigente que zela pelos interesses do clube e que por isso tenta baratear ao máximo toda negociação. Isso chega a irritar empresários, algo que o São Paulo vê como positivo. 

Entrevista exclusiva com Leco

Poderia explicar melhor o modelo de contrato do Gustavo?
Ele vai trabalhar, nos convencer de comprar e depois de que é bom vender. A diferença que tem nisso aí, ele teria uma participação que é muito pequena, e mais do que justa, valor de 3%. Por ele, por obra dele, pela pesquisa dele, a tratativa, e o São Paulo conquistar um jogador por R$ 2 milhões e depois de um tempo vender por R$ 10 milhões, 97% desse valor é do São Paulo e 3% dele. Não é comissão, não é ilegalidade.

Como repercutiu no clube?
Causou assim uma comoção, alguma intenção maldosa, e na reunião de conselho expliquei muito claramente e tenho a sensação de que convenci a todos. Porque é algo legítimo, ganho por produtividade.

Não seria mais justo o ganho sobre conquistas?
Mas isso são conceitos que se fundem, não se excluem. O jogador que tiver conquista, ele se valoriza e será vendido melhor. E não é possível no futebol ignorar o aspecto comercial